• 22/06/2018

    Militares tentam as urnas

    Trinta e três anos depois de o último presidente-general, João Baptista Figueiredo (1919-1999), sair do Palácio do Planalto pela porta dos fundos pedindo que o esquecessem e se recusando a passar a faixa a José Sarney, seu sucessor civil, os militares ganharam nova influência e passaram a navegar por uma onda de popularidade. Uma pesquisa de opinião encomendada pelo Exército Brasileiro e apresentada ao Alto Comando, em abril, captou o fenômeno: 80,6% dos entrevistados disseram confiar na instituição e consideraram os integrantes das Forças Armadas os cidadãos mais capacitados para combater a corrupção e a violência, duas das maiores mazelas nacionais. As informações são do Correio Braziliense.

    É nesse ambiente que surgem mais de 80 pré-candidaturas de militares na reserva, que se organizam para disputar as eleições majoritárias e proporcionais em outubro, contra menos de 50 candidaturas em 2014. Outra diferença neste ano está na graduação, mais alta. São generais, majores, capitães, entre outros, que pretendem entrar para a vida na política. "A conjuntura abriu espaço para esses militares. Qual vai ser a ocupação desse espaço, ainda é muito cedo para saber. Mas é evidente que, neste momento, a sociedade os vê como uma tábua de salvação", afirma o sociólogo Antônio Lavareda.

    A última pesquisa Datafolha sinaliza, ainda que com números bem diferentes, uma convergência para o levantamento feito para o Exército. As Forças Armadas são a instituição em que a população deposita mais confiança, embora o índice tenha apresentado uma queda de cinco pontos percentuais entre as duas últimas sondagens do instituto. Em abril era de 43% e, agora, está em 37%. Em contrapartida, os índices mais altos de desaprovação e desconfiança continuam com os partidos políticos (68%), o Congresso (67%) e a Presidência (64%). O presidente Michel Temer (MDB) ostenta 82% de desaprovação popular e atinge o patamar mais baixo para um chefe da nação, desde a redemocratização.

    inRead invented by Teads "A influência dos militares diminuiu consideravelmente no período democrático e ela está sendo recuperada agora", diz o historiador Sergio Murillo Pinto, autor de "Exército e Política no Brasil - Origem e Transformação das Intervenções Militares (1831-1937)", da Editora FGV.

    Pesquisadores e acadêmicos ligados à defesa dos direitos humanos e a setores sociais mais progressistas veem com ressalvas o pensamento conservador de boa parte desses postulantes. "Não vejo com simpatia essas candidaturas. Os problemas do Brasil são de natureza civil e creio que a formação militar, que se baseia na hierarquia, na rigidez moral, dificulta a ação dessas pessoas", diz Sérgio Adorno, coordenador científico do Núcleo de Estudos da Violência da USP. "A história do regime militar durante os anos de ditadura não é de boa memória."

    O cenário tem mexido no xadrez das campanhas. O general João Camilo Pires de Campos, ex-comandante militar do Sudeste, por exemplo, entrou para o programa presidencial de Geraldo Alckmin (PSDB) para fazer a parte de Segurança Pública. Ele se soma ao coronel da reserva da PM de São Paulo José Vicente da Silva, que foi secretário Nacional de Segurança Pública no governo de Fernando Henrique Cardoso. Analistas de opinião viram nos convites do tucano uma tentativa de agradar ao eleitorado que apoia a candidatura do deputado federal e ex-militar Jair Bolsonaro (PSL). Enquanto Alckmin patina nos 7%, Bolsonaro mantém a liderança da corrida presidencial, com 19% das preferências, nos cenários em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está ausente.

    "Bolsonaro pode ter começado a crescer com o apoio dos militares. Ele abriu um caminho que está sendo trilhado por companheiros militares. Mas, hoje, sua base transcende, e muito, a corporação", diz o deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS), que atua como um dos coordenadores da campanha do pré-candidato.

