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Análise

Morínigo repete o esquema de 2021, mas muda detalhe no estilo de jogo do Coritiba

Egídio enfrenta o Cianorte: lado esquerdo ganhou poder ofensivo
Egídio enfrenta o Cianorte: lado esquerdo ganhou poder ofensivo (Foto: Valquir Aureliano)

O técnico Gustavo Morínigo começou 2022 usando o mesmo esquema tático que predominou em 2021, o 4-2-3-1. Apesar de manter o mesmo 'desenho', o treinador apresentou um estilo de jogo com algumas diferenças na primeira partida da temporada, na vitória por 1 a 0 sobre o Cianorte.

JOGO 'POR BAIXO'
Em 2021, o Coritiba usou e abusou das bolas altas. O time tentou aproveitar a força do centroavante Léo Gamalho no jogo aéreo e também do ponta Waguininho, que normalmente supreendia o lateral adversário entrando na área, em 'diagonal', para finalizações de cabeça.

Contra o Cianorte, Léo Gamalho não jogou porque testou positivo para Covid-19. O ponta Alef Manga, de 1,90 m de altura, começou como centroavante, com Nathan Fogaça (direita) e Igor Paixão (esquerda) nas pontas. Com essa formação, o Coritiba mudou a maneira de definir a jogada. Os cruzamentos pelo alto foram raros e o time buscou mais os cruzamentos rasteiros. Manga, aliás, ficou pouco tempo centralizado ou na área. Movimentou-se bastante e procurou se aproximar de outros jogadores para tabelas e, na falta dessa opção, usou os dribles curtos.

FORÇA PELA ESQUERDA
Em 2021, o Coritiba pouco construiu pelo lado esquerdo. Guilherme Biro teve pouca liberdade para apoiar e acabou se destacando pela força defensiva. Agora em 2022, contra o Cianorte, o Coritiba ganhou bastante poder ofensivo pela esquerda com o apoio de Egídio. O veterano de 35 anos mostrou qualidade nos passes e na visão de jogo, levando o time à linha de fundo em momentos oportunos, sem a necessidade de correria.

O QUE NÃO DEU CERTO
Novamente, o Coritiba ficou 'engessado' quando Matheus Sales precisa fazer a função de Val. Isso ocorreu contra o Cianorte e diversas vezes em 2021. Sales é uma boa opção para amarrar o jogo, para funções defensivas. Com a bola, porém, tem dificuldade de fazer o jogo fluir pelo centro. A tendência é que Andrey modifique esse cenário.

VARIAÇÃO
Outra opção para mudar esse cenário é a variação apresentada nos 20 minutos finais da partida de sábado. Com a entrada de Régis como meia ofensivo centralizado, Robinho recuou e virou volante. O 4-2-3-1 foi mantido. O desempenho de Robinho foi positivo, inclusive nos aspectos defensivos. Claro que é preciso considerar o nível do adversário – o Cianorte é distante da realidade que o Coritiba vai enfrentar na Série A. No entanto, essa variação pode ser usada para situações de fim de jogo, em que o Coritiba precise mais qualidade no passe pelo centro (com Robinho) e mais poder de fogo perto da área (com Régis).

SAÍDA DE BOLA
O Coritiba manteve a saída de bola de 2021, com Willian Farias recuando entre os zagueiros e os dois laterais avançando simultaneamente. Contra o Cianorte, o time apresentou irregularidade nesse aspecto em alguns momentos, mas não teve problemas graves. Ainda é cedo para tirar conclusões.

FATOR GAMALHO
Léo Gamalho voltou aos treinos nessa segunda-feira (dia 24) e pode ser relacionado para a partida de quinta-feira, contra o Operário. Com ele ou com Luizão de centroavante, é possível que o técnico Gustavo Morínigo volte a usar o estilo de 2021, com mais bola aérea e mais jogadas de 'pivô'. Fica a dúvida se o que ocorreu contra o Cianorte foi uma adaptação pelas peças disponíveis ou se será uma nova forma de jogo para 2022.