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Papo Reto

A vez dos nanicos

Pela primeira vez desde a Nova República, candidatos de partidos nanicos e de médio porte devem protagonizar em 2018 a disputa como cabeça de chapa para eleição de presidente da República. Embora o xadrez político só se defina em agosto, por conta do calendário eleitoral, pesquisas de intenção de voto que pipocam nos rincões do país revelam um fato inédito: as grandes legendas do Brasil (PMDB, PT e PSDB) podem e devem atuar apenas como coadjuvantes na disputa pelo Palácio do Planalto. 
Obviamente que, por suas musculaturas, pelo tempo de televisão que podem agregar e também por governar a maioria das prefeituras e governos, PMDB, PT e PSDB devem fazer parte de grandes coligações, mas em alguns cenários do país vai ficar assistindo de longe. 
O fenômeno dos nanicos tem explicação. Os grandes partidos do Brasil sofrem do mesmo mal: os recentes e frequentes escândalos de corrupção que provocaram na população brasileira uma aversão à classe política. Eles estão invariavelmente no epicentro dos maiores esquemas de corrupção que os brasileiros já assistiram. Também pudera, são eles que governam o Brasil desde a Nova República se alternando no poder. 
Diante de tamanho desgaste político, a eleição de 2018 abre espaço para terceiras, quartas e até quintas vias. Quem diria. Afinal de contas você leitor alguma vez imaginou que um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) se candidatasse ao cargo de presidente da República? E já tinha pensando em um capitão da reserva do Exército Brasileiro comandando o país do Palácio do Planalto? Pois bem, ambos estão cotados para vencer a eleição com grandes chances de vencer. 
Jair Bolsonaro é o capitão do Exército que está no nanico PSL – a 17ª força do país. Mas figura como líder nas pesquisas eleitorais para a presidência da República. Começou a carreira política como vereador, hoje exerce o sétimo mandato como deputado federal, mas até então Bolsonaro andava no Congresso Nacional como apenas mais um dos 513 deputados. Em 2014 foi o deputado federal do Rio de Janeiro mais votado – tanto é que conseguiu eleger o irmão e três filhos em cargos eletivos. Em 2017 foi eleito o parlamentar mais influente nas redes sociais – um dos fatores que coloca Jair Bolsonaro hoje com 22% dos votos na mais recente pesquisa eleitoral divulgada pelo DataPoder360.        
Bolsonaro só perde num eventual segundo turno para o tal ex-ministro do STF que quer ser presidente. Joaquim Barbosa deixou o Supremo em 2014 depois de relatar o julgamento do Mensalão do PT  — aquele que ficou conhecido como o maior juízo da história da Suprema Corte do país. Na época, como disse o ministro Luís Roberto Barroso, “por ter se tornado um símbolo contra a improbidade no Brasil e o país estava precisando de bons símbolos”, até cogitou-se uma eventual candidatura de Barbosa. Mas parecia utópico. Quatro anos depois, Joaquim Barbosa se filiou ao PSB e virou realidade. Virou uma via para o voto de protesto. 
Barbosa não é político, mas a falta de representatividade chegou a tal ponto que muitos cidadãos veem nele uma saída para os problemas de corrupção que tanto assolam o país. É a mesma realidade que vive hoje o juiz Sérgio Moro que julga em primeira instância no Paraná os processos da Lava Jato. Se estivesse filiado em qualquer um partido político e se arriscasse na eleição presidencial fatalmente venceria com ampla vantagem. Importante destacar que tanto Moro quanto Barbosa nada fizeram além do seu ofício. Mas a descrença da população brasileira é tamanha que ambos se tornaram heróis. Ou melhor, uma esperança para o país. Status também obtido por Bolsonaro, que arrasta milhares de eleitores por onde passa, mas, principalmente, nas redes sociais. 
Aquele que for eleito em 2018, seja qual for, assume o país na condição de “esperança” e carrega tanto o bônus quanto o ônus deste status. Basta lembrar de Lula, que hoje cumpre pena de pouco mais de 10 anos na cadeia. O petista já teve este status de esperança para o Brasil. Foi eleito, reeleito, elegeu Dilma Rousseff, reelegeu-a, mas acabou condenado e recluso numa sala de 15 metros quadrados na sede da Polícia Federal em Curitiba.  


 

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