• 01/10/2018

    'Raça' e 'garra' nunca foram os problemas do Coritiba em 2018

    'Raça' e 'garra' nunca foram os problemas do Coritiba em 2018
    Vitor Carvalho comemora gol contra o Avaí (Foto: Geraldo Bubniak)

    A mitologia do futebol brasileiro leva uma parte da torcida a acreditar que “raça”, “garra” e “sangue nos olhos” sempre são os elementos essenciais para o sucesso de uma equipe. De fato, são ingredientes que fazem parte do jogo, mas nem sempre explicam o fracasso. 

    É o caso do Coritiba em 2018. Em nenhum momento faltou esse espírito de luta por parte dos jogadores. 

    É verdade que, em alguns momentos, a apatia tomou conta da equipe. Mesmo assim, acredito que a melhor explicação para esse fenônemo é a falta de confiança e as doses elevadas de nervosismo e de ansiedade. 

    O grande problema do Coritiba na Série B de 2018 sempre foi a falta de organização dentro de campo e de uma proposta de jogo adequada às características dos atletas. 

    NA BASE DA PORRADA
    Alguns números que ajudam a compreender essa situação. Com o técnico Eduardo Baptista, o Coritiba chegou a ser o líder da Série B em faltas cometidas, com média de 20,5 por jogo, e o segundo time com mais cartões amarelos. Ou seja, não faltava “raça”. 

    Sem Eduardo Baptista, o Coritiba tem tentado “brigar” menos e jogar mais. O time agora é o sexto no ranking de cartões amarelos e apenas o 14º em faltas cometidas (15,8 por jogo). Os dados são do Footstats.

    ORGANIZAÇÃO
    Contra o Avaí, o Coritiba não fez uma partida de alto nível. É até arriscado afirmar que “jogou bem”, porque isso pode criar algumas ilusões. Mesmo assim, foi uma das cinco melhores performances do Coxa em 2018. E talvez a melhor no quesito organização.

    Argel não veio ao Coritiba somente para “domar o vestiário” ou mexer com os brios dos jogadores. Ele não é apenas um motivador, como o blog Entrelinhas do Jogo há havia analisado.

    O DESAFIO
    O desempenho atual do Coritiba é animador, mas não chega a empolgar. Argel ainda tem uma montanha para escalar. E alguns números retratam a fragilidade da equipe. No aspecto defensivo, os problemas são de fácil solução. O grande desafio é a falta de poder de fogo do time.

    O Coxa ainda é apenas o sétimo da Série B no total de finalizações (11,8 por jogo) e o 15º em finalizações certas (3,9). São números bizarros para um elenco com o orçamento desse nível. Para piorar, o time alviverde é o 16º em precisão de passes, com 87,3%. 

  • 24/09/2018

    Atlético começa a ficar com cara de campeão

    Atlético começa a ficar com cara de campeão
    Torcedor do Atlético na Arena da Baixada (Foto: Geraldo Bubniak)

    O Atlético Paranaense de Tiago Nunes começa a ficar com cara de campeão. O futebol apresentado dentro de campo — e a tradicional estabilidade extracampo do CT do Caju — colocam o time como um dos favoritos ao título da Copa Sul-Americana 2018. Veja alguns argumentos a favor dessa ideia.

    ESTILO DE JOGO
    A história recente do futebol mostra que, para ganhar torneios de mata-mata, é preciso ter forte defesa e contra-ataque letal. As competições eliminatórias proporcionam jogos diferentes, com mais disputa física e uma guerra psicológica dentro de campo. Não é preciso dominar o adversário para avançar de fase ou vencer uma final, apenas errar o mínimo possível. Por isso, a solidez defensiva e velocidade do contra-ataque ganham tanta importância. 

    Os pontos corridos são dominados por equipes com futebol propositivo, com meio-campo criativo e jogadores técnicos. Os principais exemplos são os esquadrões de Guardiola (Barcelona, Bayern Munich e Manchester City), que atropelaram os rivais nos pontos corridos, mas tiveram dificuldades em certos momentos de mata-mata.

    O Atlético de Tiago Nunes é especialista no estilo "defesa e contra-ataque". Não é apenas uma equipe reativa. Também consegue controlar os jogos em certos momentos. Na parte tática, o Atlético de Nunes tem aquele jeitão de “time copeiro”

    SUPLENTES
    Na história recente, o Atlético sofreu para encontrar 11 titulares decentes. Agora, tem até uma disputa bem interessante em várias vagas. São quatro bons zagueiros para duas vagas. Três excelentes volantes para duas posições. Nas pontas, Tiago Nunes pode escolher entre Cirino, Marcinho, Nikão, Plata e Rony.

    O ponto positivo dessa lista não é apenas ter um substituto imediato em caso de lesões e suspensões, mas sim contar com opções para mudar o jogo ou se adaptar às características do adversário. Ou seja, o técnico do Atlético conta com “cartas na manga” para chegar a esse título.

    VETERANOS
    Times cheios de veteranos costumam fracassar. A exceção foi o Milan de 2007, campeão da Liga dos Campeões. E equipes com muitos novatos também. A exceção foi o Santos de 2002. No geral, quase todas as competições são vencidas por equipes com mescla de veteranos e novatos. Não se trata de uma “boa média de idade”, mas sim de possuir veteranos em posições estratégicas. E o Atlético tem essa dose de experiência ideal. 

    Na defesa, Paulo André (35 anos) comanda a muralha atleticana com inteligência, visão e liderança. Na lateral, Jonathan (32) é outra referência importante. Lucho González (37) organiza o meio-campo e, no extracampo, serve como modelo de dedicação para os novatos. No ataque, o Atlético ainda conta com Pablo, que tem apenas 26 anos, mas se comporta como um veterano dentro de campo, com uma inteligência tática fora do comum.

    CALENDÁRIO
    O grande obstáculo dos clubes brasileiros na Copa Sul-Americana sempre foi o calendário. Outro ponto é o regulamento que prevê o rebaixamento de quatro equipes. Não por acaso os brasileiros usaram e abusaram de times mistos na história da Sul-Americana. Como o Atlético conseguiu abrir vantagem em relação à zona de rebaixamento e tem remotas chances de chegar ao G6, o torneio continental fica em posição privilegiada no calendário da equipe em 2018. 

  • 20/09/2018

    Ayrton Baptista Jr, a enciclopédia ambulante do rádio e do futebol paranaense

    Ayrton Baptista Jr, a enciclopédia ambulante do rádio e do futebol paranaense
    Ayrton Baptista Jr, o Tusquinha (Foto: Arquivo pessoal/Aryton Baptista Jr)

    Ayrton Baptista Jr é uma enciclopédia ambulante. Tem na cabeça e na ponta da língua uma resposta rápida e completa para as perguntas mais difíceis. E não apenas sobre o futebol paranaense. História do rádio, da política, do cinema... É difícil encontrar um tema não dominado por essa fera da CBN. 

    Conhecido no meio esportivo por Tusquinha, brilhou no time do Bem Paraná por um longo período e hoje mantém um blog no Globoesporte.com. Nessa entrevista da série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, ele conta como teve a audácia de misturar humor com futebol, algo perigoso em tempos de ódio e intolerância online.

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?

    Tusquinha — O sonho era o rádio. Aliás, continuo sendo o sonho, que eu vivo diariamente. 

    Meu pai tinha um Philips nove faixas, um modelo com captação de emissoras de outros estados e países. Ainda eram comuns, na década de 70, os rádios com ondas curtas, que permitiam sintonizar em qualquer canto do planeta, por exemplo, a Rádio Clube Paranaense e a BBC de Londres. 

    Eu ouvia de tudo (futebol, jornalismo, música, humor, variedades) e usava um gravador para fazer o meu “programa”. Os amigos eram os ouvintes, que pediam música. Também narrava os jogos de futebol nos campinhos da vizinhança.