    O cientista político José Álvaro Moisés, professor da USP, vê nas candidaturas de Bolsonaro e de outros militares os reflexos de um governo federal que está se "esfarinhando". "Bolsonaro é um político que um dia foi capitão do Exército. Aproveita-se dessa situação toda, mas é um político conservador, reacionário e autoritário, cujos defeitos são maiores que suas qualidades. Está fora do seu tempo. Não é um político do século XXI", afirma.

    Para Lorenzoni, Bolsonaro é um político com "raras qualidades" e, até agora, o "único em condições de fazer frente ao PT e essa tirania do politicamente correto". No entanto, sua trajetória militar associada à conjuntura desfavorável aos políticos tradicionais são vistas como polo de atração para candidaturas com as mesmas raízes. Entre os postulantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, mais de 50 devem concorrer pelo mesmo partido dele, o PSL.

    As demais legendas que têm sido procuradas são PSDB, PSC, PR, PEN, PRP, PRTB, Novo, Patriotas, DEM, PHS, PROS, PTB e PSD. Até o momento, apenas o Acre não tem representante no grupo. "O crescimento da preferência por Bolsonaro foi decisivo para que eu resolvesse me candidatar novamente", diz Sergio Roberto Peternelli, general da reserva que vai disputar uma vaga de deputado federal pelo PSL.

    "Não vejo nenhum mal nas candidaturas de militares. Pelo contrário, e talvez eu seja criticado por isso, mas acho que essas candidaturas são tranquilizadoras. São um sinal de incorporação à vida democrática. O que é preciso deixar sempre claro é que não são candidatos das Forças Armadas", observa Moisés.

    Desde que as candidaturas de militares começaram a ganhar espaço, Peternelli, de 63 anos, casado e morador de São Paulo, tornou-se uma espécie de organizador informal do grupo. É ele quem contabiliza a chegada dos novos pré-candidatos, faz contatos e estimula a adesão a bandeiras comuns, como a defesa da propriedade privada, as reformas constitucionais e o combate à corrupção. Para senador, Peternelli vai apoiar o deputado Major Olímpio (PSL-SP) e aguardará por uma decisão do partido sobre a candidatura a governador do Estado.

    Sem recursos para financiar as campanhas, o general da reserva tem estimulado o uso de "crowdfunding" e de doações privadas. "O momento favorece nossas candidaturas. A população acredita em nossa formação e na correção de nosso caráter", afirma Peternelli.

    Mais do que acreditar na capacidade dos militares, Marieta de Moraes Ferreira, doutora pela Universidade Federal Fluminense (UFF), observa que momentos específicos da história reúnem as condições que favorecem essa categoria de postulantes. "As candidaturas de militares no Brasil têm sempre muita relação com crises, com a desorganização da sociedade civil, dos partidos e até das instituições", diz Marieta, que também é diretora-executiva da Editora FGV.

    É quase um consenso entre historiadores e cientistas sociais que a atual instabilidade político-econômica do país é um terreno fértil para o crescimento da influência militar. "Eles são uma instituição cujos integrantes são vistos como pessoas abnegadas e voltadas para o bem da pátria. Ninguém lembraria de chamar os militares para o jogo político se tudo estivesse bem. Mas nada está bem", afirma Lavareda. "O problema é que esse militar, quando se torna candidato, se iguala aos outros. Ninguém sabe o que pode acontecer nessa trajetória em que ele corre o risco de terminar com a farda desbotada."

    Há menos de um mês, durante um almoço de militares da reserva em Porto Alegre, o general Hamilton Mourão, que já chefiou o Comando Militar Sul (CMS), disse: "Não vejo que a solução para o país seja aquela intervenção militar clássica de afastar todos do poder, e a partir daí as Forças Armadas tomarem conta do país. O país não tem que ser tutelado pelas Forças Armadas. O que as Forças Armadas têm que fazer é impedir que ocorra o caos".

    Mourão se filiou ao PRTB e pode ser o vice na chapa de Bolsonaro. Ele ficou conhecido nacionalmente por suas duras e ameaçadoras declarações a favor da intervenção das Forças Armadas. No entanto, tem buscado abrandar suas declarações. Às vésperas de tomar posse como presidente do Clube Militar, dedica boa parte de sua agenda a divulgar as candidaturas de militares.

