Publicidade
Cinema

Caixa traz mostra de cineastas de Portugal e Espanha

A Caixa Cultural Curitiba apresenta, de hoje a 12 de fevereiro, a Mostra Ficção Viva Pedro Costa & Víctor Erice, que revela dois dos maiores cineastas de Portugal e da Espanha. São 20 filmes em 15 sessões, entre curtas, médias e longas-metragens. As exibições serão em três horários com entrada franca: às 14h, às 16h30 e às 19h. Ainda que reconhecidos pela crítica, os realizadores são pouco conhecidos pelo público brasileiro. A mostra é a primeira no Brasil que relaciona a obra de Costa e Erice, dois dos mais relevantes realizadores contemporâneos, com seleção tão abrangente de suas obras, diz Marcelo Munhoz, um dos curadores da mostra.

Após as exibições das 19h, a sessão será comentada por críticos convidados, como a portuguesa Patrícia Saramago, os brasileiros Matheus Kerniski e Victor Guimarães e a espanhola Clara Sanz, especialista na obra de Erice. O próprio Pedro Costa, que estará em Curitiba, comentará na noite de sábado (11) O Sul (1983), do colega espanhol, e no domingo (12), Costa e a montadora Patrícia Saramago comentarão No Quarto da Vanda (2000), de Pedro Costa.

A mostra faz a retrospectiva do trabalho dos cineastas em cinco décadas de produção, desde O Espírito da Colmeia (1973), de Erice, eleito um dos dez melhores filmes espanhóis de todos os tempos, a Cavalo Dinheiro (2014), de Costa, apontado como um dos grandes filmes da atualidade.

SERVIÇO:
Cinema: Mostra Ficção Viva Pedro Costa & Víctor Erice
Local: CAIXA Cultural Curitiba, Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Curitiba (PR)
Data: 8 a 12 de fevereiro de 2017 (quarta a domingo)
Horário: 14h, 16h30 e 19h
Ingressos: entrada franca mediante retirada de ingressos na bilheteria 30 minutos antes de cada projeção
Bilheteria: (41) 2118-5111 (de terça a sábado, das 12h às 20h, domingo, das 13h30 às 19h)
Lotação máxima: 125 lugares (2 para cadeirantes)


PROGRAMAÇÃO

8 de fevereiro (quarta-feira) 
14h - O Sangue (95’), de Pedro Costa – 1989  
Uma terra de província. Natal, fim de ano. Dois irmãos. Vicente tem 17 anos; Nino, 10. Juram guardar um segredo, que tem a ver com as frequentes ausências do pai. Apenas uma moça, Clara, partilha esse segredo com Vicente.

16h30 - Casa de Lava (105’), de Pedro Costa – 1994
Na paisagem vulcânica de Cabo Verde, Casa de Lava é uma história de dor e de sangue. Mariana quer sair do inferno. Estende a mão a um homem meio morto, Leão. Pensa que talvez possam escapar juntos, que pode trazer o morto para o mundo dos vivos. Sete dias e sete noites mais tarde, percebe que estava enganada, trouxe um homem vivo para o meio dos mortos.

19h - Sweet Exorcist (25’), de Pedro Costa, e Vidros Partidos (37’), de Víctor Erice
Realizados a partir de pontos em comum, Sweet Exorcist e Vidros Partidos  são médias-metragens que integram o projeto coletivo. Sessão comentada por Clara Sanz e Victor Guimarães.
 
9 de fevereiro (quinta-feira)
9h às 13h - Workshop 1 – A Montagem na obra de Pedro Costa, por Patrícia Saramago
14h - 0 Curtas-metragens de Víctor Erice: Alumbramento | La Morte Rouge | Ana: Três Minutos (47’) – 2002 – 2006 – 2011
Alumbramento (11’) é um curta-metragem feito para o filme Ten Minutes Older: The Trumpet (2002). La Morte Rouge (33’) foi feito no âmbito da exposição Erice-Kiarostami: Correspondences, apresentada em Madri, Barcelona e Paris em 2006. Ana: Três Minutos (3’) é um segmento do longa-metragem 3:11 A Sense of Home, sobre o terremoto de Tohoku, no Japão, em 2011.

