Maluco Beleza

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Redirecionando sua carreira

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Daniella Forster

Em nossas vidas profissionais, constantemente vivemos crises, dúvidas e questionamentos que nos fazem refletir sobre a nossa atuação profissional. Os fatores são inúmeros, sendo os mais comuns: a falta de crescimento, tanto em cargo como em salário, o que gera uma sensação clara de estagnação e falta de desafios; desgosto pelas atividades exercidas, o que impacta na qualidade e produtividade, o que pode comprometer o desempenho; baixa adesão da estratégia e objetivos da organização, o que impacta diretamente em resultados e em indicadores que mensuram o quanto o indivíduo é capaz de contribuir legitimamente com a organização, de ir além das atividades cotidianas; incapacidade de aderir aos valores e cultura organizacional, o que pode gerar insatisfação, problemas de relacionamento e questões emocionais que comprometem o bem-estar do indivíduo e o clima organizacional. Quando estes fatores existem ou coexistem em nossas vidas, automaticamente passamos a questionar se o caminho traçado é o adequado, se não é o caso de buscar novas alternativas e, dependendo da amplitude da crise, se a mudança não precisa ser mais ampla. Neste caso pode-se considerar a troca de área de atuação, a busca por um negócio próprio e a reinvenção profissional com uma nova graduação ou um curso de pós-graduação. Mas este processo precisa ser estrategicamente refletido, afinal quando o assunto é carreira, não há simplificações possíveis, a análise precisa ser profunda e tem impactos e consequências que precisam ser considerados. Sendo assim, eis algumas reflexões importantes que deveriam estar presentes para um redirecionamento de carreira coerente e orientado. A faixa etária é um dos pontos que exigem reflexão. Até os 30 anos toda e qualquer mudança de carreira é, em geral, mais tranquila. Se precisar iniciar uma nova graduação ou buscar atuar em uma área distinta, onde o salário precisa em um primeiro momento sofrer uma redução, não impacta tanto, principalmente se ainda não houver uma família constituída que gere responsabilidades financeiras essenciais e obrigatórias. Entretanto, deve-se garantir que seja um movimento consciente, que traga um plano de carreira sólido para as próximas etapas, que se entenda as eventuais perdas em um primeiro momento, como um investimento para o futuro. Depois dos 30 anos, a sua decisão tende a impactar mais pessoas, então há a necessidade de mais diálogo e ponderação. Nem sempre é possível conseguir o que deseja no ritmo almejado, o que pode causar certa ansiedade e até mesmo uma dose de mal-estar na rotina profissional. Sugere-se aqui movimentos mais sutis, mas que gradualmente redirecionem seus objetivos profissionais. A meta é persistir, manter e não perder o foco do que se pretende. Acima dos 40 anos, há a necessidade de um estudo mais cuidadoso acerca do mercado, das opções que existem, da sua própria situação financeira e do seu status profissional para que as perdas não tragam impactos irreversíveis. Dos 50 anos em diante, existe mais conforto para eventuais mudanças, até porque dificilmente a opção será buscar algo diferente no mercado formal, com raras exceções. Infelizmente, na maioria dos casos, o preconceito com idade limita as opções existentes. Então o redirecionamento precisa contemplar os dados da realidade e há a necessidade de olhar para si mesmo com credibilidade para um próximo passo provavelmente mais autônomo, que exigirá a maturidade que a idade geralmente confere. Também o autoconhecimento, no sentido de entender sobre si mesmo, seu perfil de personalidade, suas características pessoais são de extrema relevância. Um redirecionamento exige uma estrutura emocional considerável, em outras palavras, o indivíduo será testado, todo recomeço evidencia dificuldades e desafios, exige aprender novas habilidades e capacidades, demanda reconhecer que é necessário um esforço maior para chegar lá e, em grande parte, faz com que se queira desistir e voltar atrás. Este contexto é muito comum no redirecionamento. Por isso é comum a necessidade de contratar um apoio profissional para não se sentir só e inseguro diante de algumas situações problemas que são comuns. Há também um aspecto de extrema relevância, quando a questão é a desilusão com a área de atuação. Enquanto estudava, a pessoa era feliz, ao começar a trabalhar, percebeu que não era o que queria. Ou, não consigo crescer, me sinto estagnado. Os culpados externos são facilmente localizados, ou é a empresa que não