    "Faço isso porque sei que são pessoas com valores e princípios. É gente que conhece os problemas brasileiros e vai estar lá representando uma parcela significativa da população em condição de participar desse processo de reforma e refundação do nosso país, que é mais do que necessário", diz.

    Além de o Brasil passar por um período já relativamente longo de instabilidade política e social, agravada por episódios pontuais como a greve dos caminhoneiros que parou o país, Lavareda argumenta que a fragilidade de Temer estimula o uso e a visibilidade das Forças Armadas. "É natural que Temer se ampare neles. Não que ele goste, mas não tem outra saída", diz ele.

    Entre 2010 e 2017, a medida que permite as operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) foi acionada 29 vezes. Desse total, segundo o Exército Brasileiro, dez ocorreram no governo Temer. A GLO é usada nos casos em que há o esgotamento das forças tradicionais de segurança pública, em graves situações de perturbação da ordem. Reguladas pela Constituição em seu artigo 142, pela Lei Complementar 97, de 1999, e pelo Decreto 3897, de 2001, as operações de GLO concedem provisoriamente aos militares a faculdade de atuar com poder de polícia até o restabelecimento da normalidade.

    Temer teve de escolher entre tentar votar a reforma da Previdência - já com chances reduzidas de ser aprovada - e conter a situação da segurança no Rio de Janeiro. Optou pela segurança e decretou intervenção no Estado governado por Luiz Fernando Pezão (MDB), criando um poder paralelo entregue ao interventor, general de Exército Walter Souza Braga Netto.

    "É muito provável que a visibilidade dos militares nessas operações de segurança, de combate ao crime organizado, sejam os grandes apelos dessas candidaturas", afirma o ministro da Defesa, general do Exército na reserva Joaquim Silva e Luna, o primeiro militar a assumir o comando da pasta desde 1999, quando ela foi criada no governo de Fernando Henrique Cardoso.

    Divulgado há poucos dias, o "Atlas da Violência de 2018", produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, dá uma dimensão do tamanho desse apelo. Em 2016, os 62.517 assassinatos cometidos no país, pela primeira vez na história, superaram a casa dos 60 mil em um ano. "A população tem o direito de querer que resolvam esse e os demais problemas. Mas é só mostrar o resultado dessas intervenções que fica claro que o crime organizado não se desmonta com tanques", diz Paulo Sérgio Pinheiro, ministro de Direitos Humanos no governo Fernando Henrique.

    Em sua opinião, uma parte da responsabilidade pelo pensamento de que militares podem resolver os complexos problemas brasileiros é do governo federal. "As concessões que Temer vem fazendo ao Poder Militar significam um extraordinário retrocesso", diz Pinheiro, que se refere à lei que tirou da Justiça Civil e passou para a Militar a responsabilidade de julgar homicídios cometidos por membros das Forças Armadas nas operações de GLO. "Inverteu a ordem e criou a submissão aos militares".

    "A incompetência, a conivência e a irresponsabilidade dos órgãos de segurança nos levaram a esta situação", afirma o general de Exército da reserva Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, candidato pelo PSDB ao governo estadual. De acordo com dados do Sistema Nacional de Segurança (SNC), o Ceará registrou 5.134 assassinatos, em 2017, e se tornou a 7ª região metropolitana mais violenta do mundo, segundo o ranking da ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal. "Vamos tirar o oxigênio do crime, que é a droga", diz o general.

    Sua candidatura nasceu pelas mãos do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ex-presidente do partido, e por uma indicação de outro tucano, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, que o conheceu quando ele foi o comandante militar da Amazônia. "Convivi com ambos. Mas confesso que fiquei surpreso, em um primeiro momento, com a ideia. Depois, conversei com minha família, eles concordaram e eu aceitei. Acho que, de certa maneira, devo isso ao meu Estado e ao país que custeou minha formação", diz.

    A transição entre a vida militar e a política não tem sido fácil. Em pouco mais de um mês de pré-campanha, afirma que se sente pouco à vontade e não vê muita utilidade nas caminhadas e eventos similares. "Não é do meu temperamento e, em alguns momentos, me sinto até meio ridículo", afirma.

