• Missão de Dado é recuperar sua carreira e o futebol do Paraná Clube

    Missão de Dado é recuperar sua carreira e o futebol do Paraná Clube
    Dado Cavalcanti (Foto: Franklin de Freitas)

    Dado Cavalcanti está de volta ao Paraná Clube. 

    E voltou para planejar 2019. Afinal, técnico não é milagreiro. E 2018 já foi pelo ralo.

    A aposta em Dado é válida. É um técnico com salário dentro da realidade da Série B. É dedicado e estudioso. E tem identificação com o clube. 

    CARREIRA
    Dado fez trabalho brilhante no Paraná em 2013. O time voou em campo no primeiro turno da Série B. Conseguiu colocar em campo uma equipe com intensidade, organização e criatividade. No segundo turno, porém, os salários atrasados destruíram o ambiente no clube e o acesso ficou fora de alcançe. 

    Depois de 2013, Dado não conseguiu emplacar trabalhos de destaque. Não foi bem no Coritiba em 2014. Em seguida, rodou por Ponte Preta, Náutico, Ceará, Paysandu e CRB. Viveu alguns bons momentos nesse período, mas nada que recuperasse seu prestígio no mercado do futebol.

    O retorno ao Paraná Clube pode garantir essa recuperação na carreira dele. Para isso, Dado precisa recuperar o bom futebol da equipe. 

    O primeiro passo é agora. O caminho para o sucesso e o acesso em 2019 começa no final de 2018, com boas contratações e avaliação precisa dos melhores talentos das categorias de base. 

  • Sobrevivente do 'jornalismo raiz', o premiado Marco Assef defende a honra do rádio

    Sobrevivente do 'jornalismo raiz', o premiado Marco Assef defende a honra do rádio
    Marco Assef (Foto: Arquivo pessoal/Marco Assef)

    Marco Assef tem 35 anos de jornalismo esportivo. Trabalhou em rádios, tvs e jornais. Sentiu na pele as mudanças radicais na profissão e no meio esportivo das últimas décadas. E nunca deixou de acreditar na força do rádio. 

    Apaixonado pelo futebol, colecionou prêmios na imprensa paranaense. Com conhecimento de causa, segue defendendo o 'jornalismo raiz' e lamentando a 'pasteurização' da informaçõs nos clubes. 

    Nessa entrevista da série Craques da Imprensa, Marco Assef fala todos esses assuntos. E muito mais. 

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Marco Assef — Na infância e juventude eu era fanático por futebol. Daqueles que sabia dar a escalação completa e reservas dos principais clubes brasileiros. A gente se informava pelo rádio ou pela Revista Placar, que era a bíblia de quem curtia futebol naqueles tempos. Jogava futebol de botão e anotava as escalações, fazia fichas técnicas dos jogos, narrava, comentava e fazia as entrevistas, tudo sozinho. Como jogar bola, infelizmente nunca foi meu forte – a natureza não colaborou comigo – virei um ‘nerd’, me informando de tudo que eu podia, com tudo que chegava ao meu alcance. Sempre estava muito bem informado. Já tinha a vontade de fazer jornalismo desde os 14 anos e a área escolhida certamente seria a esportiva. Já no segundo ano da faculdade comecei a trabalhar e não parei mais. Comecei com 18 anos. Em 2019 completo 35 anos de atuação profissional. Mudei de áreas algumas vezes porque não gosto de rotina, mas o jornalismo esportivo ainda é a paixão original, o primeiro amor.

    Entrelinhas — Você já trabalhou em rádio, TV e jornal impresso. O jornalismo esportivo é diferente em cada um desses meios? Ou o jornalista precisa “trocar o chip”, passar por uma adaptação em cada veículo?
    Assef —
    O jornalismo esportivo é diferente em cada meio. O básico é igual. É questão de formação do jornalista, como ética, saber escrever, apurar a informação adequadamente, entre outras coisas. Mas cada veículo tem um jeito específico de se fazer. O jornal requer mais apuração. No rádio e na TV vale muito o conteúdo, mas a forma de levar a informação ao seu público é fundamental. Agora tem gente atuando apenas em redes sociais, no youtube, já é um caminho a mais para quem está na área esportiva.

    Entrelinhas — Você pegou aquela época em que não havia assessoria de imprensa nos clubes e os jornalistas tinham livre acesso aos clubes. Como era o jornalismo naquela época? O que melhorou e o que piorou nesse cotidiano de cobertura dos clubes de futebol?
    Assef —
    Peguei a fase em que não havia assessoria de imprensa nos clubes e fui o primeiro assessor de imprensa de clubes de Curitiba, ainda nos anos 80. Depois voltei no fim dos anos 90 mais uma vez. Você conversava com quem você queria, os dirigentes, jogadores e técnicos eram acessíveis. Era jornalismo de verdade. Você criava suas fontes e conseguia material exclusivo, algo que quase não se vê mais hoje em dia. Mas também era tudo muito esculhambado. No rádio você entrevistava jogador embaixo do chuveiro, os jogadores não tinham privacidade. Neste aspecto as assessorias organizaram melhor, mas exageraram na dose. Hoje as assessorias de imprensa são responsáveis pelo distanciamento da imprensa com os clubes e consequentemente dos clubes com a torcida. O repórter fazia diversas entrevistas por dia. Atualmente faz apenas uma ou duas perguntas numa coletiva, o material de todos é igual. Pasteurizou demais a informação esportiva. Hoje é tudo muito fechado, não pode ver treino, não pode entrevistar quem você quer. O futebol ficou mais chato e sisudo. As assessorias erraram na dose. Era necessário organizar, mas não transformar os clubes em fortalezas inacessíveis. Espero que algum dia os assessores dos clubes se toquem que estão atrapalhando mais do que ajudando o futebol.

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Assef — Fiz coberturas internacionais, mais com a Seleção Brasileira, como Copa América, mas o grande momento de quem gosta de futebol é uma Copa do Mundo. Minha experiência foi inesquecível, pois fui cobrir a Copa dos Estados Unidos, em 1994 e o Brasil foi campeão. É algo difícil de descrever. Era a satisfação do jornalista com o bom trabalho realizado e a do torcedor vendo de perto sua seleção campeã do mundo. Cobri a Copa de 1994 pelo rádio, enviando boletins e pelo jornal, enviando textos por fax, pois a internet ainda dava os primeiros passos naqueles tempos. Então era uma tarefa dobrada, mas foi algo muito gratificante, inesquecível mesmo.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    Assef — As amizades que você faz ao longo da trajetória, seja com os colegas de profissão, seja com as pessoas envolvidas no esporte. Quando era setorista dos clubes, sempre busquei um distanciamento profissional. Você tem que ter a necessária isenção para elogiar e para criticar sem ser cobrado por isso. Outra vantagem da profissão é viajar muito, o que eu sempre gostei. Conheci lugares que, se não fosse o futebol, talvez nunca tivesse ido. Isso no Brasil e no exterior.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Assef — É você não ter vida social. Quantas vezes perdi festas de amigos ou da família porque tinha um jogo para cobrir ou uma viagem para fazer. Grupos de amigos, muitas vezes, marcavam encontros de acordo com a tabela do campeonato em andamento para saber se eu poderia ir ou não. Mas com o tempo a gente se acostuma, mas seus amigos e parentes ficam privados da sua companhia, muitas vezes.

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Assef —
    Primeiro que você tem contato mais direto com a torcida. Tem muita gente do jornalismo esportivo que abandonou algumas das redes sociais por causa das cobranças e do comportamento grosseiro e agressivo de muitos torcedores. Por um lado o torcedor hoje é muito bem informado. Se você não se preparar direito, muitas vezes o público que você deveria informar, acaba sendo mais bem informado do que você. É preciso apurar ainda mais uma informação e especialmente no caso do rádio – agora também com transmissões com imagem nas redes sociais – a fase do ‘eu acho’ morreu. Tudo que você informar deve ser com a maior certeza possível. Quem não está bem informado no jornalismo esportivo atualmente, acabará expurgado do meio mais cedo ou mais tarde.

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Assef —
    Desde antes da internet e das redes sociais. No rádio, quando você cobria um clube e ia fazer jogo no estádio do adversário, tinha gente que ficava te seguindo pelo alambrado o jogo todo, te xingando e te hostilizando. Trabalhei por 11 anos na Tribuna do Paraná e já foi hostilizado por carta de leitor, antes de surgir a internet. Hoje em dia, então, é quase uma rotina diária. Alguém ter opinião diferente da sua é normal, mas partir para a grosseria e a falta de educação não dá para tolerar.

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    Assef —
    Eu me preocupo muito com o futuro do rádio esportivo. As equipes de transmissão de jogos estão desaparecendo. O anunciante abandonou o rádio e não tem noção do poder que este veículo tem, como força para a divulgação do seu produto. É comunicação direta, barata e com retorno imediato. Pode ser que seja uma evolução natural do futebol atual e do domínio que a televisão tem das transmissões, mas amo o rádio e me preocupo com o seu futuro. Hoje a TV faz o tipo de transmissão que o rádio fazia antes, cobrindo desde a chegada dos clubes no estádio e fazendo as entrevistas pós-jogo, mas a emoção da transmissão de jogos pelo rádio é insuperável. Quero deixar registrado aqui meu amor pelo rádio, meu apoio aos colegas que resistem no dia-a-dia das transmissões esportivas e que a transmissão esportiva, o futebol pelo rádio, nunca deixe de existir, por mais mudanças que possam surgir ainda.

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
    Melhor jogador do mundo na história: Essa é fácil: Pelé. Insuperável. O Pepe, que foi companheiro dele no Santos, diz que ele é de outro planeta. Acho que ele tem razão.
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo. Estamos falando dentro de campo.

    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Vou falar dos que eu vi, pois falam de Fedato, Miltinho, Jackson, Caju e outros, mas esses eu não vi. Sicupira, Cláudio Marques e Zé Roberto.

    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson (Coritiba), Dagoberto (Londrina) e Pablo (Atlético)
    Melhor técnico do mundo na história: Por sua história na seleção vou destacar o Zagallo.
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Pep Guardiola. Depois da Copa de 2014 queriam que ele fosse técnico da seleção brasileira, mas os técnicos brasileiros se fecharam e a CBF desistiu.
    Maior time da história do futebol: o Brasil da Copa de 1982.
    Maior time da história do futebol paranaense: Difícil citar só um. O Coritiba hexacampeão nos anos 70; o Atlético de 1982, com Washington e Assis e o Paraná do começo dos anos 90, com Régis, Adoilson, Saulo, etc.
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: Era pequeno na Copa de 70, mas vi o videotape completo depois: Brasil e Itália, final da Copa de 1970.

    Clubes do coração: Quem me conhece sabe qual é, mas prefiro não falar publicamente.
    Ídolos fora do esporte: Milton Nascimento, Nelson Mandela.
    Esportes que já praticou: Sempre fui um mau jogador de futebol, apesar de insistir em jogar. No handebol fui campeão na escola com 12, 13 anos.
    Hobbies: Cinema, música, em especial música popular brasileira.
    Locais preferidos em Curitiba: Nossos parques são todos ótimos. Estar com os amigos, batendo um papo. Isto pode ser em qualquer lugar.

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Paulo Vinícius Coelho, pelo seu conhecimento; João Saldanha, tinha opinião forte e era versátil; Tostão, foi um craque no campo e é preciso nas análises em seus textos.
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Ayrton Baptista Jr., uma enciclopédia ambulante, muito fera; Fernando César, o melhor narrador que já atuou em Curitiba e Josias Lacour, o melhor repórter esportivo do rádio dos últimos 40 anos.

    Currículo: Marco Antonio Assef Bruginski, o Marco Assef, nasceu em Curitiba em 18 de fevereiro de 1966, tem 52 anos. Estudou no Colégio Lins de Vasconcellos, em Curitiba; no Colégio Santo Antônio, em Blumenau (SC) e Colégio Dom Bosco, de Curitiba. Ingressou no curso de jornalismo da Universidade Federal do Paraná aos 16 anos e se formou aos 20 anos. 

    Começou a trabalhar no jornalismo aos 18 anos. Atuou em rádios (Independência, Cidade, Paraná, Paraná Educativa, CBN, Cultura, 91 Rock, etc.), jornais (O Estado e Tribuna do Paraná; Gazeta do Povo; Diário Popular; Folha de Londrina; Jornal do Ônibus, Diário Indústria & Comércio, etc.) e TVs de Curitiba (RIC, Band, Rede Massa), na área esportiva e em outras editorias, fez trabalhos freelance para a Revista Placar, Jornal O Estado de São Paulo e para o Sportv. Também atuou em assessorias de imprensa no esporte (Coritiba, Clube Curitibano) e fora dele (Polícia Militar do Paraná). 

    Foi premiado como melhor repórter esportivo de jornal em 1991, 1993 e 1994 no Troféu Plumas e Paetês, da jornalista Sonia Nassar; Destaque da Imprensa – Melhores do Ano 1997 pelo Jornal do Estado; melhor repórter de rádio em 1994 no Troféu Plumas e Paetês; Destaque esportivo 2014 e 2016 pela Federação Paranaense de Motociclismo. 

    É divorciado, tem um filho, João Gabriel, de 19 anos, atualmente trabalha em sua própria empresa de assessoria de imprensa, executando textos para publicações de ‘house organ’ e textos para livros. Apresentou até setembro um programa na Rádio Cultura de entrevistas sobre esporte e cultura.

  • A explosiva mistura de futebol com política

    A explosiva mistura de futebol com política
    Jogadores do Atlético com a polêmica camisa, no sábado (Foto: Geraldo Bubniak)

    A Fifa proíbe que seus filiados façam manifestações políticas durante partidas. Alguns encaram essa medida como uma “ditadura” ou uma tentativa de “despolitizar o futebol”. 

    Não encaro dessa forma. A Fifa, na verdade, só proíbe essas manifestações em jogos e não interfere na vida política ou nas escolhas de cada pessoa, de cada jogador, de cada clube. O objetivo é apenas evitar que o estádio vire um barril de pólvora. 

    Aliás, os estádios já são ambientes propícios para violência e discurso de ódio. Adicionar o elemento político a esse caldeirão seria um motivo a mais para se afastar do futebol. 

    HIERARQUIA
    A relação entre jogadores, técnicos e dirigentes é algo complexo, diferente de corporações normais. A hierarquia no futebol, em alguns casos, é quase militar, com disciplina cega e abusos por parte dos superiores. Há pouca inteligência e ética permeando a relação entre profissionais de futebol. A pressão pelo resultado coloca o pragmatismo acima de tudo. 

    Com basse nisso, é complexo permitir que profissionais e dirigentes do futebol possam usar o espaço dos estádios para manifestações políticas. Honestamente, prefiro que eles se manifestem politicamente da mesma forma que o eleitor comum, ou seja, usando redes sociais, participando de atos públicos e votando.

