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Paraná Clube

O duelo 'Fernando Neto x Itaqui' e os vícios da imprensa esportiva

Fernando Neto
Fernando Neto (Foto: Divulgação/Paraná Clube/Geraldo Bubniak)

“Fernando Neto tem que ser titular do Paraná Clube”

Você já deve ter ouvido essa frase nas últimas semanas. Tanto por parte de jornalistas como de torcedores.

E os protestos fazem todo sentido. Afinal, Fernando Neto foi o melhor meio-campista do Paraná Clube enquanto Dado Cavalcanti esteve no clube.

Com a chegada de Matheus Costa, Itaqui ganhou essa vaga e Fernando Neto vem amargando o banco.

E, quando a imprensa esportiva busca uma explicação para essa situação, acaba tropeçando num velho vício. Nós, jornalistas esportivos, temos a mania de explicar tudo no futebol com base na qualidade individual do jogador. E esquecemos que esse é apenas um dos aspectos do jogo. E esquecemos de um problema ainda maior: qualidade é algo extremamente subjetivo.

CARACTERÍSTICAS DE JOGO
A titularidade de Itaqui e o banco de Fernando Neto são decisões que podem ser explicadas pelas características dos jogadores. São duas peças que ocupam o mesmo espaço em campo, mas que entregam para o time um 'pacote de serviços' completamente diferente.

Itaqui é um jogador com pouca movimentação, mas excelente posicionamento. Já não tem vigor físico para os duelos individuais, mas tem boa leitura de jogo. É um especialista nas bolas longas, com boa visão de jogo, mas já não possui aceleração para fazer tabelas e construir rapidamente por passes curtos. Além disso, é um líder dentro do elenco e especialista na bola parada.

Fernando Neto é quase o oposto em todos os aspectos. É um jogador de muita mobilidade, que se movimenta por todo o campo e está sempre procurando as tabelas, o chamado 'um, dois'. É um volante (ou meia-central) que se aproxima bastante da área e também busca a infiltração na área, conforme as circunstâncias. Sem a bola, tem facilidade para acompanhar jogadores rápidos, mas certas dificuldades para duelar com adversários que sabem usar o corpo para proteger a bola.

Portanto, é bem provável que Matheus Costa tenha escolhido Itaqui pelas características, e não exatamente pela qualidade.

ITAQUI E NETO JUNTOS
Itaqui e Fernando Neto podem jogar juntos? Não só podem, como devem. E o próprio Matheus Costa provou isso.

Nos 15 minutos finais contra o Cuiabá, Fernando Neto entrou na partida e jogou aberto no lado esquerdo, na posição que era de Ramon. Foram os melhores 15 minutos do Paraná na partida. Naquele curto período, Fernando Neto participou de três boas construções ofensivas. Mesmo jogando como 'extremo' ou 'meia-ponta', teve bom desempenho.

No entanto, é pouco provável que Fernando Neto ganhe a vaga de Ramon. Matheus Costa vê Ramon com dois grandes trunfos: é o melhor finalizador entre os que podem jogar pelo lado do campo e é um jogador altamente dedicado à parte tática.

Fernando Neto, então, poderia atuar aberto pelo lado direito. Nesse caso, a disputa seria com Alesson e João Pedro, jogadores que levam vantagem nas jogadas de terço final, onde o espaço é mais reduzido.

ESQUEMA TÁTICO
Uma solução possível seria a alteração do esquema tático. Matheus Costa vem usando o 4-2-3-1, com Itaqui e Luiz Otávio de volantes. No 4-1-4-1, o treinador poderia manter Luiz Otávio como único volante e colocar Itaqui e Fernando Neto centralizados na linha de quatro. Na esquerda, poderia manter Ramon. A vaga na direita seria disputada por Matheus Anjos, Alesson e João Pedro.

Quem faz o blog

Jornalista formado pela UFPR, Silvio Rauth Filho é editor de Esportes do Bem Paraná. Acompanha o dia a dia de Athletico Paranaense, Coritiba e Paraná Clube desde 1996.

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