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Operação Integração

MPF denuncia contador da família Richa e primo de ex-governador

Fernanda e Beto Richa
Fernanda e Beto Richa (Foto: Arquivo/Bem Paraná)

A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) apresentou hoje denúncias contra os o primo do ex-governador Beto Richa (PSDB), Luiz Abi Antoun e o contador da família, Dirceu Pupo. O MPF acusa os dois de participação em organização criminosa e corrupção passiva, suspeitos de integrar um esquema de cobrança de propina de concessionárias do pedágio no Estado.

Foram protocoladas duas denúncias separadas porque Luiz Abi deixou o Brasil em setembro de 2018, após ter sido solto por uma liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes no âmbito da Operação Rádio Patrulha, do Ministério Público do Paraná (MP/PR). Ele foi alvo de um mandado de prisão temporária na 58.ª fase da Lava Jato, mas até o momento, não há notícias de seu retorno ao País, encontrando-se no Líbano sem previsão de volta. O MPF diz que buscará cooperação jurídica internacional para citar o acusado.

A denúncia é um desdobramento da fase 58ª - Operação Integração II, que tornou réus no final de janeiro o ex-governador; seu irmão, Jose Pepe Richa Filho, ex-secretário de Infraestrutura e Logística do Estado; a esposa do tucano Fernanda Richa e o contador da família, Dirceu Pupo; além de vários outros agentes públicos e privados envolvidos no esquema.

Segundo as investigações, Luiz Abi Antoun exercia o papel de “caixa geral de propinas” arrecadadas em diversos setores do governo do Estado em favor do ex-governador. Já Dirceu Pupo Ferreira tinha a função de promover a “lavagem” do dinheiro arrecadado com as propinas recebidas por Antoun em nome de Beto Richa, mediante a aquisição de imóveis. As investigações apuraram que Pupo operacionalizou o recebimento de pelo menos R$ 2,7 milhões, utilizados na aquisição de imóveis em nome da empresa Ocaporã, pertencente à família Richa.

De acordo com a denúncia, os valores utilizados por Dirceu Pupo para as aquisições dissimuladas de imóveis em favor da empresa da família Richa tinham como origem as propinas recebidas em espécie pelos operadores financeiros Luiz Abi e Pepe Richa em nome de Beto Richa e, posteriormente, repassadas a Dirceu Pupo. Segundo o MPF, Luiz Abi administrava uma espécie de caixa geral de propinas e Pepe Richa arrecadava a propina diretamente de empresas que mantinham contratos com a Secretaria de Infraestrutura e Logística, dentre as quais as concessionárias de pedágio.

Na investigação, o MPF teria detectado a partir de dados de celulares e de registros de entradas no Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), a ocorrência de diversos encontros de Dirceu Pupo tanto com Luiz Abi quanto com Pepe Richa. Além disso, mensagens identificadas no celular do contador revelaram que ele, juntamente com Ricardo Rached, gerenciavam o pagamento de despesas pessoais de Beto Richa. Em tais mensagens, Rached e Pupo referiam-se ao ex-governador como “chefe”. Já em outras mensagens identificadas, Beto Richa, apesar de não ter qualquer vínculo formal, convocava Pupo para que comparecesse em reuniões no Palácio Iguaçu e em sua casa.

Em relação a Luiz Abi Antoun, foram identificados registros de encontros dele tanto com Pepe Richa como com Dirceu Pupo. Para encobrir os encontros, segundo o MPF, foram adotadas formas atípicas de registro de Luiz Abi no prédio do DER/PR, sem que constassem dados essenciais como o número de sua identidade e o funcionário que visitaria. De acordo com as investigações, há evidências de que esses encontros foram utilizados para promover o repasse de recursos de propina arrecadados por Luiz Abi das concessionárias de pedágio.

Sobra de campanha - Segundo o MP obtidas, Abi é também apontado como destinatário de “sobras” de dinheiro de campanhas políticas de Beto Richa, sendo que a acusação narra que o operador financeiro foi beneficiado diretamente com pelo menos R$ 646.800,00 que foram recebidos do Comitê Eleitoral de Richa em 9 de outubro de 2014 por intermédio de supostas prestações de serviços de locação de equipamentos (som ambulante, trios elétricos e palcos para comícios) que nunca existiram.

Na denúncia, os procuradores apontam a existência de novas provas que reforçariam a necessidade da manutenção da prisão de Dirceu Pupoe evidenciam que ele, contador e procurador das empresas de Fernanda Richa e filhos, estava, na prática, subordinado diretamente a Beto Richa. A denúncia demonstra que em dia 8 de agosto de 2018, antes de visitar a testemunha Carlos Albertini, Dirceu Pupo recebeu uma ligação do Comitê Eleitoral do PSDB em Curitiba. Além disso, registros telefônicos demonstraram que, na mesma data, pouco mais tarde, ocorreu um possível encontro de Dirceu Pupo com Beto Richa. Segundo o MPF, esses fatos revelariam indícios de que o ex-governador acompanhou com proximidade a atuação de Pupo em face de testemunhas dos pagamentos em espécie.

Ainda segundo o MPF, outros registros telefônicos demonstraram que Dirceu Pupo, no mesmo dia 8 de agosto, procurou Valmir Maran, testemunha que recebeu pagamentos em espécie do grupo e que, em fato envolvendo a compra do lote do condomínio de luxo Beau Rivage, presenciou a entrega de R$ 930 mil em espécie feita pelo contador em nome da empresa Ocaporã. Segundo a investigação, nesse contato, Dirceu Pupo teria alertado a Valmir Maran “que todos estavam preocupados com as investigações”. No mesmo dia, o celular de Pupo e também o de Beto Richa foram captados a 100 metros de distância da incorporadora Paysage. Para os procuradores, diante da presença de elementos que demonstram a disposição de Pupo em obstruir as investigações contra Beto Richa, deve ser mantida a sua prisão para assegurar a instrução criminal.

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