A Vida é Palco

Helena Carnieri

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A Vida é Palco

Ser tão mãe até ser mãe de todo mundo

Ser tão mãe até ser mãe de todo mundo

Levar os filhos a um concerto beneficente é uma experiência um pouco constrangedora.

Por um lado, o desejo de ser como eu era antes: olhos atentos e o resto do corpo também,  significando compaixão, que eu entendo, que não queria que aquelas crianças do projeto social cantando lá na frente tivessem que passar por tudo aquilo que eles devem passar, que o mundo é ruim mesmo, mas que naquele momento estou ali olhando para eles e sou quase mãe deles.

Quase.

Um no colo outro tentando fugir da mão, os filhos de sangue exigem um pouco dessa atenção toda. Quero água. Tô com frio. Silêncio, querida!

E os pensamentos? Não tem como “entrar” no espetáculo, imergir de verdade. Deixar a arte que transforma a vida dos cantores transformar a minha um pouco nessa noite.

Ser tão mãe até ser mãe de todo mundo.

Enquanto assisto quero dizer acorda, menino, para de bocejar. Ao mesmo tempo, minha filha resume depois: “Eles cantam doce”.

Parabéns ao Projeto Dorcas, que há mais de duas décadas vem erguendo essas crianças da desesperança para mostrar uma nova possibilidade. Que a vida pode ser diferente.

Com o canto, com a música.

Parabéns aos professores de artes que se voluntariam para ensinar e, acima de tudo, estar junto.

Nós estaremos na plateia, do que jeito que estivermos.

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