Entrelinhas do Jogo

Opinião e análise do futebol paranaense

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Entrelinhas do Jogo

Napoleão de Almeida é o terceiro entrevistado da série Craques da Imprensa

Napoleão de Almeida é o terceiro entrevistado da série Craques da Imprensa
Napoleão de Almeida: o mais completo da imprensa paranaense (Foto: Arquivo pessoal/Napoleão de Almeida)

Napoleão de Almeida é o terceiro entrevistado da série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, do Bem Paraná. Jornalista do UOL e do Bandsports, o curitibano é um dos profissionais mais completos da imprensa paranaense. Já impressionou pela qualidade dos textos no jornal, pelos furos de reportagem nos sites online, pela segurança na apresentação de programas televisivos e pelas narrações vibrantes no rádio e na TV.  

Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
Napoleão
— Era sonho de infância, mas eu nem sabia, rs. Sabia que gostava de comunicação. Costumo dizer que quando o cara não vai bem na linha, mandam pro gol; se não vai bem pro gol, mandam pro apito. E se não serve nem pra juiz, vira jornalista! Meu avô adorava futebol e me passou isso. Eu ficava jogando futebol de botão sozinho, narrando jogos, escrevendo matérias dos jogos.., sou realizado por fazer o que amo e ainda poder pagar as contas.

Entrelinhas — Você já fez de tudo um pouco na imprensa esportiva. Foi apresentador de TV, narrador na TV, locutor no rádio, repórter de jornal, colunista... A lista é longa. Era seu plano inicial fazer de tudo um pouco ou acabou acontecendo? E quais as vantagens e desvantagens de trabalhar em tantas mídias diferentes?
Napoleão
— Eu penso que a gente tem que saber fazer de tudo um pouco pra se virar na hora do aperto. No Paraná eu não sou tão conhecido como narrador, diferente daqui, em São Paulo. Eu virei narrador depois de tentar ser músico, tinha banda e tudo mais. Foi aí que me deu o estalo, depois de três anos de curso de técnica vocal: “por que não juntar as paixões?” Mas não é tão simples. Aí fui estudar jornalismo depois de já formado em publicidade. E os espaços para narrar não são muitos, muito menos aí no Paraná. Então ia fazendo o que pintava, sempre com muita vontade e dedicação. E fui aprendendo muito. Eu vejo muitas vantagens, me sinto um profissional preparado para lidar com qualquer mídia e qualquer função. Como desvantagem, um certo mito de que narrador não pode lidar com notícia, de que é showman. Não concordo.

Entrelinhas — Você conseguiu alguns furos jornalísticos expressivos ao longo da carreira. Tem algum que é seu favorito ou que provocou maior repercussão?
Napoleão
— Não, eu não tenho essa tara. Notícia fica velha no minuto que sai, a gente já tem que estar ligado no passo seguinte. Claro que é legal se antecipar, ficar sabendo de algo e noticiar. Mas acho que o mais importante é contar a história bem, com detalhes, contextualizando. Eu sou de ouvir muita gente, checar uma, duas vezes antes de publicar algo. Acho isso fundamental. Erros acontecem, mas no geral eu prefiro contar bem a história do que ter a ânsia do furo, até porque hoje em dia existem muitas fontes de informação, na cabeça do leitor o ineditismo da notícia vai com quem ele leu primeiro. E ainda nessa linha, e você pode me desmentir se quiser: muita gente acha que eu e alguns colegas disputamos à tapa esse negócio. Que nada. A gente costuma se ajudar muito. Eu troco informações à toda hora com amigos que confio no meio. Muitas vezes abrimos mão do “furo” juntos, para dar a informação melhor e mais completa.

Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
Napoleão
— Eu tive grandes momentos, muito felizes, sempre de me sentir realizado. Mas penso que em termos de impacto foi a chance de narrar ao vivo para todo o Brasil, pela Band, a medalha de ouro olímpica da vela na Rio 2016. Foi meu trabalho de maior alcance. Ainda que eu adote como lema fazer sempre um ótimo trabalho, dentro do que eu conseguir, desde que comecei a narrar futsal na rádio Educativa AM aí do Paraná, acompanhando o time do Ricardinho na Série Prata local. Deviam estar escutando minha mãe e a namorada, mas pra mim era final de Copa do Mundo.

Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
Napoleão
— Fazer o que eu amo. Acordar todos os dias e parecer que tudo é uma grande brincadeira daquele piá que ficava jogando botão a tarde toda.

Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
Napoleão
— Privar-se do convívio da família nos finais de semana é algo que pesa. Jornalista esportivo não tem sábado, domingo ou feriados. Segue o calendário das disputas. Fazemos com amor, mas é trabalho e exige sacrifício.

Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
Napoleão
— Sim, tudo ficou mais imediato. Estamos mais cobrados, mais expostos. Eu uso muito as redes pra dialogar com meu público e nem sempre isso é possível de maneira positiva. 

Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
Napoleão
— Sigo tendo. Vivemos um momento de intolerância extrema e difusão da ignorância. Algumas pessoas não querem dialogar, não querem buscar conhecimento ou entenderem o outro lado. Assumem suas posições e partem para o ataque. No futebol, então, muitas vezes isso vem com um fanatismo exacerbado, um descontrole emocional. E ninguém quer saber se do outro lado está um ser humano, trabalhando, dedicando tempo e energia para fazer o melhor. Então a solução que eu dou para quem vem com ódio ou rancor é bloquear e, em casos necessários, processar o cidadão. É preciso que se saiba que internet não é terra de ninguém e que nós que estamos deste lado do muro estamos aqui à trabalho, não de favor. 

Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
Napoleão — Eu costumo fazer perguntas, não responder. Mas penso que o grande tema hoje é a intolerância, especialmente nas redes sociais. O sujeito normalmente tira as redes pra desopilar o fígado. O jornalista já tem o problema do mensageiro, que recebe a carga emocional pela notícia ruim, mesmo ele sendo apenas o emissor. Nas redes então, qualquer opinião diferente descamba pra discurso de ódio. Deveríamos ler mais, ouvir mais e argumentar melhor. Tem gente que lê manchete e sai te xingando. Não quer ler o conteúdo, não quer entender o outro lado. Não se trata de uma guerra de convencimentos, mas sim de acrescentar visões e conhecimentos para melhorar a sua própria maneira de ver o mundo.

PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
Melhor jogador do mundo na história: difícil fugir de Pelé, mesmo só tendo o visto em VT.
Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo
Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Que eu vi: Tostão, Kléberson e Jadson.
Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Não tá legal a coisa né? Rs. Gosto do Wilson, do Lucho e do Pablo.
Melhor técnico do mundo na história: Difícil também. Vou de Bernardinho. Muito vencedor.
Melhor técnico do mundo na atualidade: Cholo Simeone. Tira leite de pedra.
Maior time da história do futebol: O que eu mais gostava de ver: Palmeiras de Luxemburgo em 96.
Maior time da história do futebol paranaense: Na mesma linha, me admirava o Atlético de 2004.
Melhor jogo de futebol que já assistiu: narrei Atlético 5 x 2 São Caetano, em 2004, foi um jogaço.

Clubes do coração: Não revelo publicamente porque atrapalha a carreira. Também penso ser irrelevante para o público em geral. Sou jornalista, não astro ou jogador. 
Ídolos fora do esporte: meu avô, Vital.
Esportes que já praticou: Muitos. Era um atleta na escola, fui campeão municipal e estadual de handebol, joguei vôlei, basquete e três vezes o Peladão da Tribuna do saudoso Nelson Comel.
Hobbies: Ler gibi (Marvel e DC) e jogar videogame.
Locais preferidos em Curitiba: Bosque Alemão, pra comer a torta, e o Bek’s, pra tomar cerveja e comer carne de onça.

Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Admiro a postura do André Rizek, a capacidade de comunicação do Galvão Bueno e a acidez do Mauro Cézar Pereira.
Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Vou ser injusto com muita gente boa. O mercado paranaense é excelente, tem muito jornalista se destacando Brasil afora que é do Paraná ou começou aí. Pra citar três que estão no PR: Nadja Mauad, competente e leal com os amigos, Leonardo Mendes Jr, um crânio, (agora tá aposentado) e André Pugliesi, o melhor texto da região, quiça do Brasil.

Currículo resumido: Nasci em Curitiba, estudei nos colégios Guaíra e Expoente, fiz Tuiuti nas duas especializações. Trabalhei nas rádios Globo, 91Rock, BandNews, TV Band em Curitiba e Campinas, RICTV, SBT GPP, Sports Plus, Paraná OnLine, Bem Paraná, Gazeta do Povo, Metro, revistas Placar e ESPN, portais Terra e UOL, onde estou, além do Bandsports aqui em SP. 

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