Entrelinhas do Jogo

Opinião e análise do futebol paranaense

Publicidade
Entrelinhas do Jogo

A explosiva mistura de futebol com política

A explosiva mistura de futebol com política
Jogadores do Atlético com a polêmica camisa, no sábado (Foto: Geraldo Bubniak)

A Fifa proíbe que seus filiados façam manifestações políticas durante partidas. Alguns encaram essa medida como uma “ditadura” ou uma tentativa de “despolitizar o futebol”. 

Não encaro dessa forma. A Fifa, na verdade, só proíbe essas manifestações em jogos e não interfere na vida política ou nas escolhas de cada pessoa, de cada jogador, de cada clube. O objetivo é apenas evitar que o estádio vire um barril de pólvora. 

Aliás, os estádios já são ambientes propícios para violência e discurso de ódio. Adicionar o elemento político a esse caldeirão seria um motivo a mais para se afastar do futebol. 

HIERARQUIA
A relação entre jogadores, técnicos e dirigentes é algo complexo, diferente de corporações normais. A hierarquia no futebol, em alguns casos, é quase militar, com disciplina cega e abusos por parte dos superiores. Há pouca inteligência e ética permeando a relação entre profissionais de futebol. A pressão pelo resultado coloca o pragmatismo acima de tudo. 

Com basse nisso, é complexo permitir que profissionais e dirigentes do futebol possam usar o espaço dos estádios para manifestações políticas. Honestamente, prefiro que eles se manifestem politicamente da mesma forma que o eleitor comum, ou seja, usando redes sociais, participando de atos públicos e votando.

JULGAMENTO
O Atlético pode ser julgado por usar a frase “Vamos todos juntos por amor ao Brasil” na camisa de jogadores e no estádio. Como não há número ou nome de um candidato, creio que a punição seria um exagero. Além disso, não há provoção ou acusação contra algum outro político. É claro que, juntando todos as informações relativas ao episódio, fica evidente que era uma campanha velada a Bolsonaro. Por ter sido velada, a campanha não provocou incidentes no estádio. E essa é uma questão a ser considerada no julgamento. 

PAULO ANDRÉ
A atitude de Paulo André, de não vestir a camisa, é outro ponto que pode evitar uma punição ao Atlético. Afinal, isso pode caracterizar que os jogadores não foram obrigados ou pressionados a participar da manifestação. Eu usei o verbo “pode”. Na verdade, não sei o que ocorreu lá dentro do Atlético e como surgiu a ideia da camisa.

PETRAGLIA E BOLSONARO
Em redes sociais, Petraglia declarou apoio a Bolsonaro. Curiosamente, o candidato do PSL não incluiu o esporte ou o futebol nas suas propostas. Já o maior rival dele, Fernando Haddad, apresentou projetos para o esporte olímpico e também para o futebol, como a criação de um Programa de Modernização da Gestão do Futebol. Com isso, não estou dizendo que Petraglia deveria apoiar o candidato do PT. É apenas uma curiosidade.

TEMPLOS SAGRADOS
A política permeia tudo. E, em uma democracia, todos são obrigados a participar do debate político. O poder deve ser diluído entre toda a população. Quanto mais politizado o cidadão, mais forte a democracia. 

Nessa luta diária pela politização devemos ter alguns “templos sagrados”. Ter alguns lugares, momentos, espaços e grupos alheios à política. É preciso descansar a cabeça por um tempo e apenas relaxar, se entregar ao entretenimento. 

Vejo os estádios como candidatos a “templos sagrados”, espaços apenas para diversão, para relaxar, para descansar por alguns momentos. Espero que eles recuperem essa característica e que a política seja reservada para outros espaços. 

DESTAQUES DOS EDITORES