    Uma tia minha, Leila, notou o meu fascínio pelo rádio. Ela conhecia a mulher do Eduvaldo Brasil, que era repórter da Rádio Clube Paranaense, e soube que havia uma função, a de rádio-escuta, que era uma espécie de estágio. O escuta acompanhava emissoras de outros estados e ajudava os titulares do plantão esportivo a apurar os resultados das partidas onde a rádio (a Clube, no caso) não estava pressente. O Eduvaldo me apresentou ao Carlos Kleina, que formou com o Oldemar Kramer a maior dupla de plantão esportivo da História Contemporânea.

    Com 16 anos, no dia 25 de janeiro de 1986, comecei a trabalhar na rua Doutor Muricy, auxiliando o Kleina, o Kramer e o Pedro Rogério Gregoski, que era o outro rádio-escuta. 

    O chefe da equipe era o inesquecível narrador Lombardi Junior (“Braços erguidos ao céu, estremece este gigante de concreto armado”), e o coordenador o comentarista Lourival Barão Marques, que também me incentivou bastante.

    Dois anos depois, o Sidnei Campos me chamou para ser plantão esportivo dos jogos de juniores, que eram transmitidos pela Rádio Paraná, que ficava no mesmo prédio.

    Entrelinhas — Você é de uma família de jornalistas. Seus pais fizeram história no jornalismo paranaense. E seu irmão também foi da crônica esportiva. Conte um pouco sobre essa herança.

    Tusquinha — Meus pais trabalharam em um dos jornais mais importantes de Curitiba: o Diário do Paraná, veículo dos Diários e Emissoras Associados, rede criada pelo Assis Chateubriand, o fundador da televisão no Brasil. Meu pai, Ayrton, se especializou em política. Minha mãe, Neri, teve coluna sobre artes plásticas na Gazeta do Povo.

    A maior herança foi o hábito de ler jornais que eu lia jornal diariamente (Diário do Paraná; Gazeta do Povo; e O Estado do Paraná), embora eu tenha me alfabetizado, segundo a minha mãe, lendo a lista telefônica.

    Mas eu era viciado em rádio e televisão. Meu domingo era do rádio do meio-dia até às 8 da noite. Depois, via os gols na tevê. Observava de tudo: do gerador de caracteres ao número de câmeras utilizadas no Futebol Compacto da TV Paranaense (RPC). Um clássico tinha... duas câmeras!

    O meu irmão, Rodrigo Baptista, entrou no jornalismo nos anos 90. O Jornal do Estado (hoje Bem Paraná), onde ele era repórter, precisava de um alguém para fazer o Tabelão, uma seção com as estatísticas de futebol. O Rodrigo me indicou porque, mesmo fora do rádio, continuava anotando números do futebol.

    De cara, fiz amizade com o Roberto José da Silva, o Zé Beto, que fora repórter da revista Placar e era editor de esportes do Jornal do Estado. No início, eu só cuidava do Tabelão. Depois, escrevi até sobre a previsão do tempo: verificava os dados do Simepar e colocava um molho de atualidade em cima: “Nem Taffarel segura a chuva deste domingo”; “Segundo turno tem esquerda, direita e um guarda-chuva”.

    Hoje, colaboro com tiradas com política e cotidiano com o Blog do Zé Beto, sempre fiel ao meu estatuto: “Humor não tem time. Humor não tem partido”.

    Entrelinhas — Quem já trabalhou com você fica impressionado com seus conhecimentos sobre história do Paraná, da música, do futebol e do rádio. Nunca pensou em escrever livros sobre esses assuntos? Ou prefere mesmo continuar nessa vida de “enciclopédia ambulante”?

    Tusquinha — O livro de futebol eu devo há mais um ano ao editor Flávio Costa. O que falta para os meus livros é disciplina de escritor. Os tais 90% de transpiração.

    Sobre cinema, música, teatro, televisão, carnaval e outras artes eu comento, às vezes, informalmente na  CBN ou no Facebook. 

    Me orgulho de ter contado, com a ajuda do radialista Gilberto Fontoura e do ex-atacante Luizinho Antoniassi, que o Breno Mello jogou no Água Verde. Breno foi o ator principal do filme Orfeu Negro (1959), produção francesa feita no Rio de Janeiro, que ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes e Oscar do filme estrangeiro. Ele disputou o Campeonato Paranaense de 1964.
    O Água Verde teve um Oscar!

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?

    Tusquinha — O melhor momento é o de agora: poder adicionar música e literatura na conversa do futebol e perceber que os ouvintes e leitores gostam deste lado pitoresco e curioso.

    Na CBN, onde estou desde 2011, puxado pelo Valmir Gomes, comecei a contar curiosidades antes de um Atletiba, por sugestão do operador de áudio Keller da Silva. O Valmir e o Paulo Cesar Tiemann compraram a ideia, ampliada mais tarde no quadro CBN Futebol Alternativo, ideia do Marcio Miranda.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?

    Tusquinha — Conviver com gente que jogou profissionalmente, como Hidalgo, Sicupira, Cláudio Marques, Serginho Prestes, Caxias, Gilberto César, Picolé, Jairo Silva...

    Estes caras jogaram e acham (veja só!) que eu entendo de futebol.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?

    Tusquinha — No rádio, uma dificuldade é tentar não ser repetitivo mesmo falando em vários horários.

    A outra é o calendário maluco. Na terça, o jogo começa às 7 e 15, na quarta às 9 e meia, domingo tem à tarde e à noite, ou de manhã e à noite. Quarta-feira é um dia em que vivo quinze horas ligado de futebol: produzo o noticiário durante o dia e vejo o jogo à noite. Mas é parte do processo. Quem está na chuva é para se queimar, como diz o Ary Toledo (que colocou esta e outras frases na boca do Vicente Matheus).

    Outra dificuldade, no meu caso, é a falta de tempo para a cobertura de outros esportes. 

    Há também a instabilidade do meio rádio. Sinto falta de trabalhar com amigos-irmãos, como Valmir Gomes, Paulo Cesar Tiemann, Edson Thomaz, Bruno Abdala, Gustavo Marques, Cesar Junior, entre outros.

    E sinto a falta das transmissões do narrador Edgard Felipe. No ar, ele era extrovertido. No churrasco com os amigos, bem reservado.  Quando ele morreu, em 2016, éramos bem amigos. Ele tinha uma vasta cultura sobre música caipira. Eu dizia que ele precisava montar um espetáculo com causos e canções.
     
    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?

    Tusquinha — Muito. Mexeu com os profissionais e com as mídias tradicionais. 

    Tento falar com quem ligou o rádio sem ter ideia do que aconteceu durante o dia, mas também com aquele ouvinte que ligou a CBN depois de se informar pela internet. Aqui, entram as curiosidades. 

    Nesta semana, devido ao jogo do Atlético em Caracas pela Copa Sul-Americana, falei sobre um time venezuelano, a Portuguesa de Acarigua, que fez barulho na Copa Libertadores da América, em 1977. A Portuguesa contratou o lendário Jairzinho, o “Furacão do Tri”, artilheiro da Copa do Mundo de 1970, e passou invicta pelas seis rodadas da primeira fase. Um feito extraordinário para a Venezuela. Depois, o time de Acarigua ganhou do Internacional, 3 a 0, mas foi goleado pelo Cruzeiro, 4 a 0.

    Durante os jogos, publico tiradas no Twitter e no Facebook. O Twitter me ajudou a exercitar a síntese no texto. Sei que alguns leitores me acompanham nas redes sociais e outros no blog.

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 

    Tusquinha — Já. Quando comecei a ser blogueiro, recebia mensagens do tipo “quando te encontrar, vou quebrar a tua cara”. Depois, creio, perceberam que a zoeira é para todos e não especifica para algum time.

    Os que me acham um idiota não querem mais quebrar o meu nariz.

    Entrelinhas — Você tem um blog que mistura humor e futebol. Como foi a ideia desse blog e como consegue manter o bom humor nesse desgastante dia a dia do jornalismo?

    Tusquinha — O Boleiros & Barangas é uma sequência do Craques e Caneladas, lançado em 2007, no portal Bem Paraná. A Josianne Ritz, chefe de redação, me convidou para fazer um blog “bem Tusquinha”. O pessoal do meio já me associava ao humor. Peguei a liberdade deste termo “bem Tusquinha” e parti para o ataque.

