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Irã nega participação em atentado contra a Amia

O Irã negou hoje (26) as acusações feitas pelos promotores federais argentinos Alberto Nisman e Marcelo Martínez Burgos, que pediram ontem que seja emitida uma ordem para a captura do ex-presidente iraniano Ali Akbar Rafsanjani (1989-97) e de outras sete ex-autoridades do país persa, entre elas o ex-ministro de Informação e Segurança Ali Fallahijana. Nisman e Burgos acusam o governo iraniano da época de ter sido o autor "ideológico e financeiro" do atentado contra a associação beneficente judaica Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em 1994. O ataque terrorista em pleno centro de Buenos Aires deixou 85 mortos e 300 feridos.

Mohsen Baharvand, que está a cargo da representação iraniana em Buenos Aires, declarou hoje à imprensa que "em nome de meu governo, e de forma oficial, rechaço e condeno essas acusações". Segundo ele, "são alegações com base política que não respeitam o devido processo legal".

O diplomata iraniano afirmou que as acusações são "inaceitáveis" pois, "segundo as leis argentinas, estes promotores não têm a faculdade de acusar um governo estrangeiro, direito reservado à Corte Suprema de Justiça deste país". Baharvand lembrou que "neste caso (o da Amia), houve numerosas irregularidades, cometidas por um juiz que já foi expulso de seu cargo e que era um juiz corrupto". Ele se referia ao juiz federal Juan José Galeano, inicialmente à frente da investigação, que foi exonerado em 2004 por ter subornado uma testemunha.

"Não apresentaram nada de novo e não foi possível identificar um só responsável por este crime horrendo", completou o diplomata.

O pedido dos promotores argentinos é o primeiro em que o governo de Teerã é acusado formalmente. O promotor Nisman - que há um ano e meio comanda a Unidade Especial de Investigações - também pediu que o ataque à Amia seja enquadrado como um atentado terrorista "internacional", e não somente "nacional", como ocorre atualmente.

Nos últimos anos, a Justiça argentina havia emitido pedidos de captura internacional de alguns diplomatas iranianos. No entanto estes haviam sido questionados pela Interpol, que considerava não haver provas suficientes. Mas esta é a primeira vez que a promotoria pede a captura de um ex-presidente. Nas próximas semanas o juiz federal Rodolfo Canicoba Corral decidirá se emite uma ordem internacional de prisão.

Segundo Nisman, o atentado foi definido numa reunião do governo iraniano em 13 de agosto de 1993, na cidade de Mashad. O principal motivo para escolher Buenos Aires como alvo teria sido a quebra unilateral do convênio nuclear que a Argentina tinha com o Irã desde os anos 80. A suspensão do convênio foi determinada pelo então presidente Carlos Menem (1989-99).

O atentado, segundo os promotores, foi feito pelo grupo fundamentalista islâmico libanês Hezbollah, sob ordens de Teerã. Nisman também sustentou que os terroristas que organizaram o ataque desembarcaram no aeroporto internacional de Ezeiza em 1º de julho de 1994 e saíram do país em 18 de julho ao redor das 8h50. Uma hora depois, uma explosão destruía o edifício da Amia.
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