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Economia

Bolsa brasileira cai 1% na contramão do exterior

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira operou na direção contrária do exterior nesta quarta-feira e caiu mais de 1% pelo segundo pregão consecutivo. O dólar também recuou.

O Ibovespa, principal índice acionário do país, registrou alta durante a manhã, mas inverteu o sinal após a abertura das Bolsas americanas (às 12h30, no horário de Brasília). A mudança de direção ocorreu em 10 minutos, ressaltam agentes do mercado. Fechou em baixa de 1,08%, a 87.714 pontos, com giro financeiro de R$ 14,5 bilhões.

"Parece um movimento lá de fora", diz Victor Candido, economista-chefe da corretora Guide.

A percepção é de que investidores estrangeiros seguem resgatando dinheiro aplicado no país e levando para o mercado americano. Em outubro, o volume de saques foi o segundo maior do ano, o que indica que a disparada do Ibovespa foi motivada pelo otimismo de investidores locais.

Candido afirma ainda que no mercado doméstico o foco está nos anúncios da equipe de Jair Bolsonaro (PSL), mas ainda sem reflexo sobre preços.

"Esse governo é uma metralhadora de contradições. Os caras não conseguem chegar em um mínimo de acordo. O mercado está em compasso de espera", diz.

Desde a eleição de Bolsonaro, aliados e o próprio futuro presidente têm falado em diversas entrevista, com afirmações distintas sobre reforma da Previdência e outras medidas econômicas que devem ser adotadas pelo governo eleito.

Nesta quarta, Paulo Guedes, futuro ministro da Economia e fiador de Bolsonaro, convocou reunião do time de transição para debater a reforma da Previdência. O anúncio do tema do encontro tinha por objetivo sinalizar ao mercado financeiro a manutenção do compromisso com as novas regras para aposentadoria, em meio a uma série de declarações de desencontradas.

"Apesar da falta de organização ainda vista, vemos espaço para que o governo una frente de apoio no Congresso, que seria crucial para a aprovação das reformas", escreveu a XP em relatório.

"Uma hora um player muito grande desistir de esperar [reformas], e o mercado estica para baixo", alerta o economista da Guide sobre o risco de o otimismo de investidores com a Bolsa passar.

No exterior, o dia foi de otimismo após os democratas terem recuperado o controle da Câmara nos Estados Unidos, nas eleições de meio de mandato (midterms). Agora, a casa passa a fazer oposição ao presidente Donald Trump, que ainda têm apoio no Senado, de controle republicano.

O otimismo favoreceu moedas emergentes nesta quarta. Considerada uma cesta de 24 divisas desses países, o dólar se desvalorizou ante 19 delas. Ante o real, o dólar caiu 0,50%, a R$ 3,74.

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