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Fora de Curitiba

'Castramóvel' da UFPR realiza primeiras cirurgias

Além da castração, Unidade Móvel de Esterilização e Educação em Saúde da universidade também pretende conscientizar a comunidade sobre a posse responsável de animais

A Unidade Móvel de Esterilização e Educação em Saúde (Umees) da UFPR, também conhecida como "Castramóvel", promoveu na terça-feira (29), em Antonia, a segunda ação de castração gratuita de cães desde que entrou em funcionamento.

A primeira ação aconteceu cerca de três meses atrás, no campus Centro Politécnico, onde era grande a concentração de cães errantes. Depois disso, a unidade esteve nas cidades de Pinhais e São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Nas duas, porém, não foram realizadas intervenções cirúrgicas e a Umess se concentrou em trabalhos de educação a respeito da importância da posse responsável de cães e gatos.

Depois do período eleitoral, a unidade deve começar a cumprir agenda em bairros da cidade de Curitiba, que serão definidos pela administração municipal. Ainda este ano deve fazer também mais uma visita a São José dos Pinhais, aí sim visando a castração dos animais.

Mais importante do que a castração, segundo a equipe da UFPR, é o processo de conscientização sobre a posse responsável de animais, que também acompanha o projeto.

A Umees é, na verdade, mais uma fase de uma rede de projetos que está em prática há quatro anos. Ela inclui iniciativas de controle de zoonoses (doenças que afetam tanto animais quanto seres humanos) na região metropolitana, no litoral e na Apa do Iraí, além de um projeto de conscientização dos chamados "carrinheiros", pessoas que vivem do recolhimento de material reciclável nas ruas da cidade e que geralmente possuem cães. Todas visando levar informação à população, o que inclui visitas domiciliares em comunidades carentes e palestras em escolas de primeira à quarta série.

"Hoje, 70% das novas doenças que surgem são zoonoses", informa o professor de Veterinária da UFPR e vice-coordenador da Umees, Alexandre Biondo.

Para o professor Felipe Wouk, coordenador da Umees, apenas a castração não resolve o problema. "Se você só castra o animal e não educa o proprietário para a posse responsável, para que mantenha o cão em casa, o animal vai voltar para a rua, onde vai continuar podendo transmitir doenças", explica.

De acordo com o censo realizado em Antonina, existem cerca de cinco mil cães na cidade, um para quatro habitantes. Mas em Piraquara, segundo Biondo, o número chega a um cão para cada dois habitantes. Grande parte desses animais, afirmam os professores, são semidomiciliados (têm casa, mas passam grande parte do tempo perambulando pelas ruas, oferecendo riscos à comunidade). "Conscientizar a população a manter esses animais longe das ruas é uma questão de saúde pública", diz Wouk.

Segundo ele, a castração é só mais um elo na cadeia de informação e conscientização. Biondo concorda. "A castração é uma ação pontual, mas a conscientização que trazemos junto com isso tem um efeito multiplicador", calcula.

O casamento entre prática cirúrgica e conscientização popular foi considerado tão benéfico que o Conselho Federal de Medicina Veterinária, órgão máximo do setor no país, baixou uma resolução regulamentando as atividades de castração em unidades móveis baseada na prática inaugurada pela UFPR.

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