    JULGAMENTO
    O Atlético pode ser julgado por usar a frase “Vamos todos juntos por amor ao Brasil” na camisa de jogadores e no estádio. Como não há número ou nome de um candidato, creio que a punição seria um exagero. Além disso, não há provoção ou acusação contra algum outro político. É claro que, juntando todos as informações relativas ao episódio, fica evidente que era uma campanha velada a Bolsonaro. Por ter sido velada, a campanha não provocou incidentes no estádio. E essa é uma questão a ser considerada no julgamento. 

    PAULO ANDRÉ
    A atitude de Paulo André, de não vestir a camisa, é outro ponto que pode evitar uma punição ao Atlético. Afinal, isso pode caracterizar que os jogadores não foram obrigados ou pressionados a participar da manifestação. Eu usei o verbo “pode”. Na verdade, não sei o que ocorreu lá dentro do Atlético e como surgiu a ideia da camisa.

    PETRAGLIA E BOLSONARO
    Em redes sociais, Petraglia declarou apoio a Bolsonaro. Curiosamente, o candidato do PSL não incluiu o esporte ou o futebol nas suas propostas. Já o maior rival dele, Fernando Haddad, apresentou projetos para o esporte olímpico e também para o futebol, como a criação de um Programa de Modernização da Gestão do Futebol. Com isso, não estou dizendo que Petraglia deveria apoiar o candidato do PT. É apenas uma curiosidade.

    TEMPLOS SAGRADOS
    A política permeia tudo. E, em uma democracia, todos são obrigados a participar do debate político. O poder deve ser diluído entre toda a população. Quanto mais politizado o cidadão, mais forte a democracia. 

    Nessa luta diária pela politização devemos ter alguns “templos sagrados”. Ter alguns lugares, momentos, espaços e grupos alheios à política. É preciso descansar a cabeça por um tempo e apenas relaxar, se entregar ao entretenimento. 

    Vejo os estádios como candidatos a “templos sagrados”, espaços apenas para diversão, para relaxar, para descansar por alguns momentos. Espero que eles recuperem essa característica e que a política seja reservada para outros espaços. 

  • A epopeia de Juliana Fontes no jornalismo esportivo

    A epopeia de Juliana Fontes no jornalismo esportivo
    Juliana Fontes entrevista o ex-goleiro Marcos (Foto: Jonathan Campos)

    Juliana Fontes vive seu primeiro ano no jornalismo diário. Para os desavisados, é mais uma “foca”.

    Mas não é verdade. Juliana viveu uma epopeia até chegar à Redação da Tribuna do Paraná. 

    Na luta diária pela informação precisa, Juliana já provou que não é inexperiente como uma “foca” — termo usado para rotular os jornalistas iniciantes. 

    Com criatividade para reportagens inéditas, a jornalista mostrou qualidade única e ganhou seu legítimo espaço na série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, do Bem Paraná. 

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportiva? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Juliana Fontes —
    Desde criança frequento estádios de futebol. Herdei esse amor pelo esporte do meu pai. Eu costumava acompanhá-lo nos jogos e também no final dos domingos, assistir aos programas no estilo “mesa redonda”, mesmo pequena. Meu pai tinha uma loja de materiais de construção e lembro que em cima do balcão sempre tinha uma Tribuna. Ele fazia questão de comprar o jornal diariamente. Quando tinha uns 11 anos decidi que seria jornalista para trabalhar com futebol. Lembro que alguns dias antes de prestar o vestibular, um amigo do meu pai me perguntou se eu seria jornalista para aparecer na TV e eu falei que não, que meu sonho seria escrever em um jornal. E hoje estou realizando este sonho, escrevendo na Tribuna do Paraná, mas até chegar até aqui muita coisa aconteceu. Muita mesmo, e se fosse contar renderia um livro. 

    Entrelinhas —  E como começou essa aventura?
    Ju Fontes —
    Chegar até a faculdade de Jornalismo não foi assim tão simples. Quando consegui, fazia dois cursos ao mesmo tempo: Letras Português/Espanhol à noite e Jornalismo pela manhã e ainda fazia estágio na parte da tarde. Eu tinha bolsa de estudos e prezava muito tirar boas notas, então vivia cansada, dormia até na biblioteca da PUCPR. Tive meu primeiro contato no esporte quando depois de um curso de jornalismo esportivo o narrador Nelinton Rosenau achou que eu me destaquei e me chamou para estagiar na extinta Rádio Clube AM. Eu ainda estava no primeiro ano do curso, então não tinha muita ideia do que estava fazendo, mas lá já conheci grandes nomes do esporte, alguns que tenho contato até hoje como o Jairo Silva e o Jairo Júnior, da Transamérica. No meio de toda essa loucura de fazer tantas coisas descobri que estava grávida. Meu namorado, hoje meu marido – que conheci por causa do futebol -, sempre me deu todo apoio necessário e me incentivou, mas foi bem complicado terminar a faculdade, fazer o TCC com um bebê pequeno. Deixei um pouco de lado meu sonho e fui viver a vida real. Estava no último ano do curso de jornalismo quando um professor falou que via toda minha dedicação e me ofereceu um estágio em uma grande empresa, na área de comunicação corporativa. Não era a área que desejava, mas agarrei a oportunidade. Cresci nessa empresa, fiz uma Pós Graduação na área, mas sempre com o sentimento de que o esporte estava em mim. 

    Entrelinhas — E nessa época você começou a trabalhar em uma TV, não foi?
    Ju Fontes —
    Nessa época um conhecido me convidou para ir a um programa, na TV Transamérica, pois era Dia Internacional da Mulher e eles queriam fazer um programa com mulheres comentando a rodada do Campeonato Paranaense. O apresentador era o Dorival Chrispim, hoje também da Transamérica, que diante de todas as meninas que estavam ali naquele dia me convidou a continuar indo ao programa pra comentar. Como tinha o meu trabalho e minhas rotinas, ia ao programa para fazer comentários quando podia, mas foi ali que eu reacendi minha vontade de tentar ingressar no jornalismo esportivo. Então passei a escrever em alguns sites menores sobre futebol, até que tempos depois, devido aos meus textos, o Sérgio Tavares, doGloboesporte.com, me convidou para ser blogueira no portal. Um ano depois, o Osmar Antônio me chamou para integrar um novo formato de programa de esportes que seria lançado na CNT. Me senti super insegura, pois dividiria a bancada com pessoas muito experientes, mas fui. Nunca me faltou coragem, mesmo quando “quebrei a cara”. Tomo as experiências negativas como aprendizado. Cerca de um ano e meio depois o programa mudou seu formato e deixei a TV, mas passei a escrever no site Redação em Campo. É importante ressaltar que todos esses trabalhos no esporte foram meu “plano B”, que eu executava em meio à minha rotina normal de trabalho, que realmente me remunerava, na área de Comunicação Empresarial. Por cinco anos tive minha própria agência e prestava trabalhos de Assessoria de Imprensa, Gestão de Redes Sociais e Comunicação Corporativa, mas sempre soube que, uma hora ou outra, o esporte se tornaria meu “plano A”. Também fiz alguns freelas nesse meio tempo para me manter no esporte, como cobrir os Jogos Escolares do Paraná e, pela TVCI, de Paranaguá, o Rio Branco. No final de 2017, quando soube que abriu uma vaga na equipe de esportes da Tribuna do Paraná, me empolguei com a possibilidade de trabalhar em um veículo tão tradicional do nosso Estado e tenho que agradecer ao Cristian Toledo por ter acreditado no meu potencial e te me dado essa oportunidade em meio a tantos candidatos. E agradeço à equipe de esportes que me recebeu de forma incrível e ajuda a me superar a cada dia. Ah, e meu filho agora está com 10 anos, com muita saúde, mas apesar da influência do pai e da mãe que amam assistir/jogar/viver o futebol, ele não curte em nada o esporte. Prefere Fórmula 1 e lutas (é faixa amarela em karatê). 

    Entrelinhas — Mesmo há pouco tempo no jornalismo diário você já conseguiu publicar reportagens bem interessantes, como aquela com a Gretchen. Qual a sua matéria favorita?
    Ju Fontes —
    Apesar de ter percorrido um caminho repleto de experiências no jornalismo esportivo, este é o meu primeiro ano no jornalismo diário. O imediatismo, às vezes, é desafiador, mas tento sempre buscar ângulos diferentes que envolvam o futebol. Em meio à pressa de noticiar sobre o dia a dia dos clubes, os jogos, as contratações ou os treinos, procuro encontrar histórias que ainda não foram contadas. Claro, muitas vezes isso surge em uma conversa com a equipe, que aliás, é repleta de gente competente e comprometida com o que faz, mas algumas vezes coloco meu olhar para encontrar o “incomum”. Foram diversas matérias especiais que fiz até aqui, e tenho carinho por todas, mas esta da Gretchen foi totalmente inusitada. Foi curioso que nem mesmo os moradores de Paranaguá sabiam exatamente como a “musa do bumbum” foi parar vestindo a camisa do Leão da Estradinha. Eu conversei com muita gente mesmo até descobrir a história, mas a “saga” valeu a pena e repercutiu até fora do Paraná. (Clique aqui para ler essa reportagem, no site da Tribuna). A matéria favorita que fiz até aqui foi sobre os torcedores do Trio de Ferro com Síndrome de Down. A pauta surgiu porque estava na cobertura do jogo entre Paraná Clube e Atlético, pelo Paranaense, e vi o Danilo ali na social, perto da área da imprensa. Eu já tinha visto esse torcedor paranista outras vezes ali, ele não perde um jogo sequer, e na hora me lembrei de um vídeo com um pequeno torcedor do Atlético, o Henrique, com síndrome de Down, fã do Lucho González. Aí veio a ideia de entrevista-los. Por coincidência, faltavam duas semanas para o Dia Nacional de Conscientização sobre a Síndrome de Down. Falei com uma conhecida, torcedora do Coritiba, e logo soube da existência do Vinícius, que não perdia um jogo do Coxa e gostava de ficar no meio da torcida organizada. Marquei para conhecê-los e tive uma lição de vida. Saí da entrevista emocionada. Além da matéria especial, que foi capa do jornal, escrevi um outro texto sobre a minha experiência com eles. Recebi um carinho enorme do público, foram quase 100 mensagens de agradecimento pelo material. 

    Entrelinhas — Como é o desafio de trabalhar diariamente na Tribuna do Paraná, que tem essa proposta de uma linguagem direta para um torcedor vibrante, apaixonado? 
    Ju Fontes —
    É um veículo muito tradicional, mas que também se modernizou. Existe essa pegada da linguagem “Tribuna de ser”, mas não abrimos mão de tentar o novo de vez em quando. É preciso sempre lembrar que temos os leitores do impresso, que aguardam diariamente a publicação nas bancas, e também, os do site, ávidos por informações rápidas. Precisamos ter um meio termo para isso, mas nunca deixando de lado o fato de todos serem nossos leitores porque são torcedores apaixonados, que sempre esperam o texto da Tribuna para afirmar – ou contestar – sua opinião. Meu vizinho mesmo, um senhor de 70 anos, me para quase todos os dias para me contar: “olha, li na Tribuna...”, ressaltando a importância do veículo na formação da opinião dos leitores. 

    Entrelinhas — Todo jornalista esportivo foi torcedor. Essa ligação com um clube de futebol interfere no trabalho jornalístico? 
    Ju Fontes — Gostaria que todos os torcedores entendessem que qualquer jornalista esportivo chegou até a área porque, em primeiro lugar, ama o futebol. É lógico que cada um tem um time, mas o profissionalismo faz com que todos saibam separar isso muito bem. Eu amo estar nos “bastidores” do Trio de Ferro, respeito todas as equipes. Para mim não interfere o fato de eu ter um time, principalmente porque eu prezo muito pelo meu trabalho e quero que as pessoas reconheçam minha trajetória. Nunca vou colocar em dúvida meus princípios. 

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Ju Fontes — Sem dúvida o atual. Estou tendo a oportunidade de aprender muito, conhecer pessoas incríveis e entrevistar personagens que eu sempre considerei mitos do futebol paranaense. 

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportiva?
    Ju Fontes — Um dia, quando era criança, falei para meu pai: nossa, a melhor profissão que existe é ser jogador de futebol. O cara está jogando bola e ainda ganha dinheiro para isso. Ele riu disso, mas concordou. Para quem ama futebol e trabalha na área, a conversa é mais ou menos a mesma. De certa forma, a gente trabalha com algo que, no fundo, também é nosso hobby. Porém é bem importante destacar que nos dois casos existe não só o bônus, como eu achava quando era pequena, mas também o ônus. 

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Ju Fontes — O jornalista esportivo é um profissional que está, de certa forma, em evidência. Se algum outro profissional dentro de seu contexto, comente um erro, a impressão que temos é que aquilo ficará em um ambiente restrito. Nós temos uma visibilidade que, a qualquer passo em falso, somos apontados, crucificados. A pressão pelo imediatismo, pela notícia em tempo real é enorme. É difícil precisar estar 24h ligado em tudo, correndo o risco de perder alguma novidade do mundo esportivo. Trabalhar aos finais de semana, enquanto sua família está descansando, passeando, se divertindo, também não é tarefa das mais tranquilas. Mas conseguimos sobreviver a isso! Vale a pena! 

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Ju Fontes — Sem dúvidas. Além de facilitar a aproximação com torcedores, simplificou o contato direto com jogadores e profissionais do meio esportivo. Antes o que exigia uma ligação ou uma entrevista presencial, pode ser resolvido em uma mensagem pelas redes sociais. Lógico, existem situações e situações. Em alguns casos nada substituirá uma conversa “olhos nos olhos”, mas para assuntos cotidianos, as redes sociais nos ajudam e muito. 

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Ju Fontes — Quando escrevia no Globoesporte.com fiz uma crítica que não foi muito bem entendida por torcedores do Paraná Clube e isso me rendeu muitos xingamentos. Aceito críticas, mas alguns comentários se excederam. As pessoas não imaginam o que palavras duras podem causar. Fiquei muito mal por ler algumas coisas e na época saí das redes sociais, até porque aquele tinha sido apenas um texto entre centenas de outros que já tinha feito e não achei justa a reação. Depois de um tempo fui digerindo o episódio e consegui me tornar quase que “imune” a esse tipo de coisa. As críticas dos haters hoje não me afetam. 

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder? 
    Ju Fontes — Acho que seria relevante falar sobre o espaço da mulher no mundo do futebol. Fico muito feliz em ver tantas colegas na área. Vejo que o mercado está muito mais aberto às mulheres do que era há alguns anos, mas claro, ainda há muito que evoluir. Até um tempo atrás o papel da mulher era aquele da “bonitinha” que estava ali apenas para ler informações e hoje vejo um protagonismo. Aos poucos estamos ganhando vez e voz. 