    Em 2011, o Sergio Tavares Filho, editor do G1 Paraná, propôs que eu levasse este espírito para o GloboEsporte.com. Estou lá há sete anos.

    Quanto ao desgaste, para quem tenta fazer humor a desgraça é quando a tirada não vem. Felizmente, tem vindo. Posso estar mal humorado, mas quando surge a primeira ideia o dia fica mais bonito...

    No texto, sinto uma liberdade maior para a zoeira. No rádio, tenho mais cuidado, Se eu conto mal a piada (com ou sem graça), ela já foi para o ar...  Não tem como voltar.

    O porquê do apelido é outra longa história.

    Dizem que eu sou normal, mas isto não vai ficar assim.

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?

    Tusquinha — “O que você seria se não fosse jornalista esportivo?”

    Eu seria um famoso animador de auditório ou um cultuado cineasta francês.


    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS

    Melhor jogador do mundo na história: Pelé. Vi muitas imagens. Então, acho que posso dizer que vi Pelé jogar. Um pouco, pelo menos.

    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo.

    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Dos que vi cotidianamente, João Antônio (Paraná), Lela (Coritiba) e Fernandinho (Atlético).

    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson (Coritiba), Pablo (Atlético) e Dagoberto (Londrina)

    Melhor técnico do mundo na história: Rinus Michels, o do “Carrossel Holandês” da Copa do Mundo de 1974. Moderno há mais de 40 anos.

    Melhor técnico do mundo na atualidade: o Rinus Michels, que morreu em 2005, e ainda não conseguiu ser sequer imitado.

    Maior time da história do futebol: Brasil campeão mundial em 1970. Do futebol brasileiro, que eu vi com mais frequência, o Palmeiras campeão paulista em 1996.

    Maior time da história do futebol paranaense: o Atlético, vice-campeão brasileiro em 2004. Na goleada sobre o São Caetano, por 5 a 2, na Arena da Baixada, inesquecível o segundo gol: a jogada começou com o Fernandinho na lateral-direita, no campo de defesa, e terminou com um chute de Dênis Marques, após toques de Jadson, (novamente) Fernandinho e Washington.

    Melhor jogo de futebol que já assistiu:

    Pela alternância, Paranavaí 3, Rio Branco 3, pelo Campeonato Paranaense de 2007. O Rio Branco abriu 2 a 0,o Paranavaí virou, o Rio Branco empatou e carimbou duas vezes a trave.

    Pela alternância com doideira, o segundo tempo de Atlético 5, Tubarão 4, pela Copa Brasil de 2018. Nove gols em 40 minutos!

    Pelo passeio, Coritiba 6, Palmeiras 0, na Copa do Brasil de 2011.

    Pelo erro zero na marcação, Palmeiras 0, São Paulo 0, pela Libertadores de 1994.


    Clube do coração: Aquele que goleou o Flamengo, em 2003, aqui em Curitiba.

    Ídolo fora do esporte: A lista é grande. 

    Alguns do cinema: os diretores Júlio Bressane, Glauber Rocha e Alain Resnais e as atrizes Helena Ignez, Maria Lucia Dahl, Isabelle Huppert, Miou-Miou e Charlotte Gainsbourg;
    Do Bressane digo que o filme quando é bom é... sublime! Quando é ruim...

    Da música: Caetano Veloso, Chico Buarque, Kelly Key, Marina Lima e a compositora russa Galina Ultsvoskaya.

    Esportes que já praticou: Só futebol perto de casa. Jogar não era o termo exato. Eu era um privilegiado que via a pelada dentro de campo,
     
    Hobbies: Leitura, cinema, teatro e museu.

    Locais preferidos em Curitiba: Cinemateca, Cineplex Novo Batel e Museu Oscar Niemeyer

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Álvaro José (Grupo Bandeirantes), Paulo Vinicius Coelho (Fox Sports) e Lédio Carmona (Sportv).

    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Nadja Mauad (RPC), Napoleão de Almeida (UOL) e Lycio Vellozo Ribas (Bem Paraná).

    Currículo: Sou curitibano, nascido em 1969. Estudei nos colégios Martinus, Prieto Martinez, Positivo e Dom Bosco. Não tenho formação universitária. Estava passando na frente e, como diz o Edu Brasil, aproveitei bem a porta aberta. Trabalhei nas rádios Clube Paranaense, Paraná, Banda B, Globo e CBN, onde estou desde 2011. Escrevi sobre futebol e (eventualmente) teatro no Jornal do Estado. Também sobre artes, comentei no extinto portal Curitiba Interativa. Fiz parte do FutebolPR, o primeiro site especializado em futebol paranaense, lançado em 2003, por Armindo Berri, Altair Santos, João Carlos de Santa e Roberto Karam. Fui comentarista de carnaval em projetos de webtv do jornalista Kândido de Oliveira e da ÓTV. Também atuei no departamento de pesquisa de uma agência de publicidade: a OpusMúltipla, uma das maiores de Curitiba. 

  • 19/09/2018

    O Paraná Clube voltará mais forte em 2019

    O Paraná Clube voltará mais forte em 2019
    A Vila Capanema (Foto: Geraldo Bubniak)

    A campanha do Paraná Clube no Brasileirão 2018 instigou os pessimistas de plantão. Baseados apenas na tabela, os comentaristas de resultado tentam criar um clima de tragédia no clube. 

    No entanto, o clube vive seu período de maior organização desde o final dos anos 90. Lá no final daquela década, as principais fontes de arrecadação secaram no Paraná. Os dirigentes se perderam e uma série de decisões amadoras foram depredando a estrutura do clube. A crise financeira varreu o time para a segunda divisão. 

    A pressa em retornar para a primeira divisão agravou a situação, com gastos fora da realidade e com pouca preocupação com a estrutura do clube.

    FIM DO AMADORISMO
    Para se ter uma ideia do abismo em que o Paraná estava, o então vice de futebol, Aramis Tissot, deu uma entrevista em 2009 afirmando que o clube ainda não tinha profissionalizado seu departamento de futebol. 

    A profissionalização só foi concluída totalmente em 2017, com a chegada de Rodrigo Pastana. A partir dali, o Paraná passou a viver outra realidade.

    RESPONSABILIDADE
    A gestão de Leonardo de Oliveira teve como principal mérito controlar as finanças do clube. É verdade que as dívidas chegam a R$ 156 milhões, mas a diretoria tomou uma série de decisões que permite o clube domar esse montante. Antes, os débitos saíram do controle e faltava dinheiro em caixa para salários e outras despesas básicas. Hoje isso não ocorre mais. O departamento de futebol ganhou estabilidade.

    A decisão mais corajosa de Leonardo de Oliveira foi controlar os gastos em 2018. A tentação de qualquer dirigente seria contratar reforços caros, com o objetivo de fugir do rebaixamento. Seria uma estratégia arriscada. Vários clubes com elencos caros acabaram caíndo para a Série B e acumularam dívidas imensas para o sofrido cenário financeiro da segundona.

    A diretoria atual montou um dos times mais baratos da Era dos Pontos Corridos do Brasileirão. Não há dados precisos, mas é pouco provável que alguém tenha disputado a competição com um elenco tão barato. E, se os resultados foram péssimos, o desempenho não foi tão ruim. O Paraná apresentou bom futebol em várias partidas e perdeu em lances inexplicáveis — além dos erros de arbitragem em momentos cruciais.

    ESTRUTURA
    Como não fez loucuras em 2018 e ainda conseguiu investir em estrutura, o Paraná voltará mais forte em 2019, independente de qual divisão esteja. Se for rebaixado, a arrecadação será menor. Mesmo assim, o departamento de futebol tem hoje organização suficiente para conseguir o acesso em, no máximo, três anos. Não serão mais dez anos de segundona. 

