Política em Debate

Política em Debate

Publicidade
Política em Debate

Cida questiona coerência de deputados que defendem reajuste de 2,76%

Cida questiona coerência de deputados que defendem reajuste de 2,76%
(Foto: Pedro de Oliveira/Alep)

A governadora Cida Borghetti (PP) divulgou vídeo nas redes sociais em que defende a decisão de retirar de pauta da Assembleia Legislativa o projeto de reajuste de 1% para os servidores do Executivo, deixando a votação para depois das eleições de outubro. No vídeo, ela questiona a coerência dos deputados que assinaram emenda propondo aumento de 2,76%, lembrando que os mesmos parlamentares aprovaram o Orçamento do Estado para 2018 com reajuste zero para o funcionalismo.

“Nas últimas semanas fizemos um enorme esforço para descongelar a data-base e propor a recomposição possível de 1% mesmo com o Orçamento deste ano prevendo reajuste zero. Acontece que em uma manobra eleitoreira e irresponsável, deputados de oposição apresentaram uma emenda elevando o índice para 2,76%. Todos sabem, inclusive os deputados que assinaram a proposta que a emenda é ilegal, inconstitucional e inviabiliza o pagamento da data-base”, afirma a governadora. “Por esta razão, retirei a proposta da Assembleia Legislativa para ser discutida depois do período eleitoral”, explica ela.

“Lembro que boa parte dos deputados que assinaram a emenda votaram e aprovaram o Orçamento com reajuste zero para os servidores. Porque mudaram de ideia agora?”, questiona Cida. “Não permitirei que o Paraná repita os erros cometidos por outros estados que concederam aumentos inconsequentes e tiveram que parcelar salários e congelar investimentos”, diz a governadora.

O governo propôs reajuste de 1% para os servidores do Executivo alegando estar no limite dos gastos com pessoal previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal, e que pagar um aumento maior poderia colocar em risco o acordo de negociação da dívida do Estado com a União. A emenda que estendia a reposição integral da inflação dos últimos 12 meses para o funcionalismo estadual foi apresentada com o apoio de 31 dos 54 parlamentares, incluindo o bloco liderado pelo deputado estadual e pré-candidato ao governo, Ratinho Júnior (PSD).

Até abril último, o bloco formado por PSD e PSC – maior da Assembleia, com 17 deputados – integrava a base do governo Beto Richa. Em 2017, os mesmos parlamentares apoiaram a decisão do governo de congelar os salários dos servidores, votando a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Orçamento para 2018 com reajuste zero para o funcionalismo. Com a renúncia de Beto Richa para disputar o Senado e a posse de Cida Borghetti – pré-candidata à reeleição – o grupo de Ratinho Jr passou a defender a reposição da inflação para os servidores. "Os servidores do Paraná já fizeram um sacrifício enorme pelo nosso Estado nos últimos dois, três anos, que nesse momento é necessário ser revisto”, afirmou o deputado em maio, quando o assunto começou a ser discutido.

Na época, o líder do governo Cida Borghetti na Assembleia, deputado Pedro Lupion (DEM), já havia questionado a falta de coerência do grupo de Ratinho Jr. “A LDO que foi aprovada para esse ano com um artigo que é uma trava, que não permite dar o aumento dos servidores foi votada por toda a base de apoio do governador Beto Richa. O PSD inteiro, o PSC participava, o PP, o PSDB, o Democratas", lembrou. "O que foi que mudou? Qual é a diferença? Porque que agora alguns se julgam capazes de subir em uma tribuna e dizer que de 40 dias para cá o Estado mudou completamente e tem dinheiro de sobra para dar aumento para o servidor. Porque que agora pode? Qual que é a diferença? É a eleição que está chegando? É a vontade de agradar os servidores? O mínimo que a gente tem que ter como representante da população do Estado aqui é coerência", disse Lupion. "Não consigo entender que por causa da proximidade da eleição a gente esqueça o passado. Não tem a mínima condição de aceitar uma hipocrisia como essa", criticou o parlamentar.

 

DESTAQUES DOS EDITORES