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Economia

Após cinco altas, dólar cai e fecha cotado a R$ 3,47; Bolsa sobe 1,6%

DANIELLE BRANT

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após cinco dias de alta, o dólar deu uma trégua nesta quinta-feira (26) e fechou em baixa, cotado a R$ 3,47. A correção ocorreu em meio à diminuição do rendimento dos títulos de dívida americana, que também ajudou a impulsionar os principais índices acionários globais, entre eles o da Bolsa brasileira.

O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, subiu 1,57%, para 86.383 pontos.

O dólar comercial recuou 0,22%, para R$ 3,478. O dólar à vista, que fecha mais cedo, se desvalorizou 0,43%, para R$ 3,493.

O dia foi de alívio das preocupações com altas adicionais de juros nos Estados Unidos.

Essa cautela maior aconteceu após os rendimentos dos títulos de dívida americana terem superado os 3%, pela avaliação de que a alta recente dos preços de commodities poderia pressionar a inflação no país e levar o banco central americano a acelerar a alta de juros nos EUA. Nesta sessão, os rendimentos recuaram para 2,97%.

Nesta quinta, a moeda americana perdeu força ante 13 das 31 principais moedas do mundo.

"Houve uma combinação de melhora do clima no exterior e, como o dólar subiu bastante nos últimos dias, identificamos na casa investidores realizando as posições, o acabou contribuindo para a queda", afirma Filipe Villegas, analista de ações da Genial Investimentos.

Mas a perspectiva para a moeda americana é incerta, avalia Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos.

"Pegou de surpresa a alta forte e rápida do dólar, até R$ 3,50. O fator eleitoral acabou contribuindo para o aumento do dólar, porque os principais pré-candidatos não mostraram quais são suas diretrizes econômicas", diz.

"O patamar do dólar até o final do ano é um ponto de interrogação, porque os pré-candidatos têm pensamentos e ideologias muito opostas. É impossível cravar uma tendência para o dólar, ainda mais por causa das eleições."

O Banco Central vendeu o lote de 3.400 contratos de swaps cambiais tradicionais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Até agora, rolou US$ 2,380 bilhões dos US$ 2,565 bilhões que vencem em maio.

O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) teve queda de 0,30%, para 171,6 pontos. 

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados caíram. O DI para julho deste ano recuou de 6,260% para 6,258%. O DI para janeiro de 2019 teve queda de 6,250% para 6,235%.

AÇÕES

Dos 64 papéis do Ibovespa, 54 subiram, nove caíram e uma fechou estável.

A maior queda foi registrada pelas ações da Copel, que subiram 5,06%. A WEG se valorizou 4,8%.

As ações da Petrobras subiram mais de 4% com a alta dos preços do petróleo no exterior e também após a estatal ampliar o conselho de administração e aprovar o pagamento trimestral de dividendos -parte do lucro distribuído aos acionistas

As ações preferenciais da estatal subiram 4,14%, para R$ 22,63. Os papéis ordinários se valorizaram 4,04%, para R$ 24,45.

Os papéis da Eletropaulo se valorizaram 7,96%, após a italiana Enel aumentar a oferta para compra da empresa para R$ 32,20. A disputa chegou à comissão europeia.

A mineradora Vale se valorizou 1,56%, para R$ 48,70.

No setor financeiro, o Itaú Unibanco avançou 2,32%. O Banco do Brasil subiu 0,78%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil caíram 0,13%.

O Bradesco teve alta mais contida, mesmo após o banco ter apresentado lucro 10% maior no primeiro trimestre. As ações preferenciais fecharam estáveis em R$ 34,73. Os papéis ordinários subiram 0,19%, para R$ 32,45.

Analistas dizem que a notícia de que o ex-ministro Antonio Palocci fechou acordo de delação com a Polícia Federal afetou o papel, por receio de que haja implicações à empresa.

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