Publicidade
Esporte

Brasileiros buscam ingressos para semifinais no centro de Buenos Aires

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - “Tiene ingresso?”

A busca começou na manhã desta terça (23). Torcedores de Grêmio e Palmeiras vasculhavam a rua Florida, no centro de Buenos Aires, em busca de entradas para as semifinais da Copa Libertadores. Nesta terça, a equipe gaúcha enfrenta o River Plate. Vinte e quatro horas depois, os paulistas visitam o Boca Juniors.

Uniformizados ou não, eles perguntavam a ambulantes que oferecem shows de tango para turistas ou troca de dólares por pesos. São eles os contatos com as agências de turismo que obtêm bilhetes no mercado paralelo.

“Eu tenho um teto do que estou disposto a pagar. Hoje [terça] são R$ 600. Se não conseguir e bater o desespero amanhã [quarta], posso chegar a R$ 1 mil”, disse o palmeirense Arthur Gonçalves, 35, que pela primeira vez viajou ao exterior para acompanhar a equipe.

Ele passou seis horas na fila no Allianz Parque, em São Paulo, na semana passada, e não conseguiu comprar para o setor visitante. Cada uma custou R$ 185 e o Palmeiras não divulgou quantos foram enviados a São Paulo. Segundo o Boca Juniors, foram 2.500.

Torcedores que perderam a noite em frente ao estádio reclamaram que os seguranças palmeirenses deram preferência para integrantes da Mancha Alvi-Verde e que fizeram vistas grossas para ações de cambistas que conseguiram comprar até dez bilhetes. O máximo permitido era dois.

Quem tinha contatos na Argentina conseguiu se dar bem. A reportagem apurou que um grupo de palmeirenses teve acesso a cinco ingressos para o setor visitante em La Bombonera vendido por um diretor do Boca. Cada um pagou R$ 500, preço que deve ficar ainda maior nesta quarta (24), conforme se aproximar o horário da partida, marcada para começar às 21h45.

Gremistas e palmeirenses ouvidos pela reportagem disseram ter tentando a sorte nas redondezas dos estádios de Boca e River, mas não se deram bem. Foram até lá sem as camisas das equipes, cientes do perigo.

A pressa era justificada, especialmente entre os palmeirenses, para evitar ter de procurar bilhetes pouco antes dos jogos, tendo de negociar com os barrasbravas, que controlam os cambistas e o comércio ao redor dos estádios. Sairia mais caro, além de ser uma opção de risco.

Apesar de envolver os dois times mais populares do país e a rivalidade Brasil e Argentina, o clima não era tenso em Buenos Aires. Pelo contrário. Torcedores do River Plate, ao verem brasileiros com a camisa do Palmeiras, os paravam para desejar sorte. Até pediam para gravar vídeos.

No Obelisco, no coração de Buenos Aires, um grupo de 20 gremistas ensaiou alguns gritos de guerra, observados com expressão de curiosidade pelos locais.

A reportagem viu argentinos perguntarem a brasileiros como eles voltariam de Monumental e La Bombonera após os jogos. Os que não tinham um plano pronto, com pacote de agência de turismo ou motorista, eram avisados a se preparar pelos problemas para saírem dos locais da partida. Especialmente em La Bombonera, onde os taxistas não aceitam ir após os jogos, por medo de violência.

DESTAQUES DOS EDITORES