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Repercussão

Após vazamento de conversas de Moro, Congresso já fala em CPI da Lava Jato

Moro: ministro deixou coletiva e negou “orientação”
Moro: ministro deixou coletiva e negou “orientação” (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

A repercussão da divulgação de conversas entre os ex-juiz e ministro da Justiça Sérgio Moro e a cúpula da força-tarefa da operação Lava Jato do Ministério Público Federal em Curitiba foi o assunto do dia nos meios políticos nacionais e paranaenses, nesta segunda-feira (10). No Congresso, já se fala em criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Lava Jato e a suposta interferência de Moro na operação no processo que resultou na condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro – que deve ser convocado pelos parlamentares a explicar o teor das conversas como o coordenador da Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol – tentou minimizar os efeitos do vazamento, negando ter intervido na investigação. Dallagnol divulgou vídeo afirmando ser “normal” procuradores conversarem com juízes. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defendeu o afastamento temporário do ministro e do procurador até que os fatos sejam esclarecidos.

No domingo, o site The Intercept Brasil divulgou o onteúdo de mensagens trocadas pelo então juiz e integrantes do MPF, como Dallagnol. As conversas mostrariam que Moro teria orientado investigações da Lava Jato por meio de mensagens trocadas no aplicativo Telegram. De acordo com o site, há conversas escritas e gravadas nas quais Moro sugeriu mudança da ordem de fases da Lava Jato, além de dar conselhos, fornecer pistas e antecipar uma decisão a Dallagnol.

Abuso de autoridade - “Não tenho dúvida de que haverão muitos requerimentos de convocação do Sérgio Moro. E que o assunto vai ser o assunto do plenário”, confirmou ontem o deputado federal paranaense Ricardo Barros (PP). “Tem vários movimentos de vários parlamentares anunciando que querem fazer uma CPI da Lava Jato”, explicou.

Para Barros, o episódio deve impulsionar a votação do projeto contra o abuso de autoridade de juízes e procuradores. “Eu há muito tempo tenho feito uma bandeira minha o enquadramento do Ministério Público e do Judiciário, que são poderes que vêm se colocando acima dos demais”, disse.

“O conteúdo divulgado pelo Intercept confirma que um limite perigoso foi ultrapassado. É mais combustível na crise política e institucional que o Brasil atravessa”, comentou o deputado federal Gustavo Fruet (PDT). Segundo ele, as revelações trazem à tona uma série de dúvidas. “Os processos que têm como base a força-tarefa da Lava Jato sofrerão impacto? Quais? A força-tarefa perde legitimidade? Os fins justificam os meios? Como fica o posicionamento do governo? Como se posicionará o STF?”, questionou Fruet.

Contexto
O ministro da Justiça reagiu afirmando que estariam fazendo “muito barulho sobre supostas mensagens obtidas por meios criminosos de celulares de procuradores da Lava Jato”. Para ele, “não há orientação nenhuma” na troca de mensagens com Dallagnol. “Veja, os juízes conversam com procuradores, conversam com advogados, conversam com policiais. E isso é algo normal”, alegou Moro, que abandonou a entrevista coletiva em Manaus (AM) após perguntas sobre o assunto.

Natural
Dallagnol divulgou vídeo negando que tenha ouvido “conluio” entre integrantes da operação e Moro na condução do processo que resultou na condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “É muito natural, é normal que procuradores e advogados conversem com o juiz, mesmo sem a presença da outra parte. O que se deve verificar é se nessas conversas existiu conluio ou quebra da imparcialidade”, afirmou o procurador. “Centenas de pedidos feitos pelo Ministério Público foram negados pela Justiça”, garantiu.

OAB defende afastamento temporário de Moro e Dallagnol após vazamentos

Entenda os episódios da Lava Jato discutidos por Moro e Deltan

Caso divide opiniões na Assembleia
A divulgação das mensagens em que o ex-juiz Sérgio Moro aparece orientando ações da força-tarefa do Ministério Público Federal da Operação Lava Jato pelo site Intercept também foi o assunto do dia na Assembleia Legislativa, ontem. A maioria dos comentários consideram que as revelações são graves e podem comprometer os resultados da investigação e do julgamento dos processos. Aliados da operação, como o deputado estadual Felipe Francischini (PSL), defenderam a atuação de Moro e dos procuradores da Lava Jato.

“Estou perplexo sobre as provas obtidas que comprovam a construção do golpe de 2016 e a condenação do Lula para tirá-lo da eleição de 2018. Creio que a PGR Raquel Dodge deve peticionar ao STF propugnando pela anulação da sentença e imediata liberdade do ex-presidente”, avaliou o deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSB).

“O que nós vimos é um conluio de todos com o objetivo de manipulação das eleições de 2018”, disse o líder da oposição, deputado Tadeu Veneri (PT). “Os senhores durante cinco anos apontaram o dedo para a sociedade e se transformaram em santos de pés de barro. É vergonhoso o que nós vimos. Moro sugerindo ao procurador para trocar as fases da Lava Jato. Que juiz é esse?”, criticou o petista.

“Só falta PTzada e Puxadinhos pedirem a prisão do Ministro Sérgio Moro, do Procurador Deltan Dalagnol e da Lava Jato”, reagiu Francischini, que preferiu questionar a legalidade da divulgação das conversas entre o ex-juiz e os procuradores. “Montar conversas, fora de contexto, é a Canalhice normal desta escória!”, disse o deputado, que prometeu “voltar para as ruas, com a maior de todas as manifestações já vistas no país, em defesa da Lava Jato, do MPF, da PF e da Justiça Federal”.

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