16h30 - Ne Change Rien (100’), de Pedro Costa – 2009
Ne Change Rien começou como parte da amizade entre a atriz Jeanne Balibar, o engenheiro de som Philippe Morel e Pedro Costa. Com a obsessão que lhe é peculiar, Costa filmou durante cinco anos Balibar se transformar em cantora: dos ensaios às sessões de gravação, dos concertos de rock às aulas de canto clássico.

19h - Onde Jaz o Teu Sorriso? (102’), de Pedro Costa – 2001
Enquanto Danièle Huillet e Jean-Marie Straub trabalham na montagem da terceira versão de Sicilia! (1999), Costa filma uma comédia de remontagem. Por detrás da sua paciência no trabalho, terna e violenta, os dois cineastas revelam uma certa ideia do cinema, do seu cinema e da sua vida conjugal. Sessão comentada por Patrícia Saramago e Victor Guimarães
 
10 de fevereiro (sexta-feira) 
9h às 13h - Workshop 1 – A Montagem na obra de Pedro Costa, por Patrícia Saramago
14h - O Sol do Marmelo (El Sol Del Membrillo) (134’), de Víctor Erice – 1992
Víctor Erice acompanha o pintor Antonio López ao longo do processo de concepção de um quadro (uma pintura a óleo de um marmeleiro no jardim do seu atelier), partindo daí para uma reflexão não apenas sobre a pintura e o cinema, mas essencialmente sobre a sua relação com as coisas, com a natureza e com os homens.

16h30 - Ossos (97’), de Pedro Costa – 1997
O cenário é o Estrela de África, um bairro crioulo dos arredores de Lisboa. Um bebê de poucos dias irá sobreviver a várias mortes. Tina, a sua jovem mãe, pega-o no colo e abre o gás. Resgatado pelo pai, ele dormirá nas ruas da cidade alimentado pelo leite da caridade alheia. Por duas vezes, quase será vendido, por desespero, por amor, por quase nada.

19h - O Espírito da Colméia (el espíritu de la colmena) (98’), de Víctor Erice – 1973
Construído em torno do mito de Frankenstein, em seu primeiro longa-metragem, Erice recria-o no espírito de uma criança após ver o filme de James Whale num cinema itinerante. O filme apresenta uma atmosfera deprimente e opressiva da província espanhola nos anos que se seguiram ao fim da Guerra Civil. Sessão comentada por Clara Sanz e Matheus Kerniski
 
11 de fevereiro (sábado) 
9h às 13h - O Ciclo das Fontaínhas, por Pedro Costa
14h -0 Juventude Em Marcha (155’), de Pedro Costa – 2006
Nha cretcheu, meu amor. O nosso encontro vai tornar a nossa vida mais bonita por mais trinta anos. Pela minha parte, volto mais novo e cheio de força. Eu gostava de te oferecer 100.000 cigarros, uma dúzia de vestidos daqueles mais modernos, um automóvel, uma casinha de lava que tu tanto querias, um ramalhete de flores de quatro tostões.

16h30 - Tudo Reflorece: Pedro Costa, Cineasta (Tout refleurit) (78’), de Aurélien Gerbault – 2006
Fazer filmes é bastante simples. De manhã você pega o ônibus, vai até sua locação, senta-se em um café, bate na porta dos atores, e você o faz assim todos os dias do ano, afirma Pedro Costa em Tudo Refloresce, um filme de Aurélien Gerbault que documenta as filmagens de Juventude em Marcha (2006) ao acompanhar o cotidiano de Pedro Costa.

19h - O Sul (El Sur) (95’), de Víctor Erice – 1983
Segundo longa-metragem de Erice, visto através do olhar de uma menina que rememora sua infância, em um lugar remoto do norte espanhol. Quando seu pai desaparece uma noite, entramos em uma espiral sobre os mistérios que revolvem tal figura mística, seu passado que acessamos por fragmentos, assombrado pelo espectro do Sul, local onde seu pai nunca mais voltou desde a Guerra Civil espanhola. Sessão comentada por Pedro Costa.

12 