    Em sua opinião, essas caminhadas não seriam necessárias se a política fosse levada mais a sério no Brasil. "Isso é artificial. Você sai por aí, apertando a mão, prometendo mundos e fundos e depois desaparece. Não gosto disso", afirma. Mesmo não gostando, ele tem visitado e andando pelas ruas das cidades no Estado e sabe que não será fácil derrotar a coligação com mais de 20 partidos que ampara seu adversário Camilo Santana (PT), que tem o apoio de Cid Gomes e do irmão, Ciro, pré-candidato à Presidência da República pelo PDT.

    No Distrito Federal, o general de divisão da reserva Paulo Chagas anunciou sua candidatura ao governo pelo PRP. No Rio Grande do Norte, o general Eliéser Girão Monteiro, ainda decide entre o governo ou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PRP. Desde que a eleição indireta de Tancredo Neves (1910-1985) pelo Colégio Eleitoral encerrou o ciclo de generais-presidentes que comandaram o país com o golpe militar de 1964, não se via um fenômeno igual no Brasil.

    E não foram apenas as circunstâncias desse momento ou mesmo a corrupção na política que abriram esse espaço aos militares. A própria evolução das Forças Armadas permitiu essas candidaturas. "Hoje os militares têm consenso de que não há via pelo autoritarismo para resolver os problemas do Brasil. Com exceções, como em todos os grupos, ninguém cogita ou quer assumir o poder", diz um oficial com assento no Alto Comando das Forças Armadas.

    Além de afirmarem que não há espaço para o autoritarismo, muitos desses oficiais da ativa ponderam que, neste momento, sequer haveria um candidato. Isso porque, apesar da popularidade e da simpatia pública, a candidatura de Bolsonaro está longe de ser uma unanimidade. O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, segundo pessoas próximas, tem aceitado a candidatura, ainda que sem grande entusiasmo, porque não há outros nomes para substituí-lo.

    Mesmo assim, Villas Bôas, ativo usuário das mídias sociais - pelas quais costuma transmitir sua opinião -, não pretende deixar a corporação alheia à disputa eleitoral. Anunciou que enviará documento com sugestões para a segurança pública e convidou todos os candidatos que quiserem a discutir suas ideias com os oficiais.

    A participação de militares na política brasileira é tão antiga quanto a República, proclamada em 1889 pelo marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), quando ele assumiu a chefia do governo provisório. Driblando a primeira constituição republicana que estabelecia eleição direta, Deodoro foi escolhido pelo Congresso Nacional, tendo como vice Floriano Peixoto (1839-1895), também militar, e que viria a substituir o presidente em 1891.

    O exemplo clássico foi em 1945, quando, após o golpe militar que depôs o então presidente Getúlio Vargas (1882-1954), dois dos quatro candidatos que disputaram a eleição presidencial eram militares - o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN) e o general Eurico Dutra (PSD), que venceu o pleito. "Os militares nunca deixaram de estar presentes na vida política nacional, seja pelo voto, seja pela ditadura, como em 64. O período mais longo que o Brasil vive sem a influência dos militares é o da redemocratização, que começou em 1985 e segue até hoje", afirma Marieta.

    A diferença entre o passado e o presente está no fato de que, segundo os pesquisadores, não há lideranças militares como já houve antigamente. Isso se deve à última ditadura militar. Os comandantes do regime militar, assim como podaram os direitos dos civis, também trataram de garantir sua permanência evitando o risco de um contragolpe.

    Foi o marechal Castelo Branco (1900-1967), o primeiro presidente da ditadura, quem providenciou uma reforma nas Forças Armadas, criando a chamada expulsória: a partir dos 70 anos, os militares passam à reserva automaticamente, nenhum oficial pode ser general por mais de 12 anos, e anualmente um quarto desses quadros devem ser renovados.

    "A atividade militar no Brasil se confunde com a própria nacionalidade. Talvez esteja chamando atenção o envolvimento de militares na política partidária. Mas Forças Armadas são parte da política. O Exército é um dos instrumentos da política, sem ser partidário", diz Muniz Costa. Em sua opinião, a população vê nos militares, neste momento, um reflexo dela mesma: cidadãos que pagam impostos e pouco ou nada recebem em troca.