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
    Melhor jogador do mundo na história: Pelé, mas quero fazer uma menção à Garrincha, que se não tivesse tido problemas sérios com o alcoolismo poderia ter sido o maior 
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Saulo, Régis (vi ambos jogarem) e Sicupira (por tudo que já pesquisei e vi em arquivos)
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson, Richard e Pablo. 
    Melhor técnico do mundo na história: Guardiola, mas faço menção à Zagallo por sua história na Seleção Brasileira.
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Zidane. 
    Maior time da história do futebol: Seleção Brasileira de 1958 (não vi, mas sou apaixonada pelos registros e histórias dessa seleção)
    Maior time da história do futebol paranaense: Atlético de 2001. 
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: Brasil x Holanda, na Copa de 1994. Branco fez aquele gol icônico, a conhecida “bomba”, em que Romário se retorceu todo para deixar a bola passar.
    Clubes do coração: Quem sabe, sabe. Quem não sabe, não saberá mais.

    Ídolos fora do esporte: Não chegam a ser ídolos, mas como sou formada em Letras, amo Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade. 
    Esportes que já praticou: Já treinei futsal em um clube da capital, mas desisti de seguir adiante por saber que o futebol feminino não dá muitas possibilidades às atletas. 
    Hobbies: Jogar bola, viajar, ir aos parques de Curitiba com minha família.
    Locais preferidos em Curitiba: Todos os parques da cidade, mas adoro conhecer lugares novos. Tento sempre desbravar Curitiba, conhecendo um cantinho novo a cada semana. Penso em fazer um blog ou perfil sobre isso, mas já existem tantos...aí desanimo

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Fernanda Gentil, Clayton Conservani e Renato Peters
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Cristian Toledo, Nadja Mauad e Leonardo Mendes Júnior. Destaco também todo o conhecimento histórico do Lycio Vellozo Ribas. 

    Currículo: Sou formada em Letras Português/Espanhol pela PUCPR e em Jornalismo pela Universidade Positivo. Cursei três períodos de Ciências Sociais na UFPR, mas desisti do curso por achar extremamente teórico. Tenho especialização em Comunicação Empresarial e Institucional pela UTFPR. Na área de Comunicação Corporativa, trabalhei no Grupo Positivo, na Página 1 Comunicação e fui sócia-fundadora da agência Éffe2 Comunicação, onde atuei por 5 anos. Fui professora de Português e Literatura em diversas escolas públicas e particulares e, também, em um curso preparatório para o Enem. No jornalismo esportivo atuei na TV Transamérica, no portal Paranautas, no Globoesporte.com como blogueira, na TV CNT, no site redacaoemcampo, na TVCI, de Paranaguá, e agora, no jornal Tribuna do Paraná. 

  • Jogadores de Atlético, Coritiba e Paraná Clube na Liga Europa

    Jogadores de Atlético, Coritiba e Paraná Clube na Liga Europa
    Matheus Cunha (à esquerda) disputa lance com jogador do Rosenborg (Foto: Divulgação/Dierotenbullen.com)

    A quinta-feira (dia 4) teve a segunda rodada da fase de grupos da Liga Europa. O blog Entrelinhas do Jogo traz um breve resumo do desempenho de jogadores que passaram por Atlético Paranaense, Coritiba e Paraná Clube nas partidas dessa rodada. 

    O principal destaque foi o atacante Matheus Cunha, 19 anos, que marcou gol e acertou uma na trave na vitória do Leipzig por 3 a 1 sobre o Rosenborg, na Noruega. O jogador foi revelado na base do Coritiba, mas aqui nunca jogou pelo profissional. 

    O clube alemão pagou cerca de R$ 65 milhões pelo jogador ao Sion, da Suíça. Não há informações detalhadas sobre a participação do Coxa nessa transferência.

    Matheus Costa já tem três gols e uma assistência pelo Leipzig na temporada 2018/19.

    LÉO MATTOS
    O lateral-direito Léo Matos, 32 anos, foi titular e boa atuação na vitória por 4x1 do PAOK, da Grécia, sobre o Bate Borisov, da Bielorússia. Léo Matos defendeu o Paraná Clube na Libertadores de 2007.

    OTÁVIO
    O volante Otávio, 24 anos, foi titular na derrota em casa do Bordeaux por 2 a 1 para o Copenhagen, da Dinamarca. O jogador, revelado pelo Atlético-PR, terminou a temporada passada em baixa, devido a problemas disciplinares no clube francês. Agora, voltou a ser titular e vem sendo peça importante no esquema do técnico Eric Bédouet. 

    WENDELL
    O lateral-esquerdo Wendell, 25 anos, ex-Paraná e Londrina, foi titular do Bayer Leverkusen na vitória por 4 a 2 sobre o AEK Lanarca, do Chipre.

    VAGNER
    O goleiro Vagner, 32 anos, revelado pelo Atlético-PR, foi titular do Qarabag (Azerbaijão) na derrota por 3 a 0 para o Arsenal. Ele ficou no Atlético até 2008 e foi pouco aproveitado no profissional. Chegou a disputar duas partidas em 2007, ambas pelo time B, no Paranaense daquele ano. 

    NATANAEL E SIDCLEY 
    O lateral-esquerdo Sidcley, ex-Atlético-PR, ficou no banco do Dynamo Kiev, Ucrânia, no empate por 2 a 2 com o Jablonec, da República Tcheca. Ele só fez duas partidas desde que chegou ao clube ucraniano. O titular da lateral-esquerdo é o croata Josip Pivaric, que disputou a última Copa do Mundo. 

    O lateral-esquerdo Natanael, outro ex-Atlético-PR, foi titular do Ludogorets, da Bulgária, na derrota por 1 a 0 na Suíça, para o FC Zurich. 

    HERNANI
    O volante/meia Hernani, 24 anos, vinha atuando como titular no Zenit, da Rússia, mas não ficou nem no banco na partida dessa quinta-feira – vitória por 1 a 0 sobre o Slavia Praga, da República Tcheca. Não encontrei informações confiáveis sobre a escalação, mas é possível que o jogador, ex-Atlético-PR, esteja se recuperando de lesão.

  • A série Craques da Imprensa apresenta a visão tática de Guilherme de Paula

    A série Craques da Imprensa apresenta a visão tática de Guilherme de Paula
    Guilherme de Paula (Foto: Arquivo pessoal/Guilherme de Paula)

    Guilherme de Paula nunca precisou da voz para se destacar no rádio ou na TV. Desde os primeiros passos na rádio Educativa, chamou a atenção pelo profundo conhecimento do futebol moderno e da história do esporte.

    Quem tenta acompanhar as evoluções táticas, sabe que o jogo está cada vez mais dinâmico, mais complexo, mais difícil de decifrar. E Guilherme nunca ficou para trás nessa corrida pelo conhecimento.

    Nessa entrevista para a série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, o jornalista Guilherme de Paula fala sobre sua carreira e sobre o futebol paranaense. 

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Guilherme de Paula
    — O jornalismo esportivo foi muito mais um atalho para me deixar próximo do futebol, que sempre foi a maior paixão nesta relação. O início foi meio por acaso, em dezembro de 2000 fui acompanhar meu amigo Henry Xavier na rádio Educativa e acabei iniciando ali como rádio escuta. 

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Guilherme
    — A cobertura das três finais consecutivas de Copa do Brasil com os times paranaenses (2011-2013) foram muito marcantes. Em jogos assim tudo é diferente, desde a preparação até o momento da transmissão. O protagonismo não é algo comum para o nosso futebol e esse período trouxe experiências incríveis para mim. Jamais vou esquecer. Também considero momento atual da minha carreia bem especial, comentar futebol sempre foi um desejo e faço isso todos os dias e ainda posso contribuir com a produção dos programas da Transamérica e da Rede Massa. 

    Entrelinhas — Suas análises táticas no rádio e no blog impressionam pela qualidade. Você fez cursos nessa área?
    Guilherme
    — Obrigado pelos elogios. A medida que eu buscava conhecimento sobre jogo, ficava cada vez mais claro que eu conhecia pouco. O jogo é muito complexo e me despertou a necessidade de fugir do entendimento empírico para tentar basear as análises em conceitos e nesta busca conheci a Universidade do Futebol que foi minha base e ainda é para os estudos. Lá fiz cursos de análise de desempenho e gestão técnica. Além disso, a literatura – principalmente internacional, esse mercado ainda engatinha no Brasil - também transformou minhas ideias sobre futebol. 

    Entrelinhas — A parte tática mudou radicalmente nas últimas décadas e, a cada semana, surge alguma novidade. O desafio é se manter atualizado. Como você consegue sempre estar atualizado dentro desse universo? E que dicas você pode dar para quem pretende seguir esse caminho de comentarista esportivo?
    Guilherme
    — Hoje o acesso à informação deixou tudo mais fácil. O universo de conteúdo é vasto e é possível acompanhar visões diversas sobre o jogo. Um outro caminho obrigatório para atualização é tentar assistir o máximo de jogos e possível de estilos e culturas diferentes. Outro caminho é apreender com quem está diretamente envolvido no processo de construção das equipes, técnicos, auxiliares, analistas, jogadores... todos são ótimas fontes para entendimento do jogo e também da realidade do “vestiário”, algo que só quem participa diretamente pode te passar. O caminho que eu indico é o conhecimento, ele é muito poderoso e é o atalho para a transformação. 

    Entrelinhas — Acompanho a sua carreira desde o início e nunca vi você irritado ou nervoso. E isso é raro, principalmente no rádio, que provoca debates mais intensos. Você nunca ficou irritado com ninguém? Nenhum colega de profissão, técnico, dirigente, jogador ou árbitro?
    Guilherme
    — O que eu tento fazer é nunca levar as discussões para o lado pessoal. Isso me ajuda a ficar mais calmo nos momentos mais intensos (nem sempre haha). Mas, mesmo assim já tive discussões feias, principalmente nos programas de debate nas rádios que trabalhei, mas tudo superado por que sempre a conversa passou pelas ideias e nunca pelo lado pessoal.  

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    Guilherme
    — É trabalhar com aquilo que gosta, faz toda diferença.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Guilherme
    — A convivência com a intolerância. Há pouco respeito com as diferenças de pensamento. Além disso, os clubes não entendem qual é exatamente o papel da impressa e a confusão de conceitos torna a relação difícil. 

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Guilherme
    — Transformou principalmente na aproximação com quem consome o conteúdo. O feedback é mais rápido e intenso também. As redes sociais deram a possibilidade para que a formação de opinião não fique restrita ao lado de ‘cá’. 

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Guilherme
    — Nada muito forte. Dentro de um limite tento responder e se vira ofensa silencio, mas é mais um elemento da profissão e das redes sociais. 

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    Guilherme
    — Um dos debates mais frequentes sobre o jornalismo esportivo é a linguagem e as suas mudanças ao longo do tempo. O confronto entre ‘boleirês’ x ‘tatiquês' é um falso debate. Existe exagero das duas partes e o mais importante não é o termo utilizado e sim o domínio dos conceitos para alcançar uma análise mais profunda sobre o jogo. Falar em “amplitude”, “último terço” não significa entendimento de futebol, assim como o uso da linguagem do vestiário também não garante nada. Tem espaço pra todo mundo. 


    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS

    Melhor jogador do mundo na história: Pelé 
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Messi 
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Alex Mineiro, Alex e Ricardinho (que eu vi)
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson, Richard e Jonathan. 
    Melhor técnico do mundo na história: Guardiola 
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Guardiola 
    Maior time da história do futebol: Barcelona 2010-2011
    Maior time da história do futebol paranaense: Atlético 2004 e Coritiba 2011 (que eu vi). Não são os mais importantes historicamente. 
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: Barcelona 5 x 0 Real Madrid 2010 (maior exibição de um time)

    Clubes do coração: Não revelo por causa da intolerância e por não ser uma informação relevante. 
    Esportes que já praticou: Muito futebol e pouco de vôlei. 
    Hobbies: Ficar com meu filho e minha mulher. Ah, e ver futebol. 
    Locais preferidos em Curitiba: Espetaria do Simprão e Feira livre da Alberto Bollengger. 

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: André Kfouri, Paulo Calçade e André Rizek. 
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Marcelo Ortiz, Carneiro Neto e Leonardo Mendes Junior. 

    Currículo: Nasci em São Carlos, no interior de São Paulo. Estou em Curitiba desde 1991. Estudei no Flávio Ferreira da Luz, Paula Gomes, Rio Branco e Paula Gomes de novo. Me formei em jornalismo em 2007 na Tuiuti. Desde 2000 trabalhei na Rádio Educativa, Rádio Paraná, Rádio Colombo, Rádio Independência, Rádio Banda B, Rádio 98, CNT e estou na Rede Massa desde 2014 e na Transamérica desde 2015. 

  • 'Raça' e 'garra' nunca foram os problemas do Coritiba em 2018

    'Raça' e 'garra' nunca foram os problemas do Coritiba em 2018
    Vitor Carvalho comemora gol contra o Avaí (Foto: Geraldo Bubniak)

    A mitologia do futebol brasileiro leva uma parte da torcida a acreditar que “raça”, “garra” e “sangue nos olhos” sempre são os elementos essenciais para o sucesso de uma equipe. De fato, são ingredientes que fazem parte do jogo, mas nem sempre explicam o fracasso. 

    É o caso do Coritiba em 2018. Em nenhum momento faltou esse espírito de luta por parte dos jogadores. 

    É verdade que, em alguns momentos, a apatia tomou conta da equipe. Mesmo assim, acredito que a melhor explicação para esse fenônemo é a falta de confiança e as doses elevadas de nervosismo e de ansiedade. 

    O grande problema do Coritiba na Série B de 2018 sempre foi a falta de organização dentro de campo e de uma proposta de jogo adequada às características dos atletas. 

    NA BASE DA PORRADA
    Alguns números que ajudam a compreender essa situação. Com o técnico Eduardo Baptista, o Coritiba chegou a ser o líder da Série B em faltas cometidas, com média de 20,5 por jogo, e o segundo time com mais cartões amarelos. Ou seja, não faltava “raça”. 

    Sem Eduardo Baptista, o Coritiba tem tentado “brigar” menos e jogar mais. O time agora é o sexto no ranking de cartões amarelos e apenas o 14º em faltas cometidas (15,8 por jogo). Os dados são do Footstats.

    ORGANIZAÇÃO
    Contra o Avaí, o Coritiba não fez uma partida de alto nível. É até arriscado afirmar que “jogou bem”, porque isso pode criar algumas ilusões. Mesmo assim, foi uma das cinco melhores performances do Coxa em 2018. E talvez a melhor no quesito organização.

    Argel não veio ao Coritiba somente para “domar o vestiário” ou mexer com os brios dos jogadores. Ele não é apenas um motivador, como o blog Entrelinhas do Jogo há havia analisado.

    O DESAFIO
    O desempenho atual do Coritiba é animador, mas não chega a empolgar. Argel ainda tem uma montanha para escalar. E alguns números retratam a fragilidade da equipe. No aspecto defensivo, os problemas são de fácil solução. O grande desafio é a falta de poder de fogo do time.

    O Coxa ainda é apenas o sétimo da Série B no total de finalizações (11,8 por jogo) e o 15º em finalizações certas (3,9). São números bizarros para um elenco com o orçamento desse nível. Para piorar, o time alviverde é o 16º em precisão de passes, com 87,3%. 