  • 18/09/2018

    Conheça João Carlos Azevedo, o jornalista da "agenda mágica"

    Conheça João Carlos Azevedo, o jornalista da
    João Carlos Azevedo e sua 'agenda mágica' (Foto: Felipe Jung)

    João Carlos Azevedo fez história no jornalismo pré-internet. Na época, os clubes não tinham assessores de imprensa e as informações raramente chegavam aos jornais, rádios e tvs. Era preciso caçar a notícia, correndo atrás dos personagens e gastando o dedo discando o telefone por longas horas. 

    Sim. Os telefones tinham discos e não teclas. 

    Foi nesse mundo que João Azevedo criou sua “agenda mágica”, com telefones de fontes, empresários, personagens, jogadores, dirigentes e técnicos. Com ela, conseguiu furos jornalísticos históricos, como a chegada do técnico Telê Santana ao São Paulo.

    João emprestou seu talento ao Bem Paraná – chamado de Jornal de Estado na época – nos anos 90. Em seguida, foi para a TV Globo, a RPC, onde ficou por 15 anos. Hoje é gerente de jornalismo da Band Paraná e comentarista do programa Conversa de Boteco.

    Nessa entrevista da série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, João mostra sua visão sobre o jornalismo e sobre o futebol paranaense.

    Entrelinhas do jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    João Carlos Azevedo — Primeiro quero agradecer pelo convite para participar desta seleção de craques. Assim como qualquer menino o sonho era ser jogador de futebol, mas não deu certo. O motivo nem preciso comentar (rs). E como sempre gostei de futebol – assistia muitos jogos, lia jornais e escutava os jogos pelo rádio. O jornalismo foi a porta de entrada para estar perto do campo, perto dos craques. Já na faculdade – fiz o curso de comunicação na FMU – Faculdade Metropolitana Unidas, em São Paulo. Lá, já fui conhecendo os caminhos para chegar ao jornalismo esportivo. O caminho era competitivo, mas deu certo. E estou na área até hoje.  

    Entrelinhas — Você passou a maior parte da carreira como produtor, nos bastidores. Os jornalistas te conhecem pela habilidade com sua “agenda mágica”, seus contatos e sua facilidade para construir pautas. Como explicar para o torcedor a importância do trabalho do produtor, esse cara dos bastidores do jornalismo?
    João —
    Quando entrei na Rádio Record, em São Paulo, em 1990, a rádio tinha um coordenador chamado Cesar Teixeira, o Cesinha, um cara que já tinha uma boa agenda. Eu fui apenas melhorando, mas a agenda mágica, aquela que você conheceu, ficou importante a partir do momento que fui para a Rádio Globo. Lá já tinha experiência, já conhecia as pessoas. Trocava muitas informações com outros jornalistas de São Paulo e de fora do Estado. E o diferencial foi acompanhar os repórteres nos treinos, nos jogos. Enquanto eles faziam as reportagens eu conversava com os jogadores, com os dirigentes, com as pessoas dos clubes. Então, as notícias chegavam com mais facilidade. O jornalismo era muito mais emocionante. Você tinha a notícia, tinha o furo de reprotagem. Não recebia tudo pronto dos assessores de imprensa como acontece hoje. 

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    João — O melhor momento é o presente. Mas passei por vários, como a cobertura da Copa de 1994. A cobertura dos títulos mundiais do São Paulo, em 92 e 93, por serem transmissões feitas de madrugada. Eu comandei a equipe que estava no Japão, nos dois anos. Depois vieram outras Copas. A partir de 1999 já estava na TV. Aí foram outros desafios. Fiz muitas coberturas de transmissões para a TV – futebol, futsal, vôlei, basquete, vôlei de praia. Mas teve uma que foi especial: a cobertura do Mundial de Canoagem, em Foz do Iguaçu. Um esporte diferente, com regras diferentes.  

    Entrelinhas — Qual o maior furo de reportagem que você conseguiu?
    João — Foram vários. mas um que vale destacar foi a chegada do técnico Telê Santana, ao São Paulo. Levantei a informação com uma fonte. E confirmada em seguida pelo presidente do clube. Demos em primeira mão na Rádio Record.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    João — É ser jornalista esportivo. É passar informação sobre o time de coração dos nossos ouvintes, telespectadores, leitores. É ser reconhecido pelo trabalho que você faz, dentro e fora da sua emissora.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    João — Todos que trabalham com o jornalismo esportivo, em específico com o futebol, torcem para o um time. Só que alguns torcedores não entendem. Acham que você sempre está torcendo por este ou aquele e já querem agredir. Então, essa é a parte complicada. Por isso, não revelo meu time de coração.

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    João — Sim. E muitas. Só dá um pouco mais de trabalho, porque você tem que checar bem as informações, porque as redes sociais aceitam tudo. Todo mundo é repórter. Todo mundo sabe tudo. Então, é preciso checar bem as informações.

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    João — Já. Mas é melhor não comentar muito.

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    João — Só gostaria de lembrar e agradecer de algumas pessoas que me ajudaram nessa carreira. A começar pelos meus pais, por acreditarem na escolha da minha profissão. Sem eles não seria possível. Depois agradecer aos profissionais com quem tive o prazer de trabalhar nessa caminhada, que já dura mais de 20 anos: Ari Pereira Jr (este foi o louco que me deu a primeira oportunidade), Osmar Santos, Oscar Ulisses, Suel Neves De Daca (esse era fera nos bastidores, aprendi muito com ele), Jorge De Souza, Osvaldo Pascoal, Henrique Guilherme e Márcio Bernardes (meu professor na Faculdade e na Rádio Globo). Gil Rocha e Paulo Rosa, pela parceria na RPC. Sidnei Campos, que que foi me buscar em São Paulo. Os parceiros do Jornal do Estado/Bem Paraná: Lycio Vellozo Ribas, Silvio Rauth Filho, José Marcos e Flavio Costa. E por último: Amado Osman, meu atual diretor na Band Paraná. Profissionais de alta qualidade.   

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
    Melhor jogador do mundo na história:
    Pelé
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Sicupira, Ricardinho, Dagoberto
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson (Coritiba), Pablo (Atlético) e Dagoberto (Londrina)
    Melhor técnico do mundo na história: Telê Santana
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Guardiola
    Maior time da história do futebol: Real Madrid
    Maior time da história do futebol paranaense: Paraná Clube tetra de 1996
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: Palmeiras 4x4 São Paulo. Oito gols, pênalti perdido e gol de empate no último minuto. O último lance do jogo era um pênalti para o São Paulo, que vencia por 4x3. O Careca acerrou o travesão e, no contra-ataque, o Palmeiras empatou. 

    Clubes do coração: melhor não declarar
    Ídolos fora do esporte: meus pais, meus irmãos e meus amigos
    Esportes que já praticou: futebol, basquete, judô
    Hobbies: assistir futebol e séries, e jogar futebol
    Locais preferidos em Curitiba: estádios, parques e alguns botecos
    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Tino Marcos, Márcio Bernardes e José Calil
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Jairo Silva, Gil Rocha e Paulo Rosa

    Currículo: 
    - João Carlos Gonçalves de Azevedo, 50 anos. Casado. Pai da Anna Laura.  
    - Estudou em São Paulo. Nos Colégios Santa Gema e São Bento. Fiz duas Faculdades – Jornalismo e Direito, ambos os cursos na FMU. Trabalhei nas Rádios Record e Globo, em São Paulo. Em Curitiba trabalhei nas Rádios Clube e CBN. Passei pelo Jornal do Estado. E trabalhei na RPC TV, durante 15 anos. Hoje estou na BAND PARANÁ. Sou Gerente de Jornalismo e também comentarista no programa CONVERSA DE BOTECO. Recebi por duas vezes o Prêmio de Melhor Produtor Esportivo em São Paulo. Aqui em Curitiba também recebi esse prêmio. Mas o melhor prêmio dessa profissão é ter a oportunidade de conhecer os profissionais da área (jogadores, dirigentes, narradores, repórteres e amigos da área)

  • 17/09/2018

    Fucks não é só um motivador e pode melhorar o rendimento do Coritiba 

    Fucks não é só um motivador e pode melhorar o rendimento do Coritiba 
    Pelaipe e Argel Fucks (Foto: Geraldo Bubniak)

    Argel Fucks ganhou o rótulo de “motivador”. Ou de “técnico de tiro curto”. De fato, esses dois rótulos fazem algum sentido. Nesses dez anos de carreira, ele fez vários trabalhos de curto período e ficou famoso por sacudir o ambiente dos clubes. 