  • 22/06/2018

    Justiça intima Telebras para conciliação sobre satélite que só dá prejuízos

    Do blog do Vicente

    O impasse que já causou prejuízo de R$ 100 milhões à estatal de telecomunicações Telebras pode ser resolvido nesta sexta-feira (22/06). Impedida pela Justiça Federal do Amazonas de implantar o programa Internet para Todos, que prevê levar banda larga a pontos remotos do país, a empresa alega perdas diárias de R$ 800 mil. A Via Direta, operadora que processa a estatal, solicitou à juíza Jaiza Maria Pinto Fraxe, da 1ª Vara Federal de Manaus, a possibilidade de conciliação.

    O pedido foi deferido e a audiência, marcada para esta sexta-feira, às 13h, dois dias depois de o presidente da Telebras, Jarbas Valente, ter dito, em audiência na Câmara dos Deputados, que, se a liminar não for cassada em dois ou três meses, terá que repetir o processo licitatório.

    O presidente da Via Direta, Ronaldo Tiradentes, disse que espera resolver o imbróglio na audiência desta sexta-feira. “Eu mesmo enviei o comunicado à Telebras, espero que eles compareçam para o país deixar de ter prejuízo”, afirmou. O objetivo da empresa é poder operar o satélite na Região Norte. “Quando fizeram o edital, estavam previstos dois lotes. A Telebras fechou com uma empresa só, ignorando o próprio edital. Por isso, perdeu em todas as instâncias da Justiça”, assinalou.

    A disputa judicial foi motivada pelo acordo da Telebras com a empresa norte-americana Viasat para operar a capacidade civil do satélite brasileiro SGDC1, que custou R$ 2,78 bilhões aos cofres públicos e, hoje, opera apenas a banda X (30%) de uso militar. No ano passado, a estatal fez um leilão para licitar a utilização de parte da capacidade da banda Ka. Como não apareceu nenhum interessado, acabou contratando a Viasat, num acordo que garantia direito ao uso de 58% da banda comercial do satélite.

    A Via Direta, no entanto, conseguiu liminar na Justiça Federal do Amazonas para impedir a operação, alegando ter um pré-acordo com a Telebras para utilização de 15% da capacidade do satélite. “Depois de ter dado sala deserta na licitação, fomos procurados pela Telebras. Dois ex-presidentes vieram a Manaus — Antonio Loss e Maximiliano Martinhão — e nos incentivaram a comprar os equipamentos. Investimos US$ 6 milhões para operar o satélite e já tínhamos encomendado 10 mil antenas”, argumentou Tiradentes.

    A estatal nega qualquer acordo com a Via Direta, mas sofreu derrotas na Justiça, além de ser alvo de outras ações dos sindicatos que representam as operadoras de telecomunicações e empresas de satélites. A juíza Jaiza, que conduz o caso, afirmou, no despacho, que, em razão do prazo exíguo, as partes não puderam ser intimadas por carta ou oficial de Justiça, ficando a Via Direta responsável pela comunicação à Telebras.

    Segundo a juíza, “o não comparecimento de qualquer uma das partes ensejará a interpretação, pelo juízo federal da 1ª Vara/AM, de não interesse em conciliar. É presumível pelo teor da petição que estejam todos os interessados realizando tratativas amigáveis para pôr fim ao litígio”. Procurada, a Telebras disse não ter sido notificada.

  • 22/06/2018

    Torcida Oculta por Lula

    Do blog da Denise Rothenburg

    Senadores de todos os partidos já esperavam e comemoraram a absolvição da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) do crime de corrupção. É que o resultado favorável à petista representa a renovação de esperanças de muitos sob investigação, um grupo que, aliás, começa a sair da toca. Alguns pretendiam se unir a Fernando Collor que, em 12 de junho, apresentou uma nova reclamação contra o ex-procurador Rodrigo Janot. Nos tempos em que Janot comandava a PGR, todas as reclamações eram arquivadas sem discussão. Agora, depois do indiciamento do ex-procurador Marcelo Miller, há quem tenha esperanças de mostrar que nem todos os políticos investigados são bandidos. Falta, entretanto, combinar com o STF, com o Ministério Público, com a Polícia Federal e, lá em outubro, com o eleitor. Atualização: Depois de Gleisi, agora, o PT espera soltar Lula dia 26 de junho. Espera contar com, pelo menos, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes nessa empreitada.

