WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro solicitou para esta semana uma reunião com a chefe da Câmara dos Deputados dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, que lidera a oposição ao governo Donald Trump.


O gabinete de Pelosi confirmou à reportagem que o pedido foi feito pela equipe do líder brasileiro, mas informou que o encontro não ocorrerá, visto que o Congresso americano está em recesso. Bolsonaro está em viagem nos EUA e se encontra com Trump na casa Branca nesta terça (19), a partir das 12h (13h no horário de Brasília).


Bolsonaro chegou à Casa Branca às 12h02, e foi recebido na porta por Trump. Ao sair da Blair House rumo à Casa Branca, o deputado Eduardo Bolsonaro foi saudado por um grupo de cerca de 30 brasileiros com os gritos: “Mito! Mito! Brasil te ama”. Ele acenou e sorriu.


A estratégia de Bolsonaro foi um gesto em direção ao Partido Democrata, que recuperou o comando da Câmara nas eleições legislativas, em novembro do ano passado, e tem aplicado derrotas importantes para o governo Trump.


Apesar do esforço de Bolsonaro para se mostrar próximo ao presidente americano e consolidar um alinhamento do Planalto com a Casa Branca, a tentativa pode ser vista como uma maneira de buscar pontes alternativas com os EUA caso Trump não consiga se reeleger em 2020.


O pedido de reunião com Pelosi não foi o primeiro movimento do governo Bolsonaro nesta direção. 


Em fevereiro, durante preparação da viagem presidencial a Washington, o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, reuniu-se com o deputado democrata Eliot L. Engel, de Nova York, que comanda a comissão de Relações Exteriores da Câmara.


Engel foi grande crítico do governo Bolsonaro e da postura do presidente brasileiro em relações às minorias e aos direitos humanos. Ele enviou uma carta para secretário de Estado, Mike Pompeo, criticando a aproximação dos EUA com o Brasil.


Até então, a aproximação política de Bolsonaro com americanos era ladeada por líderes conservadores, sempre com o aval do guru ideológico de seu governo, o escritor Olavo de Carvalho.


Auxiliares do brasileiro, por exemplo, são próximos ao ex-estrategista de Trump Steve Bannon, demitido da Casa Branca em 2017.


Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, integrantes do governo Trump se incomodaram com a aproximação entre Bannon e Bolsonaro e disseram não entender a obsessão dos brasileiros com o ex-auxiliar do americano, que, segundo eles, hoje já não tem mais influência no governo e é detestado por Trump.