oferece desafios, ou o gestor é fraco, o ambiente de trabalho é ruim, as atividades são rotineiras, etc. Aqui, olhar para si mesmo com sinceridade fará toda a diferença. Embora hoje a busca seja pelo trabalho perfeito, onde todas as condições são satisfeitas e haja o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, o crescimento contínuo, a realidade atual denota ambientes corporativos tensos, indefinidos, inconsistentes, buscando alternativas para sobrevivência no mercado, o que gera um clima ruim e um dia a dia nem sempre agradável. Mudar de área porque você não está conseguindo se adaptar à sua realidade profissional ou não está onde gostaria, pode ser uma armadilha, afinal mesmo mudando existe uma chance bem alta de você se ver infeliz novamente. Amadurecer e lidar com as dificuldades inerentes ao mundo do trabalho é algo que faz parte da carreira de qualquer indivíduo. Entender o limiar do desconforto com honestidade para apreender os motivos reais e analisar uma possível mudança certamente trará resultados melhores. Reconhecer que você não cresce porque não está fazendo a sua parte, não está mantendo a sua empregabilidade alta, pode ser a resposta que trará soluções efetivas. Investimentos em graduação, pós-graduação e outros cursos precisam ser muito bem ponderados. Redirecionar a carreira não é um processo mágico, em outras palavras, não é somente fazer um curso, inseri-lo no seu currículo e tudo está resolvido. Em alguns casos, uma nova graduação será o ideal, mas há de se considerar o tempo e o investimento financeiro que está sendo envolvido, além da disponibilidade exigida para estudos e práticas obrigatórias de estágio se houverem. Também é interessante ponderar sobre o mercado, perspectivas de carreira e resultados possíveis, para que não haja uma distorção da realidade que gere expectativas infundadas. Os cursos de pós-graduação tendem a ser mais comuns no caso dos redirecionamentos, mas também os mais perigosos. Um curso Stricto Senso tende a garantir um resultado específico e atender aos objetivos. São cursos capazes de abrir as portas da academia, tanto para lecionar como para se tornar um pesquisador. Em contrapartida, são cursos extremamente exigentes quanto à dedicação, o que os torna indicados para aqueles que realmente pretendem ler e estudar com afinco. A análise do autoconhecimento é muito bem-vinda neste ponto. Os cursos Lato Senso dependerão de como o indivíduo fará a transposição do conhecimento adquirido na prática. Se você fizer uma pós-graduação em uma área totalmente diferente da sua, onde nem poderá observar na prática os conhecimentos adquiridos, muito provavelmente aproveitará minimamente os conteúdos e agregará um valor ínfimo para convencer alguém de que com este curso você estará apto e será contratado para outra área. Estudar bem as opções antes de escolher e analisar do ponto de vista estratégico o momento certo para garantir a apreensão dos conteúdos poderá fazer toda a diferença. Já os cursos de idioma, que trazem também resultados mais garantidos, são os menos procurados. Cabe aqui uma reflexão, afinal os brasileiros já deveriam estar mais preparados para desafios internacionais, pois os mesmos abrem portas, ampliam horizontes e podem transformar a carreira com oportunidades mais desafiadoras e interessantes. Aliás, a própria aquisição de informação sobre o mundo, sobre tendências e possibilidades profissionais são mais amplas quando as fontes de conhecimento são globalizadas e multiculturais. Certamente ainda muito poderia ser tratado sobre o tema, mas o objetivo neste texto era ponderar sobre as reflexões estruturais para redirecionar carreira. Reforçando: o senso de realidade e a análise crítica certamente contribuem positivamente para evitar distorções de percepção. Outro aspecto que se deve ter em mente é que para conquistar uma fase mais tranquila na carreira, há que se passar por dificuldades e superações. Isto exige, inclusive, fazer o que é preciso e não necessariamente o que se gosta. A trilha profissional está atrelada à maturidade de um indivíduo. Se não passamos por frustrações, decepções e dificuldades, somos incapazes de crescer em uma empresa, bem como despreparados para abrir um negócio próprio. Como foi dito anteriormente, carreira não é um processo mágico. Pode até existir o fator sorte, mas em geral, o que predomina é a disciplina, o foco e a determinação. Não tem moleza! * Daniella Forster é psicóloga, mestre em Administração e especialista em coaching de carreira. É coordenadora do PUC Talentos, núcleo de empregabilidade da PUCPR.

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