  • 22/06/2018

    Nepotismo será julgado pelo STF

    O Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá em plenário se a prática de nepotismo alcança a nomeação para cargos políticos. O tema estava sendo debatido de modo virtual, mas os ministros votaram, por unanimidade, para julgá-lo com repercussão presencial reconhecida. A prática abrange a nomeação para o exercício de cargo político de familiares — como cônjuges, companheiro, ou parentes em até terceiro grau. Ainda não há data para que o assunto seja julgado pelos 11 ministros da Suprema Corte. A matéria a ser discutida trata de um caso de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), ajuizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). As informações são do Correio Braziliense.
     

    No início da sessão de ontem, a presidente do STF, Cármen Lúcia, disse que “não foram encontradas gravações que indicassem qualquer participação de ministros do STF envolvidos ou citados em qualquer ato ilícito”. A fala faz referência a um pedido feito pela própria presidente para que a Polícia Federal (PF) investigasse ações sobre supostas irregularidades praticadas por pessoas ligadas à Corte, que teriam vindo à tona em áudios de delatores da JBS. “Esse esclarecimento se faz necessário e a menção dessa investigação se faz importante porque sobre este Supremo Tribunal, que tem o compromisso da guarda da Constituição e que tem como um dos seus princípios a moralidade pública, não poderia pender qualquer tipo de a mais leve dúvida sobre a conduta daqueles que compõem e integram o STF”, afirmou a presidente do órgão.

  • 22/06/2018

    Candidato à presidência, Geraldo Alckmin estará em Cascavel na próxima quinta

    Candidato à presidência, Geraldo Alckmin estará em Cascavel na próxima quinta

    Candidato à presidência, Geraldo Alckmin estará em Cascavel na próxima quinta-feira, dia 28, àa 10h.

    Com a candidatura em crise após a prisão de Laurence Casagrande, ex-diretor presidente do Dersa, um dos suspeitos de desviar R$ 600 milhões na construção do Rodoanel, os tucanos preteriram Curitiba para evitar protestos.

    Casagrande acumulou o cargo de secretário de Transportes e Logística do governo de Alckmin.

    Outro problema enfrentado pelo ex-governador de São Paulo é a construção de alianças, ele vem sendo esnobado pelos tradicionais apoiadores.

    O tucano perdeu espaço para Jair Bolsonaro, do nanico PSL, que contesta a corrupção das atuais oligarquias políticas e as bandeiras levantadas pela esquerda.

  • 22/06/2018

    Liberação de verbas cai para Curitiba e cresce para Maringá no governo Cida Borghetti

    Liberação de verbas cai para Curitiba e cresce para Maringá no governo Cida Borghetti
    Ulisses Maia

    Após a chegada de Cida Borghetti (PP) ao Palácio Iguaçu, os recursos destinados para Curitiba caíram para R$ 4 milhões e a cidade está na lanterna.

    O prefeito Rafael Greca (PMN) ainda não reclamou como Maringá de Ulisses Maia recebeu R$ 35 milhões em tão pouco tempo.

    Cascavel de Paranhos também está rindo à toa com o recebimento de R$ 21 milhões.

    O prefeito Marcelo Belinatti deve estar feliz da vida com verbas de R$ 15 milhões.

    Guarapuava de Cesar Silvestri teve recursos de R$ 11 milhões.

    Na vice-lanterna está Ponta Grossa, de Marcelo Rangel, com R$ 9 milhões.