  • Atlético começa a ficar com cara de campeão

    Atlético começa a ficar com cara de campeão
    Torcedor do Atlético na Arena da Baixada (Foto: Geraldo Bubniak)

    O Atlético Paranaense de Tiago Nunes começa a ficar com cara de campeão. O futebol apresentado dentro de campo — e a tradicional estabilidade extracampo do CT do Caju — colocam o time como um dos favoritos ao título da Copa Sul-Americana 2018. Veja alguns argumentos a favor dessa ideia.

    ESTILO DE JOGO
    A história recente do futebol mostra que, para ganhar torneios de mata-mata, é preciso ter forte defesa e contra-ataque letal. As competições eliminatórias proporcionam jogos diferentes, com mais disputa física e uma guerra psicológica dentro de campo. Não é preciso dominar o adversário para avançar de fase ou vencer uma final, apenas errar o mínimo possível. Por isso, a solidez defensiva e velocidade do contra-ataque ganham tanta importância. 

    Os pontos corridos são dominados por equipes com futebol propositivo, com meio-campo criativo e jogadores técnicos. Os principais exemplos são os esquadrões de Guardiola (Barcelona, Bayern Munich e Manchester City), que atropelaram os rivais nos pontos corridos, mas tiveram dificuldades em certos momentos de mata-mata.

    O Atlético de Tiago Nunes é especialista no estilo "defesa e contra-ataque". Não é apenas uma equipe reativa. Também consegue controlar os jogos em certos momentos. Na parte tática, o Atlético de Nunes tem aquele jeitão de “time copeiro”

    SUPLENTES
    Na história recente, o Atlético sofreu para encontrar 11 titulares decentes. Agora, tem até uma disputa bem interessante em várias vagas. São quatro bons zagueiros para duas vagas. Três excelentes volantes para duas posições. Nas pontas, Tiago Nunes pode escolher entre Cirino, Marcinho, Nikão, Plata e Rony.

    O ponto positivo dessa lista não é apenas ter um substituto imediato em caso de lesões e suspensões, mas sim contar com opções para mudar o jogo ou se adaptar às características do adversário. Ou seja, o técnico do Atlético conta com “cartas na manga” para chegar a esse título.

    VETERANOS
    Times cheios de veteranos costumam fracassar. A exceção foi o Milan de 2007, campeão da Liga dos Campeões. E equipes com muitos novatos também. A exceção foi o Santos de 2002. No geral, quase todas as competições são vencidas por equipes com mescla de veteranos e novatos. Não se trata de uma “boa média de idade”, mas sim de possuir veteranos em posições estratégicas. E o Atlético tem essa dose de experiência ideal. 

    Na defesa, Paulo André (35 anos) comanda a muralha atleticana com inteligência, visão e liderança. Na lateral, Jonathan (32) é outra referência importante. Lucho González (37) organiza o meio-campo e, no extracampo, serve como modelo de dedicação para os novatos. No ataque, o Atlético ainda conta com Pablo, que tem apenas 26 anos, mas se comporta como um veterano dentro de campo, com uma inteligência tática fora do comum.

    CALENDÁRIO
    O grande obstáculo dos clubes brasileiros na Copa Sul-Americana sempre foi o calendário. Outro ponto é o regulamento que prevê o rebaixamento de quatro equipes. Não por acaso os brasileiros usaram e abusaram de times mistos na história da Sul-Americana. Como o Atlético conseguiu abrir vantagem em relação à zona de rebaixamento e tem remotas chances de chegar ao G6, o torneio continental fica em posição privilegiada no calendário da equipe em 2018. 

  • Ayrton Baptista Jr, a enciclopédia ambulante do rádio e do futebol paranaense

    Ayrton Baptista Jr, a enciclopédia ambulante do rádio e do futebol paranaense
    Ayrton Baptista Jr, o Tusquinha (Foto: Arquivo pessoal/Aryton Baptista Jr)

    Ayrton Baptista Jr é uma enciclopédia ambulante. Tem na cabeça e na ponta da língua uma resposta rápida e completa para as perguntas mais difíceis. E não apenas sobre o futebol paranaense. História do rádio, da política, do cinema... É difícil encontrar um tema não dominado por essa fera da CBN. 

    Conhecido no meio esportivo por Tusquinha, brilhou no time do Bem Paraná por um longo período e hoje mantém um blog no Globoesporte.com. Nessa entrevista da série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, ele conta como teve a audácia de misturar humor com futebol, algo perigoso em tempos de ódio e intolerância online.

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?

    Tusquinha — O sonho era o rádio. Aliás, continuo sendo o sonho, que eu vivo diariamente. 

    Meu pai tinha um Philips nove faixas, um modelo com captação de emissoras de outros estados e países. Ainda eram comuns, na década de 70, os rádios com ondas curtas, que permitiam sintonizar em qualquer canto do planeta, por exemplo, a Rádio Clube Paranaense e a BBC de Londres. 

    Eu ouvia de tudo (futebol, jornalismo, música, humor, variedades) e usava um gravador para fazer o meu “programa”. Os amigos eram os ouvintes, que pediam música. Também narrava os jogos de futebol nos campinhos da vizinhança.

    Uma tia minha, Leila, notou o meu fascínio pelo rádio. Ela conhecia a mulher do Eduvaldo Brasil, que era repórter da Rádio Clube Paranaense, e soube que havia uma função, a de rádio-escuta, que era uma espécie de estágio. O escuta acompanhava emissoras de outros estados e ajudava os titulares do plantão esportivo a apurar os resultados das partidas onde a rádio (a Clube, no caso) não estava pressente. O Eduvaldo me apresentou ao Carlos Kleina, que formou com o Oldemar Kramer a maior dupla de plantão esportivo da História Contemporânea.

    Com 16 anos, no dia 25 de janeiro de 1986, comecei a trabalhar na rua Doutor Muricy, auxiliando o Kleina, o Kramer e o Pedro Rogério Gregoski, que era o outro rádio-escuta. 

    O chefe da equipe era o inesquecível narrador Lombardi Junior (“Braços erguidos ao céu, estremece este gigante de concreto armado”), e o coordenador o comentarista Lourival Barão Marques, que também me incentivou bastante.

    Dois anos depois, o Sidnei Campos me chamou para ser plantão esportivo dos jogos de juniores, que eram transmitidos pela Rádio Paraná, que ficava no mesmo prédio.

    Entrelinhas — Você é de uma família de jornalistas. Seus pais fizeram história no jornalismo paranaense. E seu irmão também foi da crônica esportiva. Conte um pouco sobre essa herança.

    Tusquinha — Meus pais trabalharam em um dos jornais mais importantes de Curitiba: o Diário do Paraná, veículo dos Diários e Emissoras Associados, rede criada pelo Assis Chateubriand, o fundador da televisão no Brasil. Meu pai, Ayrton, se especializou em política. Minha mãe, Neri, teve coluna sobre artes plásticas na Gazeta do Povo.

    A maior herança foi o hábito de ler jornais que eu lia jornal diariamente (Diário do Paraná; Gazeta do Povo; e O Estado do Paraná), embora eu tenha me alfabetizado, segundo a minha mãe, lendo a lista telefônica.

    Mas eu era viciado em rádio e televisão. Meu domingo era do rádio do meio-dia até às 8 da noite. Depois, via os gols na tevê. Observava de tudo: do gerador de caracteres ao número de câmeras utilizadas no Futebol Compacto da TV Paranaense (RPC). Um clássico tinha... duas câmeras!

    O meu irmão, Rodrigo Baptista, entrou no jornalismo nos anos 90. O Jornal do Estado (hoje Bem Paraná), onde ele era repórter, precisava de um alguém para fazer o Tabelão, uma seção com as estatísticas de futebol. O Rodrigo me indicou porque, mesmo fora do rádio, continuava anotando números do futebol.

    De cara, fiz amizade com o Roberto José da Silva, o Zé Beto, que fora repórter da revista Placar e era editor de esportes do Jornal do Estado. No início, eu só cuidava do Tabelão. Depois, escrevi até sobre a previsão do tempo: verificava os dados do Simepar e colocava um molho de atualidade em cima: “Nem Taffarel segura a chuva deste domingo”; “Segundo turno tem esquerda, direita e um guarda-chuva”.

    Hoje, colaboro com tiradas com política e cotidiano com o Blog do Zé Beto, sempre fiel ao meu estatuto: “Humor não tem time. Humor não tem partido”.

    Entrelinhas — Quem já trabalhou com você fica impressionado com seus conhecimentos sobre história do Paraná, da música, do futebol e do rádio. Nunca pensou em escrever livros sobre esses assuntos? Ou prefere mesmo continuar nessa vida de “enciclopédia ambulante”?

    Tusquinha — O livro de futebol eu devo há mais um ano ao editor Flávio Costa. O que falta para os meus livros é disciplina de escritor. Os tais 90% de transpiração.

    Sobre cinema, música, teatro, televisão, carnaval e outras artes eu comento, às vezes, informalmente na  CBN ou no Facebook. 

    Me orgulho de ter contado, com a ajuda do radialista Gilberto Fontoura e do ex-atacante Luizinho Antoniassi, que o Breno Mello jogou no Água Verde. Breno foi o ator principal do filme Orfeu Negro (1959), produção francesa feita no Rio de Janeiro, que ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes e Oscar do filme estrangeiro. Ele disputou o Campeonato Paranaense de 1964.
    O Água Verde teve um Oscar!

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?

    Tusquinha — O melhor momento é o de agora: poder adicionar música e literatura na conversa do futebol e perceber que os ouvintes e leitores gostam deste lado pitoresco e curioso.

    Na CBN, onde estou desde 2011, puxado pelo Valmir Gomes, comecei a contar curiosidades antes de um Atletiba, por sugestão do operador de áudio Keller da Silva. O Valmir e o Paulo Cesar Tiemann compraram a ideia, ampliada mais tarde no quadro CBN Futebol Alternativo, ideia do Marcio Miranda.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?

    Tusquinha — Conviver com gente que jogou profissionalmente, como Hidalgo, Sicupira, Cláudio Marques, Serginho Prestes, Caxias, Gilberto César, Picolé, Jairo Silva...

    Estes caras jogaram e acham (veja só!) que eu entendo de futebol.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?

    Tusquinha — No rádio, uma dificuldade é tentar não ser repetitivo mesmo falando em vários horários.

    A outra é o calendário maluco. Na terça, o jogo começa às 7 e 15, na quarta às 9 e meia, domingo tem à tarde e à noite, ou de manhã e à noite. Quarta-feira é um dia em que vivo quinze horas ligado de futebol: produzo o noticiário durante o dia e vejo o jogo à noite. Mas é parte do processo. Quem está na chuva é para se queimar, como diz o Ary Toledo (que colocou esta e outras frases na boca do Vicente Matheus).

    Outra dificuldade, no meu caso, é a falta de tempo para a cobertura de outros esportes. 

    Há também a instabilidade do meio rádio. Sinto falta de trabalhar com amigos-irmãos, como Valmir Gomes, Paulo Cesar Tiemann, Edson Thomaz, Bruno Abdala, Gustavo Marques, Cesar Junior, entre outros.

    E sinto a falta das transmissões do narrador Edgard Felipe. No ar, ele era extrovertido. No churrasco com os amigos, bem reservado.  Quando ele morreu, em 2016, éramos bem amigos. Ele tinha uma vasta cultura sobre música caipira. Eu dizia que ele precisava montar um espetáculo com causos e canções.
     
    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?

    Tusquinha — Muito. Mexeu com os profissionais e com as mídias tradicionais. 

    Tento falar com quem ligou o rádio sem ter ideia do que aconteceu durante o dia, mas também com aquele ouvinte que ligou a CBN depois de se informar pela internet. Aqui, entram as curiosidades. 

    Nesta semana, devido ao jogo do Atlético em Caracas pela Copa Sul-Americana, falei sobre um time venezuelano, a Portuguesa de Acarigua, que fez barulho na Copa Libertadores da América, em 1977. A Portuguesa contratou o lendário Jairzinho, o “Furacão do Tri”, artilheiro da Copa do Mundo de 1970, e passou invicta pelas seis rodadas da primeira fase. Um feito extraordinário para a Venezuela. Depois, o time de Acarigua ganhou do Internacional, 3 a 0, mas foi goleado pelo Cruzeiro, 4 a 0.

    Durante os jogos, publico tiradas no Twitter e no Facebook. O Twitter me ajudou a exercitar a síntese no texto. Sei que alguns leitores me acompanham nas redes sociais e outros no blog.

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 

    Tusquinha — Já. Quando comecei a ser blogueiro, recebia mensagens do tipo “quando te encontrar, vou quebrar a tua cara”. Depois, creio, perceberam que a zoeira é para todos e não especifica para algum time.

    Os que me acham um idiota não querem mais quebrar o meu nariz.

    Entrelinhas — Você tem um blog que mistura humor e futebol. Como foi a ideia desse blog e como consegue manter o bom humor nesse desgastante dia a dia do jornalismo?

    Tusquinha — O Boleiros & Barangas é uma sequência do Craques e Caneladas, lançado em 2007, no portal Bem Paraná. A Josianne Ritz, chefe de redação, me convidou para fazer um blog “bem Tusquinha”. O pessoal do meio já me associava ao humor. Peguei a liberdade deste termo “bem Tusquinha” e parti para o ataque.

    Em 2011, o Sergio Tavares Filho, editor do G1 Paraná, propôs que eu levasse este espírito para o GloboEsporte.com. Estou lá há sete anos.

    Quanto ao desgaste, para quem tenta fazer humor a desgraça é quando a tirada não vem. Felizmente, tem vindo. Posso estar mal humorado, mas quando surge a primeira ideia o dia fica mais bonito...

    No texto, sinto uma liberdade maior para a zoeira. No rádio, tenho mais cuidado, Se eu conto mal a piada (com ou sem graça), ela já foi para o ar...  Não tem como voltar.

    O porquê do apelido é outra longa história.

    Dizem que eu sou normal, mas isto não vai ficar assim.

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?

    Tusquinha — “O que você seria se não fosse jornalista esportivo?”

    Eu seria um famoso animador de auditório ou um cultuado cineasta francês.


    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS

    Melhor jogador do mundo na história: Pelé. Vi muitas imagens. Então, acho que posso dizer que vi Pelé jogar. Um pouco, pelo menos.

    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo.

    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Dos que vi cotidianamente, João Antônio (Paraná), Lela (Coritiba) e Fernandinho (Atlético).

    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson (Coritiba), Pablo (Atlético) e Dagoberto (Londrina)

    Melhor técnico do mundo na história: Rinus Michels, o do “Carrossel Holandês” da Copa do Mundo de 1974. Moderno há mais de 40 anos.

    Melhor técnico do mundo na atualidade: o Rinus Michels, que morreu em 2005, e ainda não conseguiu ser sequer imitado.

    Maior time da história do futebol: Brasil campeão mundial em 1970. Do futebol brasileiro, que eu vi com mais frequência, o Palmeiras campeão paulista em 1996.

