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Álcool e medicamento: uma mistura que requer cuidados nas festas de fim de ano

(Foto: Freepik)

Dezembro já chegou e, graças ao avanço da vacinação e à flexibilização das recomendações de saúde para o combate ao Coronavírus, muita gente já faz planos para as confraternizações de fim de ano, os happy hours com os amigos, o Natal e o ano novo. Com muita frequência, essas comemorações envolvem o consumo de bebida alcoólica e a principal dúvida que surge para quem está tomando medicação é: será que posso beber? Será que meu medicamento perde o efeito? Quais serão as consequências da interação da bebida com o antidepressivo?

Para sanar essas e outras questões, Marco Fiaschetti, farmacêutico e diretor executivo da Anfarmag, entidade responsável pelas farmácias de manipulação no Brasil, explica que as consequências da interação entre álcool e medicamentos dependem de vários fatores. Entre eles está a composição do medicamento, o organismo do paciente e a quantidade de álcool ingerida. Por isso, de forma geral, a recomendação é evitar essa mistura.
De acordo com o farmacêutico, o principal órgão prejudicado é o fígado, que metaboliza o álcool e grande parte dos medicamentos, ficando sobrecarregado. O álcool também afeta especialmente o sistema nervoso central, que comanda nossas ações, alterando substancialmente as capacidades cognitivas estruturais e comportamentais.

Como a bebida altera o metabolismo, o tempo de eliminação do medicamento será alterado, podendo ocorrer antes ou depois do previsto, com possibilidade de prejudicar o tratamento. Aumenta a gravidade quando são utilizadas drogas para tratar problemas neurológicos e psiquiátricos, pois o álcool em geral potencializa o efeito dessas substâncias.

“Antidepressivos agem diretamente no sistema nervoso central. Inicialmente, as bebidas alcoólicas aumentam o efeito do antidepressivo, deixando a pessoa mais estimulada; porém, após passar o efeito da bebida, os sintomas da depressão podem aumentar. Já quando os ansiolíticos são misturados ao álcool aumenta o efeito sedativo, deixando a pessoa inabilitada para realizar atividades que necessitam de atenção, como operar máquinas ou equipamentos, além de ocasionar uma maior probabilidade de efeitos adversos graves, a exemplo de coma”, explica o farmacêutico.

A mistura de alguns antibióticos e álcool, por sua vez, pode causar desde vômitos, taquicardia e até toxicidade hepática grave. “Essas reações podem acontecer com substâncias como, por exemplo, o metronidazol”, diz o especialista.

Marco completa explicando o efeito com analgésicos e antitérmicos. “O efeito do álcool pode ser potencializado e a velocidade de eliminação do medicamento do organismo será maior, diminuindo seu efeito. Em alguns casos, o uso do álcool com paracetamol pode danificar o fígado, uma vez que ambos são metabolizados nesse órgão. Já a mistura com ácido acetilsalicílico pode causar, em casos extremos, hemorragia estomacal, pois ambos irritam a mucosa estomacal. Portanto, na dúvida, a regra é: não misturar álcool com nenhum tipo de medicamento”, destaca.

Cuidado extra durante a pandemia
Para Fiaschetti, muitas pessoas estão ansiosas para encontrarem seus entes queridos, após passarem por vários meses de isolamento social. Porém, o farmacêutico lembra que é preciso ter cuidados extras neste fim ano, pois a pandemia ainda não acabou.
Com a chegada da nova variante, a Ômicron, a recomendação é comemorar com responsabilidade, respeitando as normas vigentes para prevenção e combate ao Coronavírus, evitando grandes aglomerações, fazendo uso de máscara e álcool em gel e, é claro, completando o calendário vacinal. Assim, é possível celebrar preservando a própria saúde e a dos amigos e familiares.