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Opinião e análise do futebol paranaense

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Os casos de Pablo e Léo Pereira servem de lição para o Atlético 

Pablo e Léo Pereira terminaram 2018 em alta no Atlético. O atacante foi vendido por R$ 31 milhões para o São Paulo – é a segunda maior transferência entre clubes brasileiros em toda história. O zagueiro virou titular absoluto e passa a ser visto como outro “cheque em branco” dentro do clube.

Para chegar a esse momento positivo, porém, os dois jogadores tiveram que driblar a impaciência de torcedores e jornalistas esportivos. 

Antes de 2018, os dois eram tratados como refugos nas redes sociais, constantemente vaiados no estádio e duramente criticados pela ala populista da imprensa. 

A VIRADA
A história de Pablo e Léo mostra que é preciso ter paciência com novatos lançados da base. Cada jogador tem seu tempo de maturação. Alguns despontam já com 17 ou 18 anos. Outros precisam de mais experiência. Outros fatores também interferem drasticamente no desempenho dos jogadores, como o entrosamento com o restante da equipe, o momento vivido pelo time e o sistema tático. Antes de rotular o jogador de “refugo” é preciso analisar todas essas circunstâncias. 

PABLO
Pablo foi lançado com 18 anos no time profissional. Era um ano difícil, 2011, que terminou em rebaixamento. No ano seguinte, em 2012, o jogador começou a temporada improvisado na lateral-direita. Ele precisou ser emprestado ao Figueirense, em 2013, para mostrar seu real valor na sua verdadeira posição. Logo em seguida, em 2014, quando acabou contratado pelo Real Madrid, virou piada nas redes sociais. Poucos acreditavam que Pablo pudesse se tornar um bom jogador. Entre esses "poucos" estavam treinadores de futebol, que normalmente são tratados como leigos em futebol por certos jornalistas e torcedores. 

LÉO
O zagueiro Léo Pereira subiu para o profissional com 17 anos. Não foi bem nos primeiros jogos e acabou duramente criticado. Após empréstimos para Náutico, Guaratinguetá e Orlando City, voltou mais maduro.

PRESSÃO
O ambiente de pressão excessiva na Arena da Baixada e nas redes sociais vem tornando difícil a vida de novatos no Atlético. Muitas revelações da base tiveram que deixar o clube para encontrar circunstâncias favoráveis ao futebol.

O clima de ódio e pessimismo dentro do estádio vem crescendo desde 2005. E a parte mais “populista” da imprensa vem surfando nessa onda, contribuindo para a moda de perseguir jogadores. 

Nem todos os jogadores terão a força de Pablo e Léo Pereira para enfrentar essa mar de ignorância. Se o imediatismo e o ódio não forem substituídos por paciência e inteligência, o Atlético continuará “queimando” várias boas promessas no seu “caldeirão”. 

Quem faz o blog

Jornalista formado pela UFPR, Silvio Rauth Filho é editor de Esportes do Bem Paraná. Acompanha o dia a dia de Athletico Paranaense, Coritiba e Paraná Clube desde 1996.

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