    Maior time da história do futebol paranaense: o Atlético, vice-campeão brasileiro em 2004. Na goleada sobre o São Caetano, por 5 a 2, na Arena da Baixada, inesquecível o segundo gol: a jogada começou com o Fernandinho na lateral-direita, no campo de defesa, e terminou com um chute de Dênis Marques, após toques de Jadson, (novamente) Fernandinho e Washington.

    Melhor jogo de futebol que já assistiu:

    Pela alternância, Paranavaí 3, Rio Branco 3, pelo Campeonato Paranaense de 2007. O Rio Branco abriu 2 a 0,o Paranavaí virou, o Rio Branco empatou e carimbou duas vezes a trave.

    Pela alternância com doideira, o segundo tempo de Atlético 5, Tubarão 4, pela Copa Brasil de 2018. Nove gols em 40 minutos!

    Pelo passeio, Coritiba 6, Palmeiras 0, na Copa do Brasil de 2011.

    Pelo erro zero na marcação, Palmeiras 0, São Paulo 0, pela Libertadores de 1994.


    Clube do coração: Aquele que goleou o Flamengo, em 2003, aqui em Curitiba.

    Ídolo fora do esporte: A lista é grande. 

    Alguns do cinema: os diretores Júlio Bressane, Glauber Rocha e Alain Resnais e as atrizes Helena Ignez, Maria Lucia Dahl, Isabelle Huppert, Miou-Miou e Charlotte Gainsbourg;
    Do Bressane digo que o filme quando é bom é... sublime! Quando é ruim...

    Da música: Caetano Veloso, Chico Buarque, Kelly Key, Marina Lima e a compositora russa Galina Ultsvoskaya.

    Esportes que já praticou: Só futebol perto de casa. Jogar não era o termo exato. Eu era um privilegiado que via a pelada dentro de campo,
     
    Hobbies: Leitura, cinema, teatro e museu.

    Locais preferidos em Curitiba: Cinemateca, Cineplex Novo Batel e Museu Oscar Niemeyer

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Álvaro José (Grupo Bandeirantes), Paulo Vinicius Coelho (Fox Sports) e Lédio Carmona (Sportv).

    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Nadja Mauad (RPC), Napoleão de Almeida (UOL) e Lycio Vellozo Ribas (Bem Paraná).

    Currículo: Sou curitibano, nascido em 1969. Estudei nos colégios Martinus, Prieto Martinez, Positivo e Dom Bosco. Não tenho formação universitária. Estava passando na frente e, como diz o Edu Brasil, aproveitei bem a porta aberta. Trabalhei nas rádios Clube Paranaense, Paraná, Banda B, Globo e CBN, onde estou desde 2011. Escrevi sobre futebol e (eventualmente) teatro no Jornal do Estado. Também sobre artes, comentei no extinto portal Curitiba Interativa. Fiz parte do FutebolPR, o primeiro site especializado em futebol paranaense, lançado em 2003, por Armindo Berri, Altair Santos, João Carlos de Santa e Roberto Karam. Fui comentarista de carnaval em projetos de webtv do jornalista Kândido de Oliveira e da ÓTV. Também atuei no departamento de pesquisa de uma agência de publicidade: a OpusMúltipla, uma das maiores de Curitiba. 

  • O Paraná Clube voltará mais forte em 2019

    O Paraná Clube voltará mais forte em 2019
    A Vila Capanema (Foto: Geraldo Bubniak)

    A campanha do Paraná Clube no Brasileirão 2018 instigou os pessimistas de plantão. Baseados apenas na tabela, os comentaristas de resultado tentam criar um clima de tragédia no clube. 

    No entanto, o clube vive seu período de maior organização desde o final dos anos 90. Lá no final daquela década, as principais fontes de arrecadação secaram no Paraná. Os dirigentes se perderam e uma série de decisões amadoras foram depredando a estrutura do clube. A crise financeira varreu o time para a segunda divisão. 

    A pressa em retornar para a primeira divisão agravou a situação, com gastos fora da realidade e com pouca preocupação com a estrutura do clube.

    FIM DO AMADORISMO
    Para se ter uma ideia do abismo em que o Paraná estava, o então vice de futebol, Aramis Tissot, deu uma entrevista em 2009 afirmando que o clube ainda não tinha profissionalizado seu departamento de futebol. 

    A profissionalização só foi concluída totalmente em 2017, com a chegada de Rodrigo Pastana. A partir dali, o Paraná passou a viver outra realidade.

    RESPONSABILIDADE
    A gestão de Leonardo de Oliveira teve como principal mérito controlar as finanças do clube. É verdade que as dívidas chegam a R$ 156 milhões, mas a diretoria tomou uma série de decisões que permite o clube domar esse montante. Antes, os débitos saíram do controle e faltava dinheiro em caixa para salários e outras despesas básicas. Hoje isso não ocorre mais. O departamento de futebol ganhou estabilidade.

    A decisão mais corajosa de Leonardo de Oliveira foi controlar os gastos em 2018. A tentação de qualquer dirigente seria contratar reforços caros, com o objetivo de fugir do rebaixamento. Seria uma estratégia arriscada. Vários clubes com elencos caros acabaram caíndo para a Série B e acumularam dívidas imensas para o sofrido cenário financeiro da segundona.

    A diretoria atual montou um dos times mais baratos da Era dos Pontos Corridos do Brasileirão. Não há dados precisos, mas é pouco provável que alguém tenha disputado a competição com um elenco tão barato. E, se os resultados foram péssimos, o desempenho não foi tão ruim. O Paraná apresentou bom futebol em várias partidas e perdeu em lances inexplicáveis — além dos erros de arbitragem em momentos cruciais.

    ESTRUTURA
    Como não fez loucuras em 2018 e ainda conseguiu investir em estrutura, o Paraná voltará mais forte em 2019, independente de qual divisão esteja. Se for rebaixado, a arrecadação será menor. Mesmo assim, o departamento de futebol tem hoje organização suficiente para conseguir o acesso em, no máximo, três anos. Não serão mais dez anos de segundona. 

  • Conheça João Carlos Azevedo, o jornalista da "agenda mágica"

    Conheça João Carlos Azevedo, o jornalista da "agenda mágica"
    João Carlos Azevedo e sua 'agenda mágica' (Foto: Felipe Jung)

    João Carlos Azevedo fez história no jornalismo pré-internet. Na época, os clubes não tinham assessores de imprensa e as informações raramente chegavam aos jornais, rádios e tvs. Era preciso caçar a notícia, correndo atrás dos personagens e gastando o dedo discando o telefone por longas horas. 

    Sim. Os telefones tinham discos e não teclas. 

    Foi nesse mundo que João Azevedo criou sua “agenda mágica”, com telefones de fontes, empresários, personagens, jogadores, dirigentes e técnicos. Com ela, conseguiu furos jornalísticos históricos, como a chegada do técnico Telê Santana ao São Paulo.

    João emprestou seu talento ao Bem Paraná – chamado de Jornal de Estado na época – nos anos 90. Em seguida, foi para a TV Globo, a RPC, onde ficou por 15 anos. Hoje é gerente de jornalismo da Band Paraná e comentarista do programa Conversa de Boteco.

    Nessa entrevista da série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, João mostra sua visão sobre o jornalismo e sobre o futebol paranaense.

    Entrelinhas do jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    João Carlos Azevedo — Primeiro quero agradecer pelo convite para participar desta seleção de craques. Assim como qualquer menino o sonho era ser jogador de futebol, mas não deu certo. O motivo nem preciso comentar (rs). E como sempre gostei de futebol – assistia muitos jogos, lia jornais e escutava os jogos pelo rádio. O jornalismo foi a porta de entrada para estar perto do campo, perto dos craques. Já na faculdade – fiz o curso de comunicação na FMU – Faculdade Metropolitana Unidas, em São Paulo. Lá, já fui conhecendo os caminhos para chegar ao jornalismo esportivo. O caminho era competitivo, mas deu certo. E estou na área até hoje.  

    Entrelinhas — Você passou a maior parte da carreira como produtor, nos bastidores. Os jornalistas te conhecem pela habilidade com sua “agenda mágica”, seus contatos e sua facilidade para construir pautas. Como explicar para o torcedor a importância do trabalho do produtor, esse cara dos bastidores do jornalismo?
    João —
    Quando entrei na Rádio Record, em São Paulo, em 1990, a rádio tinha um coordenador chamado Cesar Teixeira, o Cesinha, um cara que já tinha uma boa agenda. Eu fui apenas melhorando, mas a agenda mágica, aquela que você conheceu, ficou importante a partir do momento que fui para a Rádio Globo. Lá já tinha experiência, já conhecia as pessoas. Trocava muitas informações com outros jornalistas de São Paulo e de fora do Estado. E o diferencial foi acompanhar os repórteres nos treinos, nos jogos. Enquanto eles faziam as reportagens eu conversava com os jogadores, com os dirigentes, com as pessoas dos clubes. Então, as notícias chegavam com mais facilidade. O jornalismo era muito mais emocionante. Você tinha a notícia, tinha o furo de reprotagem. Não recebia tudo pronto dos assessores de imprensa como acontece hoje. 

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    João — O melhor momento é o presente. Mas passei por vários, como a cobertura da Copa de 1994. A cobertura dos títulos mundiais do São Paulo, em 92 e 93, por serem transmissões feitas de madrugada. Eu comandei a equipe que estava no Japão, nos dois anos. Depois vieram outras Copas. A partir de 1999 já estava na TV. Aí foram outros desafios. Fiz muitas coberturas de transmissões para a TV – futebol, futsal, vôlei, basquete, vôlei de praia. Mas teve uma que foi especial: a cobertura do Mundial de Canoagem, em Foz do Iguaçu. Um esporte diferente, com regras diferentes.  

    Entrelinhas — Qual o maior furo de reportagem que você conseguiu?
    João — Foram vários. mas um que vale destacar foi a chegada do técnico Telê Santana, ao São Paulo. Levantei a informação com uma fonte. E confirmada em seguida pelo presidente do clube. Demos em primeira mão na Rádio Record.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    João — É ser jornalista esportivo. É passar informação sobre o time de coração dos nossos ouvintes, telespectadores, leitores. É ser reconhecido pelo trabalho que você faz, dentro e fora da sua emissora.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    João — Todos que trabalham com o jornalismo esportivo, em específico com o futebol, torcem para o um time. Só que alguns torcedores não entendem. Acham que você sempre está torcendo por este ou aquele e já querem agredir. Então, essa é a parte complicada. Por isso, não revelo meu time de coração.

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    João — Sim. E muitas. Só dá um pouco mais de trabalho, porque você tem que checar bem as informações, porque as redes sociais aceitam tudo. Todo mundo é repórter. Todo mundo sabe tudo. Então, é preciso checar bem as informações.

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    João — Já. Mas é melhor não comentar muito.

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    João — Só gostaria de lembrar e agradecer de algumas pessoas que me ajudaram nessa carreira. A começar pelos meus pais, por acreditarem na escolha da minha profissão. Sem eles não seria possível. Depois agradecer aos profissionais com quem tive o prazer de trabalhar nessa caminhada, que já dura mais de 20 anos: Ari Pereira Jr (este foi o louco que me deu a primeira oportunidade), Osmar Santos, Oscar Ulisses, Suel Neves De Daca (esse era fera nos bastidores, aprendi muito com ele), Jorge De Souza, Osvaldo Pascoal, Henrique Guilherme e Márcio Bernardes (meu professor na Faculdade e na Rádio Globo). Gil Rocha e Paulo Rosa, pela parceria na RPC. Sidnei Campos, que que foi me buscar em São Paulo. Os parceiros do Jornal do Estado/Bem Paraná: Lycio Vellozo Ribas, Silvio Rauth Filho, José Marcos e Flavio Costa. E por último: Amado Osman, meu atual diretor na Band Paraná. Profissionais de alta qualidade.   

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
    Melhor jogador do mundo na história:
    Pelé
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Sicupira, Ricardinho, Dagoberto
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson (Coritiba), Pablo (Atlético) e Dagoberto (Londrina)
    Melhor técnico do mundo na história: Telê Santana
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Guardiola
    Maior time da história do futebol: Real Madrid
    Maior time da história do futebol paranaense: Paraná Clube tetra de 1996
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: Palmeiras 4x4 São Paulo. Oito gols, pênalti perdido e gol de empate no último minuto. O último lance do jogo era um pênalti para o São Paulo, que vencia por 4x3. O Careca acerrou o travesão e, no contra-ataque, o Palmeiras empatou. 

    Clubes do coração: melhor não declarar
    Ídolos fora do esporte: meus pais, meus irmãos e meus amigos
    Esportes que já praticou: futebol, basquete, judô
    Hobbies: assistir futebol e séries, e jogar futebol
    Locais preferidos em Curitiba: estádios, parques e alguns botecos
    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Tino Marcos, Márcio Bernardes e José Calil
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Jairo Silva, Gil Rocha e Paulo Rosa

    Currículo: 
    - João Carlos Gonçalves de Azevedo, 50 anos. Casado. Pai da Anna Laura.  
    - Estudou em São Paulo. Nos Colégios Santa Gema e São Bento. Fiz duas Faculdades – Jornalismo e Direito, ambos os cursos na FMU. Trabalhei nas Rádios Record e Globo, em São Paulo. Em Curitiba trabalhei nas Rádios Clube e CBN. Passei pelo Jornal do Estado. E trabalhei na RPC TV, durante 15 anos. Hoje estou na BAND PARANÁ. Sou Gerente de Jornalismo e também comentarista no programa CONVERSA DE BOTECO. Recebi por duas vezes o Prêmio de Melhor Produtor Esportivo em São Paulo. Aqui em Curitiba também recebi esse prêmio. Mas o melhor prêmio dessa profissão é ter a oportunidade de conhecer os profissionais da área (jogadores, dirigentes, narradores, repórteres e amigos da área)

  • Fucks não é só um motivador e pode melhorar o rendimento do Coritiba 

    Fucks não é só um motivador e pode melhorar o rendimento do Coritiba 
    Pelaipe e Argel Fucks (Foto: Geraldo Bubniak)

    Argel Fucks ganhou o rótulo de “motivador”. Ou de “técnico de tiro curto”. De fato, esses dois rótulos fazem algum sentido. Nesses dez anos de carreira, ele fez vários trabalhos de curto período e ficou famoso por sacudir o ambiente dos clubes. 

    No entanto, Fucks é mais do que isso. Demonstrou em alguns trabalhos que pode melhorar o rendimento tático e técnico do Coritiba em 2018. 

    Dois dos melhores analistas de futebol do Brasil fizeram estudos bem interessantes sobre o trabalho de Fucks. Nesse link, o jornalista Leonardo Miranda apresentou um completo “raio-x” do trabalho do técnico no Figueirense

    Nesse outro link, o analista de desempenho Caio Gondo detalhou o trabalho do treinador no Internacional.

