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Artesanal

Alta de preços de produtos afeta produção de doces em Curitiba

Com a alta dos insumos, solução foi tirar produtos da cesta
Com a alta dos insumos, solução foi tirar produtos da cesta (Foto: Franklin de Freitas)

A inflação oficial de Curitiba, em agosto, foi de 0,20%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, os preços no geral apresentaram estabilidade, com variação de -0,09%. No entanto, o grupo alimentação apresentou alta bem acima destes índices apontados, com elevação de 1,69% na alimentação no domicílio, em agosto, e de 5,66% de janeiro a agosto. E alguns itens tiveram aumentos ainda mais expressivos, impactando nos custos, por exemplo, de quem sobrevive com a venda de doces. O grupo de óleos e gorduras, por exemplo, ficou 12,15% mais caro, sendo que apenas o óleo de soja subiu 20,79%. A margarina ficou 3,25% mais cara entre janeiro e agosto deste ano. Essa alta de preços de produtos já afeta produção de doces em Curitiba

A doceira Simone de Melo Frota, dona da Chocohouse, já implementou a primeira mudança no cardápio por conta das alta de preços e teme que a situação piore e afete ainda mais a produção. “Percebi o aumento nos preços de uns três meses para cá, mas de forma mais suave, mas de um mês para cá quase dobraram os valores, principalmente os derivados do leite. Optei por retirar os produtos, como forma de respeito aos clientes, pois não acho justo cobrar e pagar, mais que R$8,00 num pote da felicidade de 250ml, sabendo da situação financeira de todos, assim como não aceito trocar as marcas e cair a qualidade, e por fim, também não posso investir tempo e insumos, em algo que não está sendo lucrativo”, explicou ela. O pote da Felicidade de 250 ml, uma mistura de brigadeiro, cremes e frutas da Chocohouse, custava R$ 6, e o de 440 ml, R$ 12 no início de junho. Na metade de agosto, o valor subiu para R$8,00 e R$15,00. “E para manter, tendo um lucro razoável, teria que aumentar para R$12,00 e R$20,00, o que fica injusto e inviável”, disse Simone.

A doceira teme que a situação piore ainda mais: “Meu carro chefe sempre foram os docinhos, e com essa alta de preços nos leites e derivados, tenho medo de ter que parar sim. Essa semana mesmo ouvi de um fornecedor, que algumas marcas não estão fechando pedidos novos, pois estão com problemas na produção, sem material para entregar. Pois devido à estiagem a produção de leite está em queda. Aí junta com a alta nos preços, acaba ficando inviável manter a qualidades e valor”.

O grupo de Leite e Derivados avançou 10,41%, puxado pelo leite longa vida que acumula alta de 13,39% no mesmo período da análise. O grupo de farinhas e massas foi o que apresentou a menor alta: 1,98% no ano. Porém, a farinha de trigo ficou 5,75% mais cara entre janeiro e agosto. O grupo do Açúcar e Derivados, um dos principais insumos de quem vende docinhos, por exemplo, avançou 1,91%, puxado pelo preço do açúcar cristal que ficou 6,6% mais caro, seguido do chocolate em pó e achocolatado que acumulam alta de 6,25%.

Pandemia já tinha reduzido encomendas
A alta de preços dos produtos é a segunda crise vivida pelo setor em menos de seis meses. Por causa da pandemia e com ela, o fim de eventos e festas, quem produz doces viu o número de encomendas despencar. No caso de Simone de Melo Frota, proprietária da Chocohouse há cinco anos, as encomendas caíram de 3500 docinhos para apenas 500 por semana. “Foi daí que apostamos em novos produtos como os potes de felicidade, que as pessoas consomem independente de festas. Cheguei a vender 350 por mês, mas agora com a alta de preços tive que tirar do cardápio para não ficar inviável”, afirmou ela.

Assim como milhares de microempresários, Simone trabalha em casa e, como mãe de duas crianças, também teve que repensar o tempo de trabalho com a suspensão das aulas devido à pandemia: “Minha produção ficou limitada também, em função das crianças ficarem comigo o tempo todo agora. Recorro às avós de vez em quando”, afirmou ela.

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