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Economia

Arábia Saudita e Rússia vencem, e produção de petróleo será aumentada

IGOR GIELOW

IEKATERIMBURGO, RÚSSIA (FOLHAPRESS) - Sauditas e russos obtiveram uma vitória importante nesta sexta (22) na sua disputa para controlar o mercado mundial de petróleo.

A Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) reuniu-se em Viena e concordou em aumentar a produção diária da commodity em cerca de 1 milhão de barris.

A medida era uma demanda da Arábia Saudita, maior produtor do grupo, e da Rússia, que não integra mas é a terceira no ranking mundial de extração de petróleo. Há dúvidas se a meta é alcançável plenamente, contudo.

“Temos consenso. Acho que contribuiremos de maneira significativa para satisfazer a demanda suplementar que prevemos para a segunda metade do ano”, disse a agências de notícias Khaled al-Fali, o ministro saudita da Energia.

É o primeiro resultado da aliança russo-saudita selada após a visita do príncipe herdeiro do reino, Mohammed bin Salman, ao presidente Vladimir Putin na abertura da Copa do Mundo –jogo no qual os anfitriões derrotaram os árabes.

O objetivo comum é manter pulso sobre o preço do produto e se contrapor a movimentos dos EUA, que neste ano deverão se consolidar como o maior produtor mundial, embora consumam quase tudo o que extraem.

O presidente Donald Trump, em seu estilo habitual, cantou vitória no Twitter. “Espero que a Opep aumente substancialmente a produção. É preciso manter os preços baixos!”, escreveu.

Na prática, contudo, a ação da Opep liderada pelo condomínio Moscou-Riad limita em um primeiro momento quaisquer reações americanas.

O preço do barril de petróleo subiu levemente após o anúncio, flutuando na casa dos US$ 74. Esse é o nível desejado por russos e sauditas, que em 2017 haviam liderado um movimento para o corte da produção mundial da commodity.

A queda no preço foi consequência do aumento brutal da produção norte-americana, baseada na tecnologia ainda sob suspeitas de viabilidade do faturamento hidráulico de reservas de xisto.

O declínio levou a uma brutal recessão na Rússia de 2014 a 2016, e dificuldades em todos os países da Opep. Aos poucos, o preço que havia chegado a US$ 27 o barril começou a se recuperar.

Neste ano, contudo, o voluntarismo de Trump ao deixar o acordo que suspendia o programa nuclear do Irã e retomar sanções contra o país persa gerou um risco político que foi repassado para os preços.

A disparada teve efeitos diversos, como o aumento do diesel no Brasil que foi o estopim da paralisação de caminhoneiros que parou o país.

O aumento da produção agora quase que compensa o corte diário de 2017, que tirou 1,4 milhão de barris diários do mercado. O mundo consome cerca de 100 milhões de barris de petróleo todos os dias.

O Irã foi dobrado na reunião desta sexta, em termos ainda não conhecidos. O aumento da produção não era de seu interesse, pelo temor de queda no preço da commodity já que está novamente sob sanções.

Politicamente, o eixo Rússia-Arábia Saudita ganha força. Putin ganha musculatura com um novo aliado no Oriente Médio no qual voltou a agir em 2015.

De seu lado, o reino mina a posição de seu arquirrival na região, o Irã, que até aqui vinha atuando como parceiro principal da Rússia em questões como a guerra civil na Síria.

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