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Duas rodas e mobilidade

Bikes compartilhadas e trânsito ajudam mercado das bicicletas a pedalar ladeira acima

Setor vê interesse do curitibano pelas bicicletas em alta, e até projeta crescimento neste ano
Setor vê interesse do curitibano pelas bicicletas em alta, e até projeta crescimento neste ano (Foto: Valquir Aureliano)

Esta segunda-feira (15) foi o Dia Muncial do Ciclista. No próximo dia 19, celebra-se o Dia Mundial da Bicicleta. E Curitiba tem motivos para comemorar a data. É que o mercado e a cultura da magrela pedalam ladeira acima em Curitiba. E tudo isso com a ajuda de um personagem improvável: as bicicletas compartilhadas, disponíveis pela cidade desde o final de janeiro, quando a startup Yellow passou a atuar na cidade.

Douglas Eorts, vendedor da Portella Bikes, conta que quando a novidade foi anunciada, os humores e a expectativa dos comerciantes do ramo não eram dos melhores. No final, porém, acabaram tendo uma grata surpresa. “(As bikes compartilhadas) Ajudam. A pessoa pega e usa, vê que é interessante e acaba comprando uma para ela. Achamos que iria atrapalhar, mas acabou sendo o contrário.”

A opinião é compartilhada ainda por Valdir Manger, vendedor interno da Agência Bicicleta, e por Fernando Rosembaum, proprietário da Bicicletaria Cultural e coordenador da Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu).

“Vemos muitas pessoas que estavam paradas, não andavam de bike, pegam essas compartilhadas, gostam, curtem e vêm para loja”, diz Manger, relatando já ter realizado pelo menos duas vendas graças às bikes de aplicativo. “Temos visto um aumento de pessoas experimentando a bicicleta por causa dessas bikes compartilhadas. Elas experimentam, gostam e acabam aquecendo o mercado, porque depois compram as bikes delas”, complementa Rosembaum.

A novidade, então, acabou sendo um incremento a mais para um setor que já vinha em crescimento nos últimos anos. A Bicicletaria Cultural, por exemplo, funciona também como estacionamento de bikes, cobrando valores de R$ 2 (a hora), R$ 8 (por dia) ou R$ 70 (por mês). “Esse estacionamento tem uma média de 30 ciclistas por dia estacionando aqui no Centro. As pessoas costumam vir, tomar banho e seguir pro trabalho”, conta Rosembaum.

Já Eorts comenta que o mercado voltou a crescer em 2018 na comparação com 2017. Mas mais do que o mercado em si, o que está em alta é a paixão pelas pedaladas. “Tem crescido bastante, até pela questão da mobilidade. Pessoal deixa o carro em casa um pouco e vem comprar a bike para ir pro trabalho.”

A opinião que destoa é a de Manger. Segundo ele, as vendas tiveram queda na Agência no ano passado e este ano começou com nova baixa. “O desemprego e a concorrência aumentaram. Além disso, as pessoas estão investindo em outras coisas. Antigamente o pai chegava com a criança e dava uma bicicleta de presente. Hoje, dá um celular”.

Cultura das bicicletas está no sangue dos curitibanos

Curitiba, inclusive, é referência nacional em se tratando de ciclismo. No final do século XIX, por exemplo, foi a capital paranaense que teria recebido a primeira bicicleta da historia brasileira, trazida por imigrantes alemães. Em 1895 a cidade já contava com um clube de ciclistas e a Casa Paulo Hauer importava as magrelas Dürkop e as revendiam para outros estados. O primeiro automóvel, por sua vez, só foi aparecer na cidade em 1903.

“Os empreendedores locais importavam bikes, montavam em Curitiba e vendiam para Curitiba e outras cidades. Logo Curitiba ganhou um aporte de patrocínios, começaram a realizar corridas e a cidade se tornou um celereiro de esportistas na década de 1960”, conta Fernando Rosembaum, da Bicicletaria Cultural.

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