    No entanto, Fucks é mais do que isso. Demonstrou em alguns trabalhos que pode melhorar o rendimento tático e técnico do Coritiba em 2018. 

    Dois dos melhores analistas de futebol do Brasil fizeram estudos bem interessantes sobre o trabalho de Fucks. Nesse link, o jornalista Leonardo Miranda apresentou um completo “raio-x” do trabalho do técnico no Figueirense

    Nesse outro link, o analista de desempenho Caio Gondo detalhou o trabalho do treinador no Internacional.

    FAÇANHA
    A tendência é que o desempenho do Coritiba melhore nessas 11 rodadas finais da Série B, mas só uma façanha épica vai levar o time à primeira divisão em 2018. Não é impossível, mas é pouco provável.

    Também é difícil avaliar se a contratação de Argel Fucks vale a pena a essa altura do campeonato. Digo isso em relação à questão financeira. Suponho que o salário do novo treinador não tenha “padrão Série A”. Se veio ganhando dentro da realidade da Série B, então é uma aposta válida.

    INTER
    O auge da carreira de Argel Fucks foi no Internacional, em 2015 e 2016. Ficou 11 meses no cargo. Foram 61 partidas e 33 vitórias (62% de aproveitamento dos pontos disputados). Como comparação, o Coritiba tem 44% de aproveitamento na Série B de 2018.

    No clube gaúcho, Argel teve a segunda melhor campanha no returno do Brasileirão de 2015, mas não foi o suficiente para garantir vaga na Libertadores. Em 2016, conquistou o Gauchão. Em seguida, acabou demitido após uma série de resultados negativos.

  • 16/09/2018

    Robson De Lazzari é o quarto entrevistado da série Craques da Imprensa

    Robson De Lazzari é o quarto entrevistado da série Craques da Imprensa
    Robson De Lazzari (Foto: Arquivo pessoal/Robson De Lazzari)

    Robson De Lazzari é um apaixonado pelo futebol. Filho e irmão de jogadores profissionais, o repórter da rádio Transamérica e da Rede Massa vive o esporte com intensidade e dedicação incomparáveis. No jornalismo, sua marca é a coragem e a persistência para buscar a notícia, mesmo que ela desagrade haters, poderosos e chatos de plantão. “Não dá só pra se juntar ao coro dos contentes. É preciso também ver o lado dos insatisfeitos”, afirma De Lazzari, em uma das excelentes respostas dessa entrevista.

    O incansável De Lazzari é o quarto entrevistado da série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, do Bem Paraná. 

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Robson
    — Desde que me entendo por gente, sempre fui viciado em futebol. Aos poucos, fui me viciando em rádio esportivo também.  O esporte sempre fez parte da minha casa. Meu pai foi jogador de futebol. Minha mãe professora de educação física. Com uns 10 ou 11 anos de idade, a decisão estava tomada. Eu queria ser jornalista esportivo.

    Entrelinhas — Você vem de uma família de jogadores de futebol (pai e irmãos). Você também chegou a tentar a carreira de atleta?
    Robson
    — Sem nem metade do empenho que o meu irmão teve, até tentei. Mas meu lugar era outro. Dentro das quatro linhas, só goleiro de pelada mesmo.

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Robson
    — A cobertura da Copa de 2010 na África do Sul. Jamais imaginei nos meus melhores sonhos, que um dia deixaria e chegaria ao Brasil no mesmo voo da seleção.

    Entrelinhas — Qual o maior furo de reportagem que você conseguiu?
    Robson
    — Não foi um furo específico ou individual. Na Gazeta do Povo, entre 2009 e 2010, quando a Copa do Mundo foi confirmada pra Curitiba, fizemos um trabalho muito forte em equipe acompanhando dia a dia tudo que cercava o Mundial de 2014 na cidade. Estádio escolhido, viabilidade financeira, obras prometidas pela cidade. Cobranças e revelações com situações que até hoje ainda não estão totalmente resolvidas. Me lembro de uma exclusiva dentro do gabinete do governador Orlando Pessutti. Algo que quando comecei a trabalhar com esportes, jamais pensei que aconteceria. 

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    Robson
    — É trabalhar com o que se ama desde pequeno. É tornar algo tão prazeroso, que nem parece trabalho.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Robson
    — Especialmente no futebol, lidar com a paixão dos torcedores não é simples. Claro, é preciso respeitar clubes, profissionais, dirigentes, torcedores e todos envolvidos no meio. Mas tudo isso, sem perder a capacidade de cobrar e de sempre dizer a verdade. Não dá só pra se juntar ao coro dos contentes. É preciso também ver o lado dos insatisfeitos.

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Robson
    — Totalmente. As redes sociais aceleraram a circulação da notícia para a velocidade de um estalo de dedos. É um desafio, publicar (se possível antes), mas sem deixar de apurar com correção. Hoje, não me passa pela cabeça nenhum veículo que não tenha apoio nas redes sociais.

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Robson
    — Já. Mas considero normal por essa questão de lidar com a paixão das pessoas. Quando passa dos limites (ofensas) bloqueio e pronto. Nos estádios, no início, me importava com alguns xingamentos de uma minoria. Hoje, entra por um ouvido e sai por outro.

    Entrelinhas — Você já cobriu duas Copas do Mundo. Como foram essas aventuras?
    Robson
    — Foi incrível. Tive a oportunidade de cobrir duas. A de 2014, em Curitiba, foi especial por ser na nossa cidade e por todo acompanhamento desde a escolha das sedes. A de 2010, para mim, a mais impactante. Estive em todos os treinos, entrevistas e jogos da seleção brasileira na África do Sul. Ali me senti realizado como profissional. Um dia o Tostão sentava ao meu lado, no outro o Juca, no outro o PVC, no outro o Mauro Naves.....

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    Robson
    — Queria direcionar o “tema livre” para os que sonham em trabalhar com jornalismo esportivo. O mercado está cada vez pior, as vagas mais raras e os salários achatados. Mas, se existe o sonho como um dia o meu existiu, nunca desistam. Eu não imagino existir profissão mais apaixonante.

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
    Melhor jogador do mundo na história: Pelé
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Messi
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Só três? Impossível. Caju, Fedato, Cireno, Jakson, Zé Roberto, Sicupira, Kruger...e os que eu vi, Rafael, Tostão, Kléberson, Alex Mineiro, Alex, Saulo, Adoílson, João Antônio, Kléber Pereira, Kelly...
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson, Lucho e Dagoberto
    Melhor técnico do mundo na história: Lula
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Guardiola
    Maior time da história do futebol: Santos, do Pelé
    Maior time da história do futebol paranaense: Atlético de 49 e Coritiba tri 71, 72 e 73
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: In loco, Atlético 5 x 2 São Caetano, 2004.

    Clubes do coração: Não revelo. Há muita intolerância quanto ao tema
    Ídolos fora do esporte: Nelson Mandela, Yuri Gagarin, Barack Obama
    Esportes que já praticou: futebol, futsal, vôlei, basquete e handebol
    Hobbies: Cinema e ficar com minha esposa e com meu filho
    Locais preferidos em Curitiba: Minha casa, Confraria Água Verde, Pastelaria Juvevê e Parque Tingui

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: André Rizek, Juca Kfouri e PVC
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Leonardo Mendes Júnior, Guilherme de Paula e Carneiro Neto

    Currículo: Na infância morei em Curitiba, Nova Iorque e Paranaguá (extremos). Em Curitiba estudei na Umbrella, Dinâmica, Integral, Loureiro Fernandes e Dom Bosco. Em Paranaguá, Instituto de Educação e Leão XIII. Nos EUA, não lembro o nome do colégio. Me formei em jornalismo na Universidade Tuiuti do Paraná. Recebi os prêmios de revelação da crônica esportiva em 2002 e de melhor repórter de televisão em 2012. Por ordem cronológica, trabalhei nas rádios Eldorado, Educativa, Colombo, Cidade e CBN; no jornal Gazeta do Povo; na RPC. Desde 2014 trabalho na Rádio Transamérica e na Rede Massa.