    FAÇANHA
    A tendência é que o desempenho do Coritiba melhore nessas 11 rodadas finais da Série B, mas só uma façanha épica vai levar o time à primeira divisão em 2018. Não é impossível, mas é pouco provável.

    Também é difícil avaliar se a contratação de Argel Fucks vale a pena a essa altura do campeonato. Digo isso em relação à questão financeira. Suponho que o salário do novo treinador não tenha “padrão Série A”. Se veio ganhando dentro da realidade da Série B, então é uma aposta válida.

    INTER
    O auge da carreira de Argel Fucks foi no Internacional, em 2015 e 2016. Ficou 11 meses no cargo. Foram 61 partidas e 33 vitórias (62% de aproveitamento dos pontos disputados). Como comparação, o Coritiba tem 44% de aproveitamento na Série B de 2018.

    No clube gaúcho, Argel teve a segunda melhor campanha no returno do Brasileirão de 2015, mas não foi o suficiente para garantir vaga na Libertadores. Em 2016, conquistou o Gauchão. Em seguida, acabou demitido após uma série de resultados negativos.

  • Robson De Lazzari é o quarto entrevistado da série Craques da Imprensa

    Robson De Lazzari é o quarto entrevistado da série Craques da Imprensa
    Robson De Lazzari (Foto: Arquivo pessoal/Robson De Lazzari)

    Robson De Lazzari é um apaixonado pelo futebol. Filho e irmão de jogadores profissionais, o repórter da rádio Transamérica e da Rede Massa vive o esporte com intensidade e dedicação incomparáveis. No jornalismo, sua marca é a coragem e a persistência para buscar a notícia, mesmo que ela desagrade haters, poderosos e chatos de plantão. “Não dá só pra se juntar ao coro dos contentes. É preciso também ver o lado dos insatisfeitos”, afirma De Lazzari, em uma das excelentes respostas dessa entrevista.

    O incansável De Lazzari é o quarto entrevistado da série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, do Bem Paraná. 

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Robson
    — Desde que me entendo por gente, sempre fui viciado em futebol. Aos poucos, fui me viciando em rádio esportivo também.  O esporte sempre fez parte da minha casa. Meu pai foi jogador de futebol. Minha mãe professora de educação física. Com uns 10 ou 11 anos de idade, a decisão estava tomada. Eu queria ser jornalista esportivo.

    Entrelinhas — Você vem de uma família de jogadores de futebol (pai e irmãos). Você também chegou a tentar a carreira de atleta?
    Robson
    — Sem nem metade do empenho que o meu irmão teve, até tentei. Mas meu lugar era outro. Dentro das quatro linhas, só goleiro de pelada mesmo.

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Robson
    — A cobertura da Copa de 2010 na África do Sul. Jamais imaginei nos meus melhores sonhos, que um dia deixaria e chegaria ao Brasil no mesmo voo da seleção.

    Entrelinhas — Qual o maior furo de reportagem que você conseguiu?
    Robson
    — Não foi um furo específico ou individual. Na Gazeta do Povo, entre 2009 e 2010, quando a Copa do Mundo foi confirmada pra Curitiba, fizemos um trabalho muito forte em equipe acompanhando dia a dia tudo que cercava o Mundial de 2014 na cidade. Estádio escolhido, viabilidade financeira, obras prometidas pela cidade. Cobranças e revelações com situações que até hoje ainda não estão totalmente resolvidas. Me lembro de uma exclusiva dentro do gabinete do governador Orlando Pessutti. Algo que quando comecei a trabalhar com esportes, jamais pensei que aconteceria. 

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    Robson
    — É trabalhar com o que se ama desde pequeno. É tornar algo tão prazeroso, que nem parece trabalho.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Robson
    — Especialmente no futebol, lidar com a paixão dos torcedores não é simples. Claro, é preciso respeitar clubes, profissionais, dirigentes, torcedores e todos envolvidos no meio. Mas tudo isso, sem perder a capacidade de cobrar e de sempre dizer a verdade. Não dá só pra se juntar ao coro dos contentes. É preciso também ver o lado dos insatisfeitos.

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Robson
    — Totalmente. As redes sociais aceleraram a circulação da notícia para a velocidade de um estalo de dedos. É um desafio, publicar (se possível antes), mas sem deixar de apurar com correção. Hoje, não me passa pela cabeça nenhum veículo que não tenha apoio nas redes sociais.

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Robson
    — Já. Mas considero normal por essa questão de lidar com a paixão das pessoas. Quando passa dos limites (ofensas) bloqueio e pronto. Nos estádios, no início, me importava com alguns xingamentos de uma minoria. Hoje, entra por um ouvido e sai por outro.

    Entrelinhas — Você já cobriu duas Copas do Mundo. Como foram essas aventuras?
    Robson
    — Foi incrível. Tive a oportunidade de cobrir duas. A de 2014, em Curitiba, foi especial por ser na nossa cidade e por todo acompanhamento desde a escolha das sedes. A de 2010, para mim, a mais impactante. Estive em todos os treinos, entrevistas e jogos da seleção brasileira na África do Sul. Ali me senti realizado como profissional. Um dia o Tostão sentava ao meu lado, no outro o Juca, no outro o PVC, no outro o Mauro Naves.....

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    Robson
    — Queria direcionar o “tema livre” para os que sonham em trabalhar com jornalismo esportivo. O mercado está cada vez pior, as vagas mais raras e os salários achatados. Mas, se existe o sonho como um dia o meu existiu, nunca desistam. Eu não imagino existir profissão mais apaixonante.

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
    Melhor jogador do mundo na história: Pelé
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Messi
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Só três? Impossível. Caju, Fedato, Cireno, Jakson, Zé Roberto, Sicupira, Kruger...e os que eu vi, Rafael, Tostão, Kléberson, Alex Mineiro, Alex, Saulo, Adoílson, João Antônio, Kléber Pereira, Kelly...
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson, Lucho e Dagoberto
    Melhor técnico do mundo na história: Lula
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Guardiola
    Maior time da história do futebol: Santos, do Pelé
    Maior time da história do futebol paranaense: Atlético de 49 e Coritiba tri 71, 72 e 73
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: In loco, Atlético 5 x 2 São Caetano, 2004.

    Clubes do coração: Não revelo. Há muita intolerância quanto ao tema
    Ídolos fora do esporte: Nelson Mandela, Yuri Gagarin, Barack Obama
    Esportes que já praticou: futebol, futsal, vôlei, basquete e handebol
    Hobbies: Cinema e ficar com minha esposa e com meu filho
    Locais preferidos em Curitiba: Minha casa, Confraria Água Verde, Pastelaria Juvevê e Parque Tingui

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: André Rizek, Juca Kfouri e PVC
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Leonardo Mendes Júnior, Guilherme de Paula e Carneiro Neto

    Currículo: Na infância morei em Curitiba, Nova Iorque e Paranaguá (extremos). Em Curitiba estudei na Umbrella, Dinâmica, Integral, Loureiro Fernandes e Dom Bosco. Em Paranaguá, Instituto de Educação e Leão XIII. Nos EUA, não lembro o nome do colégio. Me formei em jornalismo na Universidade Tuiuti do Paraná. Recebi os prêmios de revelação da crônica esportiva em 2002 e de melhor repórter de televisão em 2012. Por ordem cronológica, trabalhei nas rádios Eldorado, Educativa, Colombo, Cidade e CBN; no jornal Gazeta do Povo; na RPC. Desde 2014 trabalho na Rádio Transamérica e na Rede Massa.

  • Pablo e Ricardo Oliveira dividem a “artilharia aérea” do Brasileirão

    Pablo e Ricardo Oliveira dividem a “artilharia aérea” do Brasileirão
    Pablo: quatro gols de cabeça no Brasileirão (Foto: Geraldo Bubniak)

    O atacante Pablo, 26 anos, e o centroavante Ricardo Oliveira, 38 anos, dividem a “artilharia aérea” do Campeonato Brasileiro 2018. Os dois são os jogadores que mais marcaram gols de cabeça na competição: quatro cada. 

    Pablo depende mais desse tipo de jogada para disputar a artilharia. Dos oito gols na competição, quatro foram de cabeça e quatro com o pé direito.

    Ricardo Oliveira tem dez gols no torneio: quatro de cabeça, três de pé direito e três com a canhota. O centroavante do Galo foi mais eficiente nesse tipo de jogada. Só precisou de 13 finalizações de cabeça para anotar os quatro gols na jogada aérea. Pablo tentou 20 cabeceios para chegar aos mesmos quatro gols pelo alto.

    MAIS GOLS DE CABEÇA

    1º Pablo (Atlético-PR) e Ricardo Oliveira (Atlético-MG).......4

    2º Quinze jogadores...............................................................2

     

    MAIS FINALIZAÇÕES DE CABEÇA

    1º Pablo (Atlético-PR)..........................................20

    2º Damião (Inter)...............................................19

    10º Ricardo Oliveira (Atlético-MG)..................13

     

    GOLS DE CABEÇA

    1º Atlético.........................................................9

    2º Inter, Cruzeiro e Atlético-MG....................8

    ...

    20º Paraná e Vasco........................................2

     

    FINALIZAÇÕES DE CABEÇA

    Média por jogo

    1º Inter................................3,0

    ...

    13º Atlético..........................2,0

    ...

    20º Vitória..........................1,5

    O JOGO AÉREO
    Pablo colocou o Atlético Paranaense na liderança do ranking de gols de cabeça do Brasileirão, com o total de nove. Os outros gols desse tipo foram marcados por Zé Ivaldo (1), Marcelo Cirino (1), Paulo André (1), Raphael Veiga (1) e Thiago Heleno (1).

    A EVOLUÇÃO
    Pablo foi goleador nas categorias de base. Marcou dez gols na tradicional Taça BH de 2011. Naquele mesmo ano, acabou promovido ao profissional. Disputou quatro jogos no Brasileirão daquele ano e não marcou gols. Era o ano do rebaixamento e o atacante teve dificuldade para se encontrar naquela bagunçada equipe. Depois de ser usado como lateral, volante, meia e extremo, Pablo só teve duas grandes chances como centroavante no profissional: no Brasileirão 2016 e agora em 2018. E assumiu a artilharia da equipe nas duas ocasiões.

    Em 2016, mesmo com André Lima e Walter no elenco, Pablo terminou como artilheiro do Atlético no Brasileirão, com nove gols em 33 jogos. André Lima fez cinco gols em 26 partidas naquela edição e Walter, três em 19. 

    Agora, no Brasileirão 2018, Pablo é novamente o artilheiro, com oito gols em 23 jogos.

    MAIS QUE UM CENTROAVANTE
    E Pablo não contribui para o Atlético apenas com gols. Sua maior qualidade, na verdade, é tentar participar de todas as fases do jogo. Sem a bola, tem uma aplicação invejável, lutando para recuperar a posse. Com a bola, tem movimentação inteligente e abre espaços para a infiltração dos demais jogadores. Também sabe jogar como “pivô” e preparar a jogada. Já deu 27 passes para finalizações dos colegas nesse Brasileirão 2018.

  • Napoleão de Almeida é o terceiro entrevistado da série Craques da Imprensa

    Napoleão de Almeida é o terceiro entrevistado da série Craques da Imprensa
    Napoleão de Almeida: o mais completo da imprensa paranaense (Foto: Arquivo pessoal/Napoleão de Almeida)

    Napoleão de Almeida é o terceiro entrevistado da série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, do Bem Paraná. Jornalista do UOL e do Bandsports, o curitibano é um dos profissionais mais completos da imprensa paranaense. Já impressionou pela qualidade dos textos no jornal, pelos furos de reportagem nos sites online, pela segurança na apresentação de programas televisivos e pelas narrações vibrantes no rádio e na TV.  

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Napoleão
    — Era sonho de infância, mas eu nem sabia, rs. Sabia que gostava de comunicação. Costumo dizer que quando o cara não vai bem na linha, mandam pro gol; se não vai bem pro gol, mandam pro apito. E se não serve nem pra juiz, vira jornalista! Meu avô adorava futebol e me passou isso. Eu ficava jogando futebol de botão sozinho, narrando jogos, escrevendo matérias dos jogos.., sou realizado por fazer o que amo e ainda poder pagar as contas.

    Entrelinhas — Você já fez de tudo um pouco na imprensa esportiva. Foi apresentador de TV, narrador na TV, locutor no rádio, repórter de jornal, colunista... A lista é longa. Era seu plano inicial fazer de tudo um pouco ou acabou acontecendo? E quais as vantagens e desvantagens de trabalhar em tantas mídias diferentes?
    Napoleão
    — Eu penso que a gente tem que saber fazer de tudo um pouco pra se virar na hora do aperto. No Paraná eu não sou tão conhecido como narrador, diferente daqui, em São Paulo. Eu virei narrador depois de tentar ser músico, tinha banda e tudo mais. Foi aí que me deu o estalo, depois de três anos de curso de técnica vocal: “por que não juntar as paixões?” Mas não é tão simples. Aí fui estudar jornalismo depois de já formado em publicidade. E os espaços para narrar não são muitos, muito menos aí no Paraná. Então ia fazendo o que pintava, sempre com muita vontade e dedicação. E fui aprendendo muito. Eu vejo muitas vantagens, me sinto um profissional preparado para lidar com qualquer mídia e qualquer função. Como desvantagem, um certo mito de que narrador não pode lidar com notícia, de que é showman. Não concordo.

    Entrelinhas — Você conseguiu alguns furos jornalísticos expressivos ao longo da carreira. Tem algum que é seu favorito ou que provocou maior repercussão?
    Napoleão
    — Não, eu não tenho essa tara. Notícia fica velha no minuto que sai, a gente já tem que estar ligado no passo seguinte. Claro que é legal se antecipar, ficar sabendo de algo e noticiar. Mas acho que o mais importante é contar a história bem, com detalhes, contextualizando. Eu sou de ouvir muita gente, checar uma, duas vezes antes de publicar algo. Acho isso fundamental. Erros acontecem, mas no geral eu prefiro contar bem a história do que ter a ânsia do furo, até porque hoje em dia existem muitas fontes de informação, na cabeça do leitor o ineditismo da notícia vai com quem ele leu primeiro. E ainda nessa linha, e você pode me desmentir se quiser: muita gente acha que eu e alguns colegas disputamos à tapa esse negócio. Que nada. A gente costuma se ajudar muito. Eu troco informações à toda hora com amigos que confio no meio. Muitas vezes abrimos mão do “furo” juntos, para dar a informação melhor e mais completa.

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Napoleão
    — Eu tive grandes momentos, muito felizes, sempre de me sentir realizado. Mas penso que em termos de impacto foi a chance de narrar ao vivo para todo o Brasil, pela Band, a medalha de ouro olímpica da vela na Rio 2016. Foi meu trabalho de maior alcance. Ainda que eu adote como lema fazer sempre um ótimo trabalho, dentro do que eu conseguir, desde que comecei a narrar futsal na rádio Educativa AM aí do Paraná, acompanhando o time do Ricardinho na Série Prata local. Deviam estar escutando minha mãe e a namorada, mas pra mim era final de Copa do Mundo.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    Napoleão
    — Fazer o que eu amo. Acordar todos os dias e parecer que tudo é uma grande brincadeira daquele piá que ficava jogando botão a tarde toda.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Napoleão
    — Privar-se do convívio da família nos finais de semana é algo que pesa. Jornalista esportivo não tem sábado, domingo ou feriados. Segue o calendário das disputas. Fazemos com amor, mas é trabalho e exige sacrifício.

