Sem desabastecimento

Apesar de protesto de caminhoneiros, Curitiba não tem falta de alimentos e gasolina

Supermercados não sentiam falta de produtos até ontem
Supermercados não sentiam falta de produtos até ontem (Foto: Franklin de Freitas)

A mobilização de caminhoneiros autônomos nos últimos dias nas rodovias federais do Paraná, assim como em outros estados, ainda não provocou desabastecimento no Estado, nem de combustível, nem de alimentos. No caso dos combustíveis, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Paraná (Paranapetro) divulgou nota na manhã desta quinta-feira (9) relatando que não havia notícias de falta dos produtos por conta das manifestações, e que se porventura ocorressem seriam pontuais.

O mesmo ocorreu com os alimentos. O presidente do Setcepar (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Paraná), Marcos Battistella, disse nesta quinta-feira que a paralisação não prejudicou o abastecimento de alimentos no estado. “Tem alguns pontos de interdição (na quinta-feira) e o pessoal fica com certo receio de alguma agressão, mas esperamos que isso já comece a voltar à normalidade. A Polícia Rodoviária já está liberando as estradas e esperamos que até o fim da tarde a situação seja normalizada em todo o país”.

O movimento começou ainda no dia 7 de Setembro, junto com as manifestações convocadas pelo presidente Jair Bolsonaro, se intensificaram na quarta e, ontem, ficou em clima de indefiniação após o presidente divulgar nota dizendo que não quis atacar outros poderes.

Até a noite de quinta, a PRF tinha registro ainda de duas mobilizações, uma na BR-376, no KM 504, em Ponta Grossa, onde havia restrição para a passagem de caminhões tanque, e na BR-373, no KM 247, em Guamiranga, também nos Campos Gerais, onde estava intermitente a restrição da passagem dos veículos de carga, com previsão de liberação a partir das 19h.

A PRF informou na tarde de ontem ter liberado 35 pontos de bloqueio e manifestações nas rodovias do país. Esses pontos incluiam bloqueio parcial, bloqueio total e concentrações de manifestantes. Segundo a corporação, 2 mil policiais e cinco aeronaves trabalham para liberar as estradas bloqueadas por caminhoneiros.

No Paraná a maior parte das manifestações foi de concentração de manifestantes, apesar de bloqueios terem sido registrados em determinados momentos .
Em 2018, uma paralisação de caminhoneiros que durou 11 dias chegou a causar desabastecimento de postos de combustíveis e também de produtos alimentícios em várias partes do País.

Adiado

Porém, a paralisação dos caminhoneiros obrigou a Federação Paranaense de Automobilismo (FPrA) a adiar a 2ª etapa do Campeonato Paranaense de Velocidade, que estava marcada para o Autódromo Ayrton Senna, em Londrina. A programação teria início hoje e iria até domingo, com a realização das provas de Marcas A, Marcas B, Turismo A, Turismo B, Turismo C e Speed Fusca.

Rubens Gatti, presidente da FPrA, explica que muitos competidores, especialmente os de outros estados, não teriam como chegar a Londrina. Os caminhões que transportam os carros e toda a estrutura das equipes ficaram retidos nas barreiras que fecham alguns pontos de rodovias.

Rubens Gatti informa também que as demais provas marcadas para o Paraná neste fim de semana estão mantidas.

Supermercados descartam risco de faltar produtos

A Associação Brasileira de Supermercados descartou o risco de desabastecimento da rede supermercadista em decorrência dos protestos de caminhoneiros registrados nas rodovias brasileiras. A Abras informou que acompanha o monitoramento feito pelo governo federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que indica que o movimento já perdeu força e que pode durar mais um ou dois dias no máximo.

“O abastecimento e os preços dos supermercados, portanto, não devem ser afetados, e não existe necessidade de antecipação de compras por parte do consumidor”, concluiu a associação.

A Apras (Associação Paranaense de Supermercados) também informaou em nota, que, até ontem, o bloqueio nas estradas não causou rupturas nas lojas e nem afetou o abastecimento.

Consumo

O consumo das famílias brasileiras aumentou 4,84% em julho deste ano na comparação com junho, mas caiu 1,15% ante o mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o índice foi positivo, ficando em 3,24%. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a queda mensal foi a segunda do ano, já que em junho o Índice Nacional de Consumo das Famílias nos Lares Brasileiros havia detectado baixa de 0,68% na comparação com o mesmo mês de 2020.

Região Sul lidera pontos de protestos nas estradas

Em nota conjunta com o Ministério da Infraestrutura, a PRF informou que, às 17h de ontem, eram registrados pontos de concentração em rodovias federais de dez estados, com pontos isolados em outros cinco.

“A Região Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) segue concentrando mais da metade das ocorrências registradas neste início da tarde. Aglomerações ainda seguiam nos estados de Rondônia, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pará, Mato Grosso, Goiás e Tocantins. Com um único ponto seguem Maranhão, Minas Gerais, Roraima, Piauí e Rio de Janeiro”, conclui a nota. Na quarta-feira, o presidente divulgou áudio pedindo aos apoiadores que liberassem as pistas.

O presidente do Setcepar (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Paraná), Marcos Battistella, disse que a paralisação não tem apoio das empresas de transporte no Paraná. “As empresas não estão apoiando em nada essa paralisação. Tem alguns líderes, ou pessoas querendo ser líderes, mas sabemos que tem uma finalidade política, nem uma pauta de reivindicações eles têm”, disse.

A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná também repudiou atos que fecham rodovias.