  • 14/09/2018

    Pablo e Ricardo Oliveira dividem a “artilharia aérea” do Brasileirão

    Pablo e Ricardo Oliveira dividem a “artilharia aérea” do Brasileirão
    Pablo: quatro gols de cabeça no Brasileirão (Foto: Geraldo Bubniak)

    O atacante Pablo, 26 anos, e o centroavante Ricardo Oliveira, 38 anos, dividem a “artilharia aérea” do Campeonato Brasileiro 2018. Os dois são os jogadores que mais marcaram gols de cabeça na competição: quatro cada. 

    Pablo depende mais desse tipo de jogada para disputar a artilharia. Dos oito gols na competição, quatro foram de cabeça e quatro com o pé direito.

    Ricardo Oliveira tem dez gols no torneio: quatro de cabeça, três de pé direito e três com a canhota. O centroavante do Galo foi mais eficiente nesse tipo de jogada. Só precisou de 13 finalizações de cabeça para anotar os quatro gols na jogada aérea. Pablo tentou 20 cabeceios para chegar aos mesmos quatro gols pelo alto.

    MAIS GOLS DE CABEÇA

    1º Pablo (Atlético-PR) e Ricardo Oliveira (Atlético-MG).......4

    2º Quinze jogadores...............................................................2

     

    MAIS FINALIZAÇÕES DE CABEÇA

    1º Pablo (Atlético-PR)..........................................20

    2º Damião (Inter)...............................................19

    10º Ricardo Oliveira (Atlético-MG)..................13

     

    GOLS DE CABEÇA

    1º Atlético.........................................................9

    2º Inter, Cruzeiro e Atlético-MG....................8

    ...

    20º Paraná e Vasco........................................2

     

    FINALIZAÇÕES DE CABEÇA

    Média por jogo

    1º Inter................................3,0

    ...

    13º Atlético..........................2,0

    ...

    20º Vitória..........................1,5

    O JOGO AÉREO
    Pablo colocou o Atlético Paranaense na liderança do ranking de gols de cabeça do Brasileirão, com o total de nove. Os outros gols desse tipo foram marcados por Zé Ivaldo (1), Marcelo Cirino (1), Paulo André (1), Raphael Veiga (1) e Thiago Heleno (1).

    A EVOLUÇÃO
    Pablo foi goleador nas categorias de base. Marcou dez gols na tradicional Taça BH de 2011. Naquele mesmo ano, acabou promovido ao profissional. Disputou quatro jogos no Brasileirão daquele ano e não marcou gols. Era o ano do rebaixamento e o atacante teve dificuldade para se encontrar naquela bagunçada equipe. Depois de ser usado como lateral, volante, meia e extremo, Pablo só teve duas grandes chances como centroavante no profissional: no Brasileirão 2016 e agora em 2018. E assumiu a artilharia da equipe nas duas ocasiões.

    Em 2016, mesmo com André Lima e Walter no elenco, Pablo terminou como artilheiro do Atlético no Brasileirão, com nove gols em 33 jogos. André Lima fez cinco gols em 26 partidas naquela edição e Walter, três em 19. 

    Agora, no Brasileirão 2018, Pablo é novamente o artilheiro, com oito gols em 23 jogos.

    MAIS QUE UM CENTROAVANTE
    E Pablo não contribui para o Atlético apenas com gols. Sua maior qualidade, na verdade, é tentar participar de todas as fases do jogo. Sem a bola, tem uma aplicação invejável, lutando para recuperar a posse. Com a bola, tem movimentação inteligente e abre espaços para a infiltração dos demais jogadores. Também sabe jogar como “pivô” e preparar a jogada. Já deu 27 passes para finalizações dos colegas nesse Brasileirão 2018.

  • 13/09/2018

    Napoleão de Almeida é o terceiro entrevistado da série Craques da Imprensa

    Napoleão de Almeida é o terceiro entrevistado da série Craques da Imprensa
    Napoleão de Almeida: o mais completo da imprensa paranaense (Foto: Arquivo pessoal/Napoleão de Almeida)

    Napoleão de Almeida é o terceiro entrevistado da série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, do Bem Paraná. Jornalista do UOL e do Bandsports, o curitibano é um dos profissionais mais completos da imprensa paranaense. Já impressionou pela qualidade dos textos no jornal, pelos furos de reportagem nos sites online, pela segurança na apresentação de programas televisivos e pelas narrações vibrantes no rádio e na TV.  

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Napoleão
    — Era sonho de infância, mas eu nem sabia, rs. Sabia que gostava de comunicação. Costumo dizer que quando o cara não vai bem na linha, mandam pro gol; se não vai bem pro gol, mandam pro apito. E se não serve nem pra juiz, vira jornalista! Meu avô adorava futebol e me passou isso. Eu ficava jogando futebol de botão sozinho, narrando jogos, escrevendo matérias dos jogos.., sou realizado por fazer o que amo e ainda poder pagar as contas.

    Entrelinhas — Você já fez de tudo um pouco na imprensa esportiva. Foi apresentador de TV, narrador na TV, locutor no rádio, repórter de jornal, colunista... A lista é longa. Era seu plano inicial fazer de tudo um pouco ou acabou acontecendo? E quais as vantagens e desvantagens de trabalhar em tantas mídias diferentes?
    Napoleão
    — Eu penso que a gente tem que saber fazer de tudo um pouco pra se virar na hora do aperto. No Paraná eu não sou tão conhecido como narrador, diferente daqui, em São Paulo. Eu virei narrador depois de tentar ser músico, tinha banda e tudo mais. Foi aí que me deu o estalo, depois de três anos de curso de técnica vocal: “por que não juntar as paixões?” Mas não é tão simples. Aí fui estudar jornalismo depois de já formado em publicidade. E os espaços para narrar não são muitos, muito menos aí no Paraná. Então ia fazendo o que pintava, sempre com muita vontade e dedicação. E fui aprendendo muito. Eu vejo muitas vantagens, me sinto um profissional preparado para lidar com qualquer mídia e qualquer função. Como desvantagem, um certo mito de que narrador não pode lidar com notícia, de que é showman. Não concordo.

    Entrelinhas — Você conseguiu alguns furos jornalísticos expressivos ao longo da carreira. Tem algum que é seu favorito ou que provocou maior repercussão?
    Napoleão
    — Não, eu não tenho essa tara. Notícia fica velha no minuto que sai, a gente já tem que estar ligado no passo seguinte. Claro que é legal se antecipar, ficar sabendo de algo e noticiar. Mas acho que o mais importante é contar a história bem, com detalhes, contextualizando. Eu sou de ouvir muita gente, checar uma, duas vezes antes de publicar algo. Acho isso fundamental. Erros acontecem, mas no geral eu prefiro contar bem a história do que ter a ânsia do furo, até porque hoje em dia existem muitas fontes de informação, na cabeça do leitor o ineditismo da notícia vai com quem ele leu primeiro. E ainda nessa linha, e você pode me desmentir se quiser: muita gente acha que eu e alguns colegas disputamos à tapa esse negócio. Que nada. A gente costuma se ajudar muito. Eu troco informações à toda hora com amigos que confio no meio. Muitas vezes abrimos mão do “furo” juntos, para dar a informação melhor e mais completa.