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Napoleão
    — Sim, tudo ficou mais imediato. Estamos mais cobrados, mais expostos. Eu uso muito as redes pra dialogar com meu público e nem sempre isso é possível de maneira positiva. 

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Napoleão
    — Sigo tendo. Vivemos um momento de intolerância extrema e difusão da ignorância. Algumas pessoas não querem dialogar, não querem buscar conhecimento ou entenderem o outro lado. Assumem suas posições e partem para o ataque. No futebol, então, muitas vezes isso vem com um fanatismo exacerbado, um descontrole emocional. E ninguém quer saber se do outro lado está um ser humano, trabalhando, dedicando tempo e energia para fazer o melhor. Então a solução que eu dou para quem vem com ódio ou rancor é bloquear e, em casos necessários, processar o cidadão. É preciso que se saiba que internet não é terra de ninguém e que nós que estamos deste lado do muro estamos aqui à trabalho, não de favor. 

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    Napoleão — Eu costumo fazer perguntas, não responder. Mas penso que o grande tema hoje é a intolerância, especialmente nas redes sociais. O sujeito normalmente tira as redes pra desopilar o fígado. O jornalista já tem o problema do mensageiro, que recebe a carga emocional pela notícia ruim, mesmo ele sendo apenas o emissor. Nas redes então, qualquer opinião diferente descamba pra discurso de ódio. Deveríamos ler mais, ouvir mais e argumentar melhor. Tem gente que lê manchete e sai te xingando. Não quer ler o conteúdo, não quer entender o outro lado. Não se trata de uma guerra de convencimentos, mas sim de acrescentar visões e conhecimentos para melhorar a sua própria maneira de ver o mundo.

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
    Melhor jogador do mundo na história: difícil fugir de Pelé, mesmo só tendo o visto em VT.
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Que eu vi: Tostão, Kléberson e Jadson.
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Não tá legal a coisa né? Rs. Gosto do Wilson, do Lucho e do Pablo.
    Melhor técnico do mundo na história: Difícil também. Vou de Bernardinho. Muito vencedor.
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Cholo Simeone. Tira leite de pedra.
    Maior time da história do futebol: O que eu mais gostava de ver: Palmeiras de Luxemburgo em 96.
    Maior time da história do futebol paranaense: Na mesma linha, me admirava o Atlético de 2004.
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: narrei Atlético 5 x 2 São Caetano, em 2004, foi um jogaço.

    Clubes do coração: Não revelo publicamente porque atrapalha a carreira. Também penso ser irrelevante para o público em geral. Sou jornalista, não astro ou jogador. 
    Ídolos fora do esporte: meu avô, Vital.
    Esportes que já praticou: Muitos. Era um atleta na escola, fui campeão municipal e estadual de handebol, joguei vôlei, basquete e três vezes o Peladão da Tribuna do saudoso Nelson Comel.
    Hobbies: Ler gibi (Marvel e DC) e jogar videogame.
    Locais preferidos em Curitiba: Bosque Alemão, pra comer a torta, e o Bek’s, pra tomar cerveja e comer carne de onça.

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Admiro a postura do André Rizek, a capacidade de comunicação do Galvão Bueno e a acidez do Mauro Cézar Pereira.
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Vou ser injusto com muita gente boa. O mercado paranaense é excelente, tem muito jornalista se destacando Brasil afora que é do Paraná ou começou aí. Pra citar três que estão no PR: Nadja Mauad, competente e leal com os amigos, Leonardo Mendes Jr, um crânio, (agora tá aposentado) e André Pugliesi, o melhor texto da região, quiça do Brasil.

    Currículo resumido: Nasci em Curitiba, estudei nos colégios Guaíra e Expoente, fiz Tuiuti nas duas especializações. Trabalhei nas rádios Globo, 91Rock, BandNews, TV Band em Curitiba e Campinas, RICTV, SBT GPP, Sports Plus, Paraná OnLine, Bem Paraná, Gazeta do Povo, Metro, revistas Placar e ESPN, portais Terra e UOL, onde estou, além do Bandsports aqui em SP. 

  • Mauro Mueller é o segundo entrevistado da série Craques da Imprensa

    Mauro Mueller é o segundo entrevistado da série Craques da Imprensa
    Mauro Mueller: linguagem inovadora no rádio e na TV (Foto: Arquivo pessoal/Mauro Mueller)

    A série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, do Bem Paraná, traz hoje a entrevista com Mauro Mueller, apresentador do Show de Bola, da Rede Massa SBT, e autor de um blog sobre esportes. Filho de radialista, ele também vem fazendo história na música e nas artes cênicas. No rádio, ajudou a criar um modelo inovador de jornalismo esportivo, na rádio Transamérica, em 2001, adicionando humor e agilidade às transmissões. No SBT, participou da construção do Show de Bola, contribuindo para mais uma renovação da linguagem do jornalismo esportivo paranaense.  

    Entrelinhas — Como virou profissional da imprensa esportiva? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Mauro — Com 10 anos comecei a jogar vôlei na escola. Eu era um bom levantador e jogava em seleção das escolas, times pequenos e amadores, até que um dia eu e um amigo fomos convidados a treinar no Sulbrasileiro, mas minha mãe não deixou ir a Porto Alegre. Paralelo a isso, com 15 anos comecei a trabalhar em rádio e os treinos foram ficando em segundo plano. Comecei a compor minhas músicas com 11 anos, já montava minhas bandas, porque tocava na fanfarra da escola, na banda de música do Rotary Club, era filho de radialista, cresci ouvindo histórias do rádio e da TV, me apaixonei pela comunicação e meu trabalho foi sendo todo voltado a ser um locutor, apresentador e comunicador. Em 2001, eu já era coordenador artístico da Rádio Transamérica e fui encarregado de montar o projeto do Transamérica Esportes Curitiba. Apesar de estar próximo das transmissões esportivas das rádios em que trabalhei antes, nunca tinha feito crônica esportiva até então e montando o novo projeto de esportes da rádio, tive a chance de aprender a fazer rádio esportivo, enquanto gerenciava toda a parte artística e estrutura plástica daquele projeto, que está no ar até hoje.  

    Entrelinhas — Você também é músico, compositor e ator. Quais os melhores momentos que viveu nessas outras atividades?
    Mauro —
    Como músico, é indescritível estar num palco e cantar as minhas músicas e logo após receber o aplauso. Cantar para milhares de pessoas é muito bom, mas também é legal fazer shows para 200, 400 pessoas e receber respostas mais perto. E hoje, como o YouTube e redes sociais, a música se divulga a cada dia e recebo e-mails, mensagens nas redes sociais de pessoas que ouvem e gostam das canções. Não preciso parar de compor, para poder me dedicar aos meus outros ofícios. Nada atrapalha o que faço. Como ator desde 2007 (quando comecei a fazer teatro), o teatro melhorou bastante o apresentador de televisão que sou, me dando mais técnicas e melhorando minha performance em frente às câmeras. Participei em mais de 50 espetáculos. O melhor momento em teatro foi fazer um espetáculo inteiro em que, além de fazer parte da produção, finalizei o texto e organizamos toda a divulgação, em todas as apresentações foram com a sala lotada, em uma das temporadas da peça Doce Ditadura, da Cia Navegantes de Teatro.

    Entrelinhas — No Show de Bola, você conseguiu criar uma nova linguagem. Tem humor, mas sem deboche. É um programa ágil, mas sem ser superficial. Como chegou a essa fórmula?
    Mauro —
    Quando fui chamado a apresentar o Show de Bola, a recomendação era exatamente fazer diferente do que havia nos programas esportivos dos outros canais. A primeira versão do programa até tinha humor, mas não era de humoristas, ficando restrito à linguagem que eu empregava nos textos, nos Offs dos VTs e na descontração, o que eu gostava, mas sentia a falta de humor, assim como eu implantei no Transamérica Esportes, com o Tio Américo, depois o Boy e enfim, o ET. A segunda versão tinha o Mauro Singer, que era engraçado. Depois os 3 torcedores voltaram a integrar o elenco da TV, nos VTs e desafios com muito humor. Por fim, eu fiz a sugestão ao nosso diretor na época, para chamar o ET da Transamérica. Assim fechou o formato que hoje está no ar, com a Kelly Pedrita, eu e o ET como apresentadores do programa. Quando coordenei a Rádio Transamérica, tudo o que eu elaborava tinha pitadas de humor e essa escola foi muito importante para fazer o que eu faço hoje. Desta forma, o programa inteiro tem a medida certa de informação e humor, sem perder a linha esportiva, que é a mais importante. Este sou eu, desde que entrei para a crônica esportiva, montando o Transamérica Esportes. Assim eu gosto, fazer do esporte um pano de fundo para aliviar as tensões da televisão rígida, usando o futebol como mola mestra da descontração e levando informação na medida certa, para um telespectador exigente, que ao assistir dá boas risadas vendo seus ídolos do esporte. 

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Mauro —
    Foram vários. As primeiras vezes são inesquecíveis. A primeira locução de rádio (na Ilha do Mel FM), a primeira vez na televisão (Som Iguaçu de clipes e entrevistas), a primeira peça de teatro (A Comédia da Panela), o primeiro show da minha banda (Anestezia), o primeiro Show de Bola (18/01/2010)... mas este momento que estou vivendo é muito legal e é a melhor fase da minha carreira na TV.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser profissional da imprensa esportiva?
    Mauro —
    Na escola do voleibol eu aprendi a respeitar o professor, o técnico, o mestre, ser parte de uma equipe, fazer valer o plano coletivo para crescer individualmente, colaborar e receber colaboração, reconhecer acertos e tentar acertar sempre, me preparar a cada dia para ser melhor naquilo que faço. Sou competitivo, sem ser alucinado. Até hoje faço minhas corridas, jogo vôlei, basquete, pratico esporte. O convívio com o público é muito legal, tenho contato direto com estes fãs através das redes sociais, indo a escolas e universidades, conversando sobre saúde e boas práticas da vida, levando informação com humor. É um trabalho que leva a alegria, então me renovo a cada dia.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Mauro —
    Pra ser sincero, não há complicação. Claro que dificuldades sim, temos. Mas, complicado é pegar busão 5h da manhã e trabalhar numa obra, construir um prédio de 20 andares, carregar um carrinho de mão no décimo nono andar e olhar lá pra baixo. Isto é complicado. Fazer rádio, música, teatro e televisão é gostoso, gratificante, é empolgante.  

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Mauro —
    Há uma intolerância nas redes atualmente. Há muito tempo eu costumo chamar de redes anti-sociais. Até o Faustão concordou comigo (rsrsrs). As pessoas escondidas atrás de um computador, sem fazer cadastro de pessoa física, com seu “nickname”, se acham na liberdade de ofender. Mas, quando eu tenho a oportunidade de trocar ideias com gente das redes sociais e que tem seus nomes estampados, faço até amizades.

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'?
    Mauro —
    Eu não paro para chorar uma crítica. Tenho minha conduta, tenho personalidade e escrevo o que penso. Tenho minhas convicções e posso debater sobre elas, sem me preocupar com o que vão achar e geralmente me dou bem com ótimos debatedores. Tive um problema uma vez, quando uma pessoa inflamou “amigos” contra uma matéria que fiz. Recebi 85 mensagens me atirando todo o tipo de ofensas. Com tempo, respondi uma a uma e descobri gente muito legal, escondida atrás de um computador, mas que não sabiam muito bem o que estavam criticando. Assim como os quarentões estão aprendendo a se comunicar via redes sociais, os mais novos estão aprendendo a se comunicar com o mundo. Trocamos informações e eu também aprendo. 

    Entrelinhas — Você fala/escreve sobre suas atividades? Ou aborda outros temas nas redes sociais?
    Mauro —
     Escrevo tudo o que me chama atenção. Se quero escrever sobre política, saúde, esporte, profissões, rádio, tevê... e sempre recebo muitas críticas e ofensas também. Mas, sei lidar muito bem com esse tipo de coisa e nunca deixarei de dar a minha visão do mundo que me rodeia. Sou um cidadão, antes de tudo. Me preparo e estudo muito antes de formar uma opinião e como não sou torcedor de uma só bandeira, seja esportiva, política e social, sei bem o que quero e como escrever. Mas, vou avisando que não sou perfeito.

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS:

    Melhor jogador do mundo na história: Pelé
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Um de cada time: Sicupira, Krüger e Ricardinho 
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson (Coritiba), Pablo (Atlético) e Richard (Paraná)
    Melhor técnico do mundo na história: Mário Jorge Lobo Zagallo
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Bernardinho do Vôlei
    Maior time da história do futebol: Barcelona de Messi&Guardiola
    Maior time da história do futebol paranaense: Atlético de 2005, Coritiba de 1985 e Paraná de 2007
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: Brasil x Alemanha (final da Copa de 2002)

    Clubes do coração: Chicago Bulls, Manchester City 

    Ídolos fora do esporte: Meu pai (Milton Mueller), Charles Chaplin, Bono Vox, Sinnead O’Connor, Paulo Leminski, Renato Russo, Cazuza, Herbert Vianna, Cássia Eller, Zélia Duncan, Paulo Miklos, Silvio Santos, Chacrinha, John Lennon, Paul MacCartney, Wayne Hussey, David Bowie, Tom Hanks, Charlize Theron, Bette Davis, Marilyn Monroe, Morgan Freeman.
       
    Esportes que já praticou: Vôlei, Basquete.
    Hobbies: Vôlei, Basquete, futebol e Carrinho de Controle Remoto.
    Locais preferidos em Curitiba: Largo da Ordem, Largo São Francisco e Santa Felicidade.
    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Osmar Santos, Milton Leite e Carlos Kleina.
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Lombardi Jr, Carlos Kleina e Dirceu Graeser.

    Currículo: Radialista desde os 15 anos de idade, comecei como operador de áudio na Rádio AM Nova de São José dos Pinhais, como locutor na Ilha do Mel de Paranaguá, passei pelas principais rádios de Curitiba (Inter99, 94FM, Transamérica, Alternativa, Jovem Pan, Mix FM, Cidade FM, 91Rock) e de São Paulo (Transamérica e Cidade). Em televisão, na TV Iguaçu (Grupo Paulo Pimentel), TV Exclusiva e TV Transamérica, TV Iguaçu (Rede Massa). Além de locutor e comunicador, coordenei as rádios Alternativa, Transamérica, Mix FM e 91Rock, quando tive a oportunidade de criar vários projetos de rádio e televisão de muito sucesso de audiência. Como radialista, músico e compositor, fiz vários projetos culturais, como movimento Arromba das bandas independentes, eventos de música e ações de apoio à música local, na Tv e no Rádio. Ator desde 2007, tendo sido premiado com o troféu Ademar Guerra de ator revelação em 2007 no Festival de Fim de Ano do Teatro Lala e em 2009 com o prêmio melhor ator protagonista, interpretando o Pai, na peça “Seis Personagens a Procura de Autor”. Poeta, escritor, tenho um blog de textos livres, sou colunista do portal Massa News, em 2016 lancei o livro CONTRA-TEMPO, entre contos e poemas. Vocalista da banda Fundação Elétrika e tenho músicas no YouTube, Soundclound, etc... em outubro lanço um novo vídeo clipe da música CAOS, é só buscar no google pelo Mauro Mueller e vai me conhecer melhor.