  • 22/06/2018

    Curso desmistifica como ganhar grana extra no mercado financeiro

    Curso desmistifica como ganhar grana extra no mercado financeiro
    Ulisses Maia

    Investir no mercado financeiro ainda é um mito para os brasileiros. Atualmente, aproximadamente 600 mil pessoas, menos de 1% da população do país, se arrisca a entrar no desconhecido campo da Bolsa de Valores. Os leigos geralmente acreditam que o profissional da área trabalha em São Paulo, no prédio da Bovespa. A maioria desconhece que ativos financeiros pode ser contratado e realizado remotamente, de casa ou de qualquer lugar do planeta.

    Um grupo de jovens está mostrando em Curitiba que a educação financeira pode engordar os rendimentos dos curitibanos. Murilo Rebelo Coga, Weslley Martins e Marcos Santos desmitificam no curso “traders”, que é possível o investidor operar o capital próprio, assumindo riscos e se beneficiando do próprio ganho. As aulas acontecem durante três dias, entre 29 e 30 de junho e primeiro de julho, no Batel Work.

    “O curso ensina técnicas para leitura do que acontece no mercado e como se faz a operação”, explica Martins. “É muito fácil investir no mercado. A partir de R$ 40,00 é possível começar”, lembra Santos. “Durante às aulas, o iniciante receberá lições como a operar o dólar futuro de forma simples e objetiva, aprendendo como ganhar com a oscilação do ativo, neste momento em que o mercado tenta elevar a moeda americana e o governo segurar”, esclarece Coga.

    “Enquanto o investidor espera meses ou anos uma ação se valorizar para vender, o day trader trabalha no mercado futuro, quando acha que o ativo está em alta ou quando sente que a tendência aponta para baixa. O risco é menor quando se opera na modalidade. O exemplo recente é o Joesley Baptista que ganhou milhões quando provocou um caos na bolsa de valores”, finaliza Coga.

    Serviço

    Curso de Trader na Bolsa de Valores

    Local: Condomínio Batel Trader

    Rua: Avenida Batel 1500, Batel

    Informações: 41 99201-7887

    Email: [email protected]

    Web: www.fournew.com.br

    Dicionário do investido iniciante

    Day Trade

    Combinação de operações de compra e de venda realizadas por um investidor com o mesmo título em um mesmo dia. No Brasil as transações de compra e venda devem ser realizadas por uma sociedade corretora.

    Swing Trade

    Estratégia com ativos negociados em Bolsa, apostando em variações de preços de curto a médio prazo (e não no curto e curtíssimo prazo, como no Day Trade), visando realizar lucro ao final da operação. Os principais fatores que influenciam nos resultados desta estratégia são a volatilidade e a liquidez do ativo negociado.

    Position Trader

    Esse é o investidor mais conservador do mercado. Sua estratégia é comprar ações e segurá-las por longos anos. Para o position trader, o gráfico não importa tanto quanto as perspectivas a longo prazo das empresas.

    Tape reading

    Técnica usada por “traders” para analisar o fluxo de ordens e tomar decisões de investimento. É uma espécie de leitura do fluxo para identificar comportamentos de agentes de mercado, direção dos preços, intensidade das ofertas, entre outras variáveis.

  • 22/06/2018

    Pesquisa Radar faz 12 simulações de segundo turno

    Pesquisa Radar faz 12 simulações de segundo turno
    Ulisses Maia

    O instituto Radar registrou pesquisa para governo do Estado nas eleições de 7 de outubro com cinco pré-candidatos: Cida Borghetti (PP), Dr. Rosinha (PT), Jorge Bernardi (Rede), Osmar Dias (PDT) e Ratinho Junior. O lenvantamento também vai fazer a consulta espontânea, a rejeição dos pré-candidatos e 12 simulações de segundo turno.

    As entrevistas com 1.494 eleitires começaram na terça-feira, 19, e os resultados devem ser divulgados na próxima terça-feira, 26. A margem de erro é de 2,6% e o grau de confiança, de 95,5%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número PR-04594/2018.

  • 22/06/2018

    No futebol como na política

    Do Ari Cunha

    Enquanto a bola rola nos estádios da Rússia, os candidatos à presidência da república vagueiam pelos estados brasileiros, em campanha eleitoral francamente aberta, mesmo que a legislação proíba essa antecipação do calendário. De fato, nem a campanha da seleção, nem o recital de promessas dos postulantes para 2018 têm despertado grande interesse da população.