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Napoleão
    — Eu tive grandes momentos, muito felizes, sempre de me sentir realizado. Mas penso que em termos de impacto foi a chance de narrar ao vivo para todo o Brasil, pela Band, a medalha de ouro olímpica da vela na Rio 2016. Foi meu trabalho de maior alcance. Ainda que eu adote como lema fazer sempre um ótimo trabalho, dentro do que eu conseguir, desde que comecei a narrar futsal na rádio Educativa AM aí do Paraná, acompanhando o time do Ricardinho na Série Prata local. Deviam estar escutando minha mãe e a namorada, mas pra mim era final de Copa do Mundo.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    Napoleão
    — Fazer o que eu amo. Acordar todos os dias e parecer que tudo é uma grande brincadeira daquele piá que ficava jogando botão a tarde toda.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Napoleão
    — Privar-se do convívio da família nos finais de semana é algo que pesa. Jornalista esportivo não tem sábado, domingo ou feriados. Segue o calendário das disputas. Fazemos com amor, mas é trabalho e exige sacrifício.

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Napoleão
    — Sim, tudo ficou mais imediato. Estamos mais cobrados, mais expostos. Eu uso muito as redes pra dialogar com meu público e nem sempre isso é possível de maneira positiva. 

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Napoleão
    — Sigo tendo. Vivemos um momento de intolerância extrema e difusão da ignorância. Algumas pessoas não querem dialogar, não querem buscar conhecimento ou entenderem o outro lado. Assumem suas posições e partem para o ataque. No futebol, então, muitas vezes isso vem com um fanatismo exacerbado, um descontrole emocional. E ninguém quer saber se do outro lado está um ser humano, trabalhando, dedicando tempo e energia para fazer o melhor. Então a solução que eu dou para quem vem com ódio ou rancor é bloquear e, em casos necessários, processar o cidadão. É preciso que se saiba que internet não é terra de ninguém e que nós que estamos deste lado do muro estamos aqui à trabalho, não de favor. 

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    Napoleão — Eu costumo fazer perguntas, não responder. Mas penso que o grande tema hoje é a intolerância, especialmente nas redes sociais. O sujeito normalmente tira as redes pra desopilar o fígado. O jornalista já tem o problema do mensageiro, que recebe a carga emocional pela notícia ruim, mesmo ele sendo apenas o emissor. Nas redes então, qualquer opinião diferente descamba pra discurso de ódio. Deveríamos ler mais, ouvir mais e argumentar melhor. Tem gente que lê manchete e sai te xingando. Não quer ler o conteúdo, não quer entender o outro lado. Não se trata de uma guerra de convencimentos, mas sim de acrescentar visões e conhecimentos para melhorar a sua própria maneira de ver o mundo.

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
    Melhor jogador do mundo na história: difícil fugir de Pelé, mesmo só tendo o visto em VT.
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Que eu vi: Tostão, Kléberson e Jadson.
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Não tá legal a coisa né? Rs. Gosto do Wilson, do Lucho e do Pablo.
    Melhor técnico do mundo na história: Difícil também. Vou de Bernardinho. Muito vencedor.
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Cholo Simeone. Tira leite de pedra.
    Maior time da história do futebol: O que eu mais gostava de ver: Palmeiras de Luxemburgo em 96.
    Maior time da história do futebol paranaense: Na mesma linha, me admirava o Atlético de 2004.
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: narrei Atlético 5 x 2 São Caetano, em 2004, foi um jogaço.

    Clubes do coração: Não revelo publicamente porque atrapalha a carreira. Também penso ser irrelevante para o público em geral. Sou jornalista, não astro ou jogador. 
    Ídolos fora do esporte: meu avô, Vital.
    Esportes que já praticou: Muitos. Era um atleta na escola, fui campeão municipal e estadual de handebol, joguei vôlei, basquete e três vezes o Peladão da Tribuna do saudoso Nelson Comel.
    Hobbies: Ler gibi (Marvel e DC) e jogar videogame.
    Locais preferidos em Curitiba: Bosque Alemão, pra comer a torta, e o Bek’s, pra tomar cerveja e comer carne de onça.

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Admiro a postura do André Rizek, a capacidade de comunicação do Galvão Bueno e a acidez do Mauro Cézar Pereira.
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Vou ser injusto com muita gente boa. O mercado paranaense é excelente, tem muito jornalista se destacando Brasil afora que é do Paraná ou começou aí. Pra citar três que estão no PR: Nadja Mauad, competente e leal com os amigos, Leonardo Mendes Jr, um crânio, (agora tá aposentado) e André Pugliesi, o melhor texto da região, quiça do Brasil.

    Currículo resumido: Nasci em Curitiba, estudei nos colégios Guaíra e Expoente, fiz Tuiuti nas duas especializações. Trabalhei nas rádios Globo, 91Rock, BandNews, TV Band em Curitiba e Campinas, RICTV, SBT GPP, Sports Plus, Paraná OnLine, Bem Paraná, Gazeta do Povo, Metro, revistas Placar e ESPN, portais Terra e UOL, onde estou, além do Bandsports aqui em SP. 

  • 12/09/2018

    Mauro Mueller é o segundo entrevistado da série Craques da Imprensa

    Mauro Mueller é o segundo entrevistado da série Craques da Imprensa
    Mauro Mueller: linguagem inovadora no rádio e na TV (Foto: Arquivo pessoal/Mauro Mueller)

    A série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, do Bem Paraná, traz hoje a entrevista com Mauro Mueller, apresentador do Show de Bola, da Rede Massa SBT, e autor de um blog sobre esportes. Filho de radialista, ele também vem fazendo história na música e nas artes cênicas. No rádio, ajudou a criar um modelo inovador de jornalismo esportivo, na rádio Transamérica, em 2001, adicionando humor e agilidade às transmissões. No SBT, participou da construção do Show de Bola, contribuindo para mais uma renovação da linguagem do jornalismo esportivo paranaense.  

    Entrelinhas — Como virou profissional da imprensa esportiva? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Mauro — Com 10 anos comecei a jogar vôlei na escola. Eu era um bom levantador e jogava em seleção das escolas, times pequenos e amadores, até que um dia eu e um amigo fomos convidados a treinar no Sulbrasileiro, mas minha mãe não deixou ir a Porto Alegre. Paralelo a isso, com 15 anos comecei a trabalhar em rádio e os treinos foram ficando em segundo plano. Comecei a compor minhas músicas com 11 anos, já montava minhas bandas, porque tocava na fanfarra da escola, na banda de música do Rotary Club, era filho de radialista, cresci ouvindo histórias do rádio e da TV, me apaixonei pela comunicação e meu trabalho foi sendo todo voltado a ser um locutor, apresentador e comunicador. Em 2001, eu já era coordenador artístico da Rádio Transamérica e fui encarregado de montar o projeto do Transamérica Esportes Curitiba. Apesar de estar próximo das transmissões esportivas das rádios em que trabalhei antes, nunca tinha feito crônica esportiva até então e montando o novo projeto de esportes da rádio, tive a chance de aprender a fazer rádio esportivo, enquanto gerenciava toda a parte artística e estrutura plástica daquele projeto, que está no ar até hoje.  

    Entrelinhas — Você também é músico, compositor e ator. Quais os melhores momentos que viveu nessas outras atividades?
    Mauro —
    Como músico, é indescritível estar num palco e cantar as minhas músicas e logo após receber o aplauso. Cantar para milhares de pessoas é muito bom, mas também é legal fazer shows para 200, 400 pessoas e receber respostas mais perto. E hoje, como o YouTube e redes sociais, a música se divulga a cada dia e recebo e-mails, mensagens nas redes sociais de pessoas que ouvem e gostam das canções. Não preciso parar de compor, para poder me dedicar aos meus outros ofícios. Nada atrapalha o que faço. Como ator desde 2007 (quando comecei a fazer teatro), o teatro melhorou bastante o apresentador de televisão que sou, me dando mais técnicas e melhorando minha performance em frente às câmeras. Participei em mais de 50 espetáculos. O melhor momento em teatro foi fazer um espetáculo inteiro em que, além de fazer parte da produção, finalizei o texto e organizamos toda a divulgação, em todas as apresentações foram com a sala lotada, em uma das temporadas da peça Doce Ditadura, da Cia Navegantes de Teatro.

