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Opinião

Nossa Opinião — Muito além das grades

A Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Paraná (OAB-PR) fez ontem uma vistoria surpresa na carceragem do 9º Distrito Policial, local de onde 31 mulheres ali detidas escaparam na noite de domingo em uma ação cinematográfica. O fato do arebatamento não foi o que levou a OAB até lá, mas as condições em que se encontravam as presas — e ainda se encontram as que ficaram. Como em outras cadeias, a carceragem do 9º DP é lastimável. Comida suspeita, condições sanitárias zero, mulheres esprimidas nos cubículos, e aí vai.
Mas uma das conclusões da OAB procurou ser mais realista com o momento. Ao invés de divagar sobre a falta estrrutural apenas, a comissão apontou que boa parte das mulheres ali detidas seria vítima do um abandono social que as leva à criminalidade. 60% delas está presa por causa do tráfico de drogas. E é óbvio que nenhuma delas é uma grande taficante. Com certeza foram pegas com pequenas quantidades, daquilo que se trafica nas esquinas, ou se transporta como mula. Essa visão da OAB, além de sincera, cutuca a ferida que todos nós sabemos existir, mas que na maior parte do tempo preferimos apenas condenar. A do pequeno traficante que vende uma pedra aqui e acolá para ganhar uns trocados. Santas não são, lógico, mas há que se aprofundar esta análise, e encontrar as alternativas para que ao invés de vender pedras de crack, estas mulheres tenham condições de trabalho digno ou de criar seus filhos, ou as duas coisas. Essa vistoria da OAB, por isso, já valeu por mil iniciativas.
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