Cidadania T

Banco de currículos facilita contratação de mulheres trans para trabalhar no Fringe

Tereza Oliveira: "O programa é muito bom, é uma política pública inserir pessoas trans no mercado de trabalho. Acho que é vanguarda no país uma Prefeitura fazer isso"
Tereza Oliveira: "O programa é muito bom, é uma política pública inserir pessoas trans no mercado de trabalho. Acho que é vanguarda no país uma Prefeitura fazer isso" (Foto: Valdecir Galor/SMCS)

Com ajuda da Prefeitura, as peças de teatro da mostra Fringe do Festival de Curitiba, neste ano, estarão mais inclusivas. O banco de currículos do programa Cidadania T, da Assessoria da Diversidade Sexual da Prefeitura, foi fundamental para a contratação de três mulheres trans que vão trabalhar no Fringe.

O Cidadania T existe desde 2018 e á uma iniciativa inédita no setor público do Brasil. O programa consiste em um banco de currículos de pessoas trans e de vagas inclusivas para essa população, além de ofertar cursos.

A coordenadora técnica do Fringe, Giusy Giglio, explicou que foram contratadas 14 pessoas que vão trabalhar como assistentes de produção durante a mostra, dos dias 24 de março a 6 de abril. Entre os contratados, três são mulheres trans que estavam no banco de currículos do programa Cidadania T.  “Não sabia que existia esse banco de currículos da Prefeitura, dai chegamos até a Assessoria da Diversidade Sexual que tem essa lista com nomes e telefones de pessoas trans”, disse Giusy.

Os critérios do teste de seleção foram aptidão no atendimento ao público, conhecimento e escolaridade. A mostra Fringe, a maior dentro do Festival Curitiba, terá 340 espetáculos de teatro. 

“As pessoas contratadas como assistentes de produção vão ficar nos espaços onde acontecem as peças recebendo o público em geral e as companhias de teatro”, explicou a coordenadora técnica do Fringe. 

As três mulheres trans contratadas pelo banco de currículos do Cidadania T têm 19, 20 e 23 anos. A mais nova será o atendimento-geral do Fringe e vai passar todas as informações para o público. “Ela será a cara do Fringe”, afirmou Giusy. 
Tereza Oliveira está ansiosa pelo novo trabalho. “Estou nervosa, não vejo a hora de começar. Vai ser legal conhecer novas pessoas e fazer contatos para futuros trabalhos”, disse.

Ela entrou no programa Cidadania T no final de outubro do ano passado. Em dezembro conseguiu um emprego temporário em uma grande marca de cosméticos de Curitiba. “O programa é muito bom, é uma política pública inserir pessoas trans no mercado de trabalho. Acho que é vanguarda no país uma Prefeitura fazer isso”, afirmou Tereza. 

Resultados 

O Cidadania T tem mais de 200 currículos cadastrados. O programa prioriza as pessoas travestis e transexuais que moram em Curitiba, mas vem recebendo muitos candidatos e candidatas de outros estados e da região metropolitana. Em seu terceiro ano, o programa celebra 70% das pessoas conseguindo uma oportunidade de emprego e renda no último ano.

Em 2019, 70% dos participantes do programa exerceram alguma atividade profissional, sendo 50% com carteira assinada e outros 20% empreendendo.

"O trabalho é um direito constitucional e mais do que isso, traz dignidade e segurança. Todos devem ter oportunidades iguais e os bons profissionais devem ser avaliados por seu desempenho. O que fazemos é facilitar essa oportunidade para as pessoas trans. Até pouco tempo o mercado não proporcionava uma contratação justa, por preconceito", afirmou o assessor da Diversidade Sexual da Prefeitura, Allan Johan.

Agilidade

A contratação das três mulheres trans para o Fringe foi rápida, tudo foi resolvido em uma semana. “É interessante esse banco de currículos. As empresas estão interessadas em contratar esse público. Se não fosse por esse meio, a gente ia demorar mais tempo para contratar as pessoas trans. Acabaria sendo por indicação ou por contatos em redes sociais”, disse Giusy. 

Segundo Allan Johan, empresas do setor de inovação, lojas, empresas de telemarketing, salões de beleza e o setor de cozinha são as áreas que mais contratam hoje pessoas trans em Curitiba. A área artística passa a figurar também nesse grupo inclusivo. 

Tereza Oliveira estuda Geografia na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e acredita que programas como o Cidadania T aumentam a representatividade de pessoas trans.

“Para nós é uma oportunidade muito importante. Através de programas assim vamos superando preconceitos da sociedade e superando barreiras”, definiu Tereza.