    Entrelinhas — No Show de Bola, você conseguiu criar uma nova linguagem. Tem humor, mas sem deboche. É um programa ágil, mas sem ser superficial. Como chegou a essa fórmula?
    Mauro —
    Quando fui chamado a apresentar o Show de Bola, a recomendação era exatamente fazer diferente do que havia nos programas esportivos dos outros canais. A primeira versão do programa até tinha humor, mas não era de humoristas, ficando restrito à linguagem que eu empregava nos textos, nos Offs dos VTs e na descontração, o que eu gostava, mas sentia a falta de humor, assim como eu implantei no Transamérica Esportes, com o Tio Américo, depois o Boy e enfim, o ET. A segunda versão tinha o Mauro Singer, que era engraçado. Depois os 3 torcedores voltaram a integrar o elenco da TV, nos VTs e desafios com muito humor. Por fim, eu fiz a sugestão ao nosso diretor na época, para chamar o ET da Transamérica. Assim fechou o formato que hoje está no ar, com a Kelly Pedrita, eu e o ET como apresentadores do programa. Quando coordenei a Rádio Transamérica, tudo o que eu elaborava tinha pitadas de humor e essa escola foi muito importante para fazer o que eu faço hoje. Desta forma, o programa inteiro tem a medida certa de informação e humor, sem perder a linha esportiva, que é a mais importante. Este sou eu, desde que entrei para a crônica esportiva, montando o Transamérica Esportes. Assim eu gosto, fazer do esporte um pano de fundo para aliviar as tensões da televisão rígida, usando o futebol como mola mestra da descontração e levando informação na medida certa, para um telespectador exigente, que ao assistir dá boas risadas vendo seus ídolos do esporte. 

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Mauro —
    Foram vários. As primeiras vezes são inesquecíveis. A primeira locução de rádio (na Ilha do Mel FM), a primeira vez na televisão (Som Iguaçu de clipes e entrevistas), a primeira peça de teatro (A Comédia da Panela), o primeiro show da minha banda (Anestezia), o primeiro Show de Bola (18/01/2010)... mas este momento que estou vivendo é muito legal e é a melhor fase da minha carreira na TV.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser profissional da imprensa esportiva?
    Mauro —
    Na escola do voleibol eu aprendi a respeitar o professor, o técnico, o mestre, ser parte de uma equipe, fazer valer o plano coletivo para crescer individualmente, colaborar e receber colaboração, reconhecer acertos e tentar acertar sempre, me preparar a cada dia para ser melhor naquilo que faço. Sou competitivo, sem ser alucinado. Até hoje faço minhas corridas, jogo vôlei, basquete, pratico esporte. O convívio com o público é muito legal, tenho contato direto com estes fãs através das redes sociais, indo a escolas e universidades, conversando sobre saúde e boas práticas da vida, levando informação com humor. É um trabalho que leva a alegria, então me renovo a cada dia.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Mauro —
    Pra ser sincero, não há complicação. Claro que dificuldades sim, temos. Mas, complicado é pegar busão 5h da manhã e trabalhar numa obra, construir um prédio de 20 andares, carregar um carrinho de mão no décimo nono andar e olhar lá pra baixo. Isto é complicado. Fazer rádio, música, teatro e televisão é gostoso, gratificante, é empolgante.  

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Mauro —
    Há uma intolerância nas redes atualmente. Há muito tempo eu costumo chamar de redes anti-sociais. Até o Faustão concordou comigo (rsrsrs). As pessoas escondidas atrás de um computador, sem fazer cadastro de pessoa física, com seu “nickname”, se acham na liberdade de ofender. Mas, quando eu tenho a oportunidade de trocar ideias com gente das redes sociais e que tem seus nomes estampados, faço até amizades.

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'?
    Mauro —
    Eu não paro para chorar uma crítica. Tenho minha conduta, tenho personalidade e escrevo o que penso. Tenho minhas convicções e posso debater sobre elas, sem me preocupar com o que vão achar e geralmente me dou bem com ótimos debatedores. Tive um problema uma vez, quando uma pessoa inflamou “amigos” contra uma matéria que fiz. Recebi 85 mensagens me atirando todo o tipo de ofensas. Com tempo, respondi uma a uma e descobri gente muito legal, escondida atrás de um computador, mas que não sabiam muito bem o que estavam criticando. Assim como os quarentões estão aprendendo a se comunicar via redes sociais, os mais novos estão aprendendo a se comunicar com o mundo. Trocamos informações e eu também aprendo. 

    Entrelinhas — Você fala/escreve sobre suas atividades? Ou aborda outros temas nas redes sociais?
    Mauro —
     Escrevo tudo o que me chama atenção. Se quero escrever sobre política, saúde, esporte, profissões, rádio, tevê... e sempre recebo muitas críticas e ofensas também. Mas, sei lidar muito bem com esse tipo de coisa e nunca deixarei de dar a minha visão do mundo que me rodeia. Sou um cidadão, antes de tudo. Me preparo e estudo muito antes de formar uma opinião e como não sou torcedor de uma só bandeira, seja esportiva, política e social, sei bem o que quero e como escrever. Mas, vou avisando que não sou perfeito.

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS:

    Melhor jogador do mundo na história: Pelé
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Um de cada time: Sicupira, Krüger e Ricardinho 
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson (Coritiba), Pablo (Atlético) e Richard (Paraná)
    Melhor técnico do mundo na história: Mário Jorge Lobo Zagallo
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Bernardinho do Vôlei
    Maior time da história do futebol: Barcelona de Messi&Guardiola
    Maior time da história do futebol paranaense: Atlético de 2005, Coritiba de 1985 e Paraná de 2007
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: Brasil x Alemanha (final da Copa de 2002)

    Clubes do coração: Chicago Bulls, Manchester City 

    Ídolos fora do esporte: Meu pai (Milton Mueller), Charles Chaplin, Bono Vox, Sinnead O’Connor, Paulo Leminski, Renato Russo, Cazuza, Herbert Vianna, Cássia Eller, Zélia Duncan, Paulo Miklos, Silvio Santos, Chacrinha, John Lennon, Paul MacCartney, Wayne Hussey, David Bowie, Tom Hanks, Charlize Theron, Bette Davis, Marilyn Monroe, Morgan Freeman.
       
    Esportes que já praticou: Vôlei, Basquete.
    Hobbies: Vôlei, Basquete, futebol e Carrinho de Controle Remoto.
    Locais preferidos em Curitiba: Largo da Ordem, Largo São Francisco e Santa Felicidade.
    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Osmar Santos, Milton Leite e Carlos Kleina.
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Lombardi Jr, Carlos Kleina e Dirceu Graeser.

    Currículo: Radialista desde os 15 anos de idade, comecei como operador de áudio na Rádio AM Nova de São José dos Pinhais, como locutor na Ilha do Mel de Paranaguá, passei pelas principais rádios de Curitiba (Inter99, 94FM, Transamérica, Alternativa, Jovem Pan, Mix FM, Cidade FM, 91Rock) e de São Paulo (Transamérica e Cidade). Em televisão, na TV Iguaçu (Grupo Paulo Pimentel), TV Exclusiva e TV Transamérica, TV Iguaçu (Rede Massa). Além de locutor e comunicador, coordenei as rádios Alternativa, Transamérica, Mix FM e 91Rock, quando tive a oportunidade de criar vários projetos de rádio e televisão de muito sucesso de audiência. Como radialista, músico e compositor, fiz vários projetos culturais, como movimento Arromba das bandas independentes, eventos de música e ações de apoio à música local, na Tv e no Rádio. Ator desde 2007, tendo sido premiado com o troféu Ademar Guerra de ator revelação em 2007 no Festival de Fim de Ano do Teatro Lala e em 2009 com o prêmio melhor ator protagonista, interpretando o Pai, na peça “Seis Personagens a Procura de Autor”. Poeta, escritor, tenho um blog de textos livres, sou colunista do portal Massa News, em 2016 lancei o livro CONTRA-TEMPO, entre contos e poemas. Vocalista da banda Fundação Elétrika e tenho músicas no YouTube, Soundclound, etc... em outubro lanço um novo vídeo clipe da música CAOS, é só buscar no google pelo Mauro Mueller e vai me conhecer melhor.

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