     O futebol insosso do escrete, apoiado basicamente na figura de um Neymar, que parece possuir talento fora de série apenas quando atua em times no exterior, e as caras manjadas dos políticos que se apresentam para o principal pleito de 7 de outubro, por razões idênticas, deixaram de empolgar os brasileiros.

     A decepção com os seguidos casos de malversação de recursos, falsificação de resultados, construção superfaturada de estádios e outras falcatruas, tanto na CBF como na própria FIFA, além da derrota inexplicável por 7×1 para a Alemanha, retraíram e constrangeram o torcedor de tal maneira que somente uma campanha mágica e indiscutível rumo ao hexa poderá redimir o passado recente.

    Do mesmo modo, os escândalos, em sequência contínua, praticamente reduziram à pó a imagem que a população faz hoje de todos os políticos. O desencanto geral vem também da encenação e das mentiras, quer dos jogadores que se jogam ao chão procurando vantagens e faltas inexistentes, quer da atuação dos políticos, obrigados a desmentir, com falsas versões, as acusações de que são alvos.

     A perda de credibilidade e o malabarismo nos pés e na retórica afastaram fãs e eleitores. Ainda assim, para o bem do esporte e da democracia, futebol e eleições devem prosseguir. Quem sabe, ali na frente, as coisas se arrumam e tudo volta a ser como era antes.

    No caso da política a coisa é mais complicada. As gigantescas manifestações de rua acenderam o sinal de alerta para todos aqueles que ainda apostam no velho modo de fazer política e pode render resultados inesperados quando as urnas forem abertas. Aliás, permanece crescente entre os eleitores a desconfiança sobre as urnas eletrônicas. Nenhum país a adotou, técnicos já provaram que as urnas são violáveis. Toda a campanha política não passará de encenação caso os votos dos brasileiros não sejam auditados. Comparável ao triste teatro com encenações de surpresa de nossas autoridades quando sorteado o Brasil para sediar a Copa do Mundo em 2014.  Aquele sorteio gerou suspeitas até hoje não esclarecidas.

    Mesmo no futebol, fez-se necessário a introdução de um segundo árbitro, chamado de vídeo, para sanar eventuais dúvidas das jogadas. Seria comparável a contagem dos votos, o tira-teima. Por essa mesma razão, muitos eleitores e mesmo especialistas renomados sobre questões de informática concordam com a introdução do voto impresso para debelar eventuais desconfianças.

    No futebol, como na política, é preciso regras claras e precisas. Tanto nos campos, como nos palanques a obediência às leis devem possuir regras indiscutivelmente objetivas e justas. Jogador que tomou cartão vermelho deve sair de campo. Político investigado também deveria, embora se saiba que a maioria deles irá disputar novos cargos, muitos claramente em busca da blindagem proporcionada pelo foro de prerrogativa.

    O fato é que o mal desempenho, nos campos e na tribuna, tem desanimado os brasileiros, mesmo aqueles que gostam de futebol e de política. Reverter essa situação extrema é a jogada mais importante a ser feita agora.

  • 21/06/2018

    Marido de Gleisi ainda será julgado por caso grave

    O ex-ministro Paulo Bernardo se livrou da acusação mais amena contra ele, na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, mas o pior está por vir: o Ministério Público Federal o denunciou em 2016 e outras 12 pessoas no âmbito da Operação Custo Brasil, por integrar organização criminosa que teria roubado R$102 milhões, entre 2009 e 2015, de servidores e aposentados que fizeram empréstimos consignados. Tudo seria feito pela Consist, empresa que fazia a gestão dos consignados. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

    Pela denúncia, a serviço do grupo, a Consist descontava quantias quase imperceptíveis das vítimas, que, somadas, chegavam a milhões.

    O marido da senadora Gleisi Hoffmann é acusado pelo MPF dos crimes de corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

    Entre os denunciados com Paulo Bernardo estão os ex-tesoureiros do PT Paulo Ferreira e João Vaccari, que já cumprem pena de prisão.

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