  • O amistoso com El Salvador e o Campeonato Paranaense

    O amistoso com El Salvador e o Campeonato Paranaense
    Tiago Nunes: ele soube aproveitar o Campeonato Paranaense (Foto: Geraldo Bubniak)

    O amistoso da seleção brasileira com El Salvador parece um jogo inútil. Parece, mas não é. Pode ser algo tão útil quanto o Campeonato Paranaense. 

    E não estou sendo irônico. 

    Ironia seria disputar o Paranaense com time principal e desperdiçar tempo, energia e dinheiro atrás desse título. 

    O ideal, claro, seria reduzir as datas dos estaduais e adaptar a competição ao calendário nacional. Enquanto isso não é possível, os grandes clubes podem transformar o Paranaense em algo útil.

    É o que o Atlético fez nos últimos anos. Usou para revelar talentos, para ampliar a fase de formação até os 23 anos e para dar uma nova chance a jogadores em fase complicada na carreira. Deu certo. O time principal foi poupado do desgaste dessa competição e o elenco sub-23 aproveitou da melhor maneira.

    O Coritiba até chegou a flertar com essa ideia e esboçou um sub-23 em alguns momentos do Paranaense nos últimos anos. No entanto, até agora o Coxa não conseguiu uma fórmula adequada para lidar com o Paranaense. E segue usando o Estadual para criar ilusões para o campeonato nacional.

    O AMISTOSO
    Será uma grande perda de tempo se o Brasil só enfrentar adversários como El Salvador nos próximos meses. No entanto, esse é o momento ideal para pegar um time mais fraco. Após uma eliminação em Copa do Mundo, o ambiente sempre fica amargo na seleção. Um jogo tranquilo, com goleada quase certa, pode ajudar nesse sentido. Também ajuda para introduzir novatos nesse novo ciclo de quatro anos.

    Lançar novatos na seleção é uma tarefa complexa. Se o momento for tenso e o jogo for muito difícil, pode criar um trauma e desperdiçar talentos precocemente. O grau de dificuldade das partidas deve ser gradativo. Espero que esse seja o plano de Tite e da CBF. E que, nos próximos amistosos, os adversários sejam mais difíceis. E que, pouco a pouco, os novatos comecem a assumir mais responsabilidades.

    Outra utilidade desses amistosos contra mais fracos é testar determinados aspectos da parte tática. 

    “Amistoso de hoje é bom para testar como o Brasil se sai com a posse de bola no ataque, de frente para o gol. Já é possível ver um Neymar cada vez mais '10' e flutuando por todo o campo, e Arthur articulando como um típico meiocampista espanhol”, explicou o jornalista Leonardo Miranda, estudioso da parte tática do futebol.

  • Nadja Mauad é a primeira entrevistada da série Craques da Imprensa

    Nadja Mauad é a primeira entrevistada da série Craques da Imprensa
    Nadja Mauad (Foto: Geraldo Bubniak)

    O blog Entrelinhas do Jogo, do Bem Paraná, lança nessa segunda-feira (dia 10) a série Craques da Imprensa. O objetivo é apresentar os profissionais de imprensa que acompanham o dia a dia de Atlético Paranaense, Coritiba e Paraná Clube. 

    A primeira entrevistada é Nadja Mauad, repórter da RPC e autora do Blog da Nadja.

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Nadja — Eu sempre sonhei em ser atleta. Comecei com a natação, fui para o tênis. Joguei durante 10 anos. Tive a oportunidade de fazer várias viagens, de ter uma rotina de treinos frenética. Pude representar o meu estado em competições nacionais. Fiz amizades para a vida inteira. Mas até me "achar" e levar a sério acabei fazendo vôlei, handebol, hipismo, até remo fiz. Sempre fui uma apaixonada por esporte. Desde pequena vidrada na F1. Quando fui prestar vestibular queria fazer educação física, mas eu queria mesmo viver o bastidor, estar no meio e foi minha mãe que sugeriu o jornalismo.

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Nadja — Um melhor momento? Não tem. São vários. Cobrir finais de Estadual (decisão é decisão), de Copa do Brasil, jogos da Libertadores, UFC, Liga Mundial, Copa do Mundo...contar histórias que emocionam ou são curiosas. Difícil falar em um momento. Talvez por isso seja tão apaixonada. Quem sabe o melhor ainda está por vir? É o que eu quero pelo menos.

    EntrelinhasQual o maior furo de reportagem que você conseguiu?
    Nadja — Difícil pensar em um. Eu sempre gostei da notícia. Jornalista tem a obrigação de ser repórter, na minha opinião. Apurar, ficar ligado. Não pode ser um mero reprodutor de notícia, tem que ir atrás dela. O furo é consequência. Mas o mais importante na minha opinião é a credibilidade. Não ser a primeira a dar uma informação, mas ser aquela que acreditam. 

    Entrelinhas — Aliás, você é conhecida por conseguir publicar contratações de jogadores antes de todo mundo. Qual a fórmula desse sucesso?
    Nadja — Como disse, o furo acaba sendo consequência do trabalho. Antes me preocupava muito com isso e confesso que chegou até a me fazer mal. Me obrigava a não perder nada. Consegui trabalhar melhor isso. A receita é simplesmente fazer o básico, acreditar: apurar, estar ligada e ser jornalista 24 horas. E claro ter uma boa agenda.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    Nadja — Contar histórias. Viver a emoção dos 90 minutos de uma partida de futebol. Cobrir grandes eventos. Ser testemunha de histórias de superação. Poder ver de perto e contar o que é notícia. Isso também é uma responsabilidade gigante. Sou e sempre serei uma eterna apaixonada pelo que faço.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Nadja — Para mim? Eu sou uma pessoa que se cobra demais. Era assim quando tentei seguir a carreira de atleta e continuo assim hoje. A parte mais difícil para mim é essa. Saber lidar com esse mundo - que não é tão glamuroso como muita gente pensa.

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Nadja — Mudou bastante. Antes confesso que me abalava muito com algumas critícas das redes sociais, hoje já lido muito melhor. Tento usar as redes para o que elas têm de melhor: a interatividade com o público. Não tem coisa melhor do que poder trocar uma ideia sobre a rodada, um acontecimento. Eu confesso que gosto das redes sociais, mas tem que saber lidar com as críticas também. 

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Nadja — Meu maior problema não foi com hater. Acabou sendo com "colegas" de profissão. Claro que sempre tem um ou outro que passa do limite.

    Entrelinhas — Ainda há machismo no jornalismo esportivo? Já enfrentou ou testemunhou esse tipo de situação?
    Nadja — Existe sim. Melhorou muito, mas existe sim. Comecei no rádio e na época que me tornei repórter de campo, e vidrada em ir atrás da notícia, escutei muita coisa absurda. Sim, o que você está pensando. Se o homem dá uma notícia o reporter é bom. Se a mulher dá uma informação, o que será que ela está fazendo? Isso, infelizmente, escuto até hoje. O preconceito existe, mas cada vez mais todas nós estamos conquistando o nosso espaço com trabalho, profissionalismo. Mas os olhares tortos continuam sim. Isso sem falar das barbaridades que escutamos nos jogos. #DEIXAELATRABALHAR

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    Nadja — Pelas respostas acima deu para perceber que eu sou uma pessoa extremamente sincera. O que às vezes é até um defeito. Mas sou assim. Apaixonada pelo que faço, defendo o que acredito ser correto e justo. Espero que o pessoal goste.

    RESPOSTAS RÁPIDAS
    Melhor jogador do mundo na história: Que eu vi: Ronaldo, sou fã.
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Messi. A bola gruda no pé dele...parece uma dança.
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Só três? Que eu vi jogar: Alex, Washington, Alex Mineiro, Ricardinho, Saulo, Adoilson, Kleberson, Rafinha....chega a ser cruel citar três.
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses: Wilson, Renan Lodi, Lucho (o cara tem história).
    Melhor técnico do mundo na história: Que eu vi: Guardiola
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Guardiola
    Maior time da história do futebol: que eu vi: A seleção penta em 2002. Time? O Real de Ronaldo, Zidane, Roberto Carlos. O Barça de Messi.

    Clubes do coração: O pessoal tira comigo que eu tenho tanto time. Eu sou uma apaixonada por esporte e pelas pessoas que o praticam. 
    Esportes que já praticou: tênis, volei, handebol, natação, remo, hipismo
    Hobbies: filme, esportes, jogos
    Locais preferidos em Curitiba: minha casa. Sou muito caseira.

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Pedro Bassan, Marcelo Courrege e Tino Marcos
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Rogerio Tavares, Cristian Toledo e Leonardo Mendes Junior

    Currículo resumido: Ensino Fundamental: Bittar e Dom Bosco. Faculdade: PUC-PR. Trabalhei na CBN e na RPC. Ganhei o prêmio de melhor repórter de televisão - prêmio ACEP

  • Coritiba, Abner e os laterais de seleção

    Coritiba, Abner e os laterais de seleção
    Abner (Foto: Divulgação/Coritiba)

    Abner, 22 anos, lateral-esquerdo do Real Madrid. Hoje está emprestado ao Coritiba. 

    Revelado na base do próprio Coritiba, foi titular da seleção brasileira sub-17 no Mundial de 2013. Formou um currículo invejável nas categorias de base.

    Dentro de campo, porém, o 2018 de Abner é assustador. A falha contra o Vila Nova, na derrota desse sábado (dia 8), foi bizarra. Não há justificativa. 

    Quase todos os erros dos jogadores durante a partida são justificáveis ou compreensíveis, mas o que Abner fez no Serra Dourada é difícil de explicar.

    Claro que a derrota não fica apenas nas costas dele. Como virou rotina nessa Série B, quase o time inteiro teve fraco desempenho. 

    LATERAIS DE SELEÇÃO
    O que ocorre dentro do Coritiba é um mistério. E ocorre há anos. Por um lado, o clube tem facilidade para formar laterais nas categorias de base, desde Adriano e Rafinha. Em 2015, por exemplo, cedeu Rodrigo Ramos para a seleção brasileira de juniores disputar o Mundial Sub-20. Naquele mesmo ano, em 2015, chegou a demonstrar alguma qualidade nos dez jogos que disputou no profissional do Coxa. Depois disso, porém, a carreira não decolou. Pelo contrário, só caiu. Hoje, com 23 anos, Rodrigo Ramos vem colecionando atuações fracas pelo clube.

    Henrique Gelain, 23 anos, é outro caso curioso. Também deu demonstrações que poderia se tornar um bom lateral, mas vem caindo de produção a cada ano. 

    Ainda há muito tempo e potencial para que Abner, Rodrigo Ramos e Gelain se recuperam na carreira. Enquanto isso não ocorre, permanece o mistério sobre essa queda brusca de produção dos laterais pratas-da-casa. 

    DODÔ
    Dodô, 19 anos, parece ter escapado dessa “maldição”. Foi comprado pelo Shakhtar Donetsk e hoje está emprestado ao Vitória de Guimarães. Também serviu as seleções de base. Jogou o Mundial de 2015 pela seleção sub-17 e o Sul-Americano 2017 pela seleção sub-20.

  • Atlético é o time que menos “apanha” no Brasileirão 

    Atlético é o time que menos “apanha” no Brasileirão 
    Renan Lodi (Foto: Geraldo Bubniak)

    O Atlético Paranaense é o time que menos sofre faltas no Campeonato Brasileiro 2018, com apenas 12,3 por partida. O mais “caçado” é o Vasco, com 16,1 por jogo. Os dados são do site WhoScored.

    Para alguns, essa estatísticas pode ser apenas uma curiosidade irrelevante. No entanto, pode levar a discussões e análises interessantes.

    A primeira é sobre a arbitragem. O Atlético está sofrendo menos faltas, apanhando menos que os adversários? Ou os árbitros estão marcando menos infrações para a equipe paranaense?

    ESTILO DE JOGO
    Outra análise é sobre o estilo do técnico anterior, Fernando Diniz. Com ele, a equipe abusava das trocas de passes e pouco utlizava os dribles. Foram 12 jogos com o treinador no Brasileirão. Com o técnico atual, Tiago Nunes, foram dez partidas na competição.

    Por conta do estilo Diniz, o Atlético ainda é o último colocado no ranking de dribles do Brasileirão, com média de 7,9 por jogo. Normalmente, as equipes que mais buscam o drible são mais “caçadas”. 

    Com Tiago Nunes, esse tipo de jogada ganhou mais importância, principalmente com a ajuda de Marcinho, que virou titular com o novo treinador, e com Marcelo Cirino, contratado durante a pausa para a Copa do Mundo.

    O FATOR MARCINHO
    Marcinho é o jogador do Atlético que mais sofre faltas (2,3 por jogo) e que mais dribla (1,6 por jogo). Marcelo Cirino apanhou menos (0,8 faltas sofridas por jogo) e também driblou menos (1,3), mas já contribuiu para mudar o estilo da equipe. 

    DISCIPLINA
    O Atlético também tem cometido poucas faltas. É o 14º que mais cometeu infrações, com 14,5 por jogo. Essa estatística também é uma herança de Diniz, do período que a equipe ficava a maior parte do tempo com a bola e era pouco agressiva para recuperá-la. Quem mais bate na competição é o Palmeiras de Felipão, com 18,7 por jogo. Em cartões, o time paulista também é o recordista, com 69 amarelos e quatro vermelhos. O Atlético é o 16º, com 48 amarelos e três vermelhos. 

    COMPARAÇÃO
    O Campeonato Brasileiro ainda é um campeonato com muito contato físico e número exagerado de faltas. O Manchester City, de Guardiola, comete apenas 9,0 faltas por jogo. Veja os números:

    FALTAS POR JOGO

    Brasileirão 2018

    30,7

    Copa do Mundo 2018

    27,6

    Espanhol 18/19

    26,4

    Alemão 18/19

    23,1

    Inglês 18/19

    22

    FALTAS SOFRIDAS
    No Brasileirão 2018
    1º Vasco 16,1
    ...
    4º Paraná 15,6
    ...
    20º Atlético 12,3

    FALTAS COMETIDAS
    No Brasileirão 2018
    1º Palmeiras 18,7
    ...
    5º Paraná 16,0
    ...
    14º Atlético-PR 14,5
    ...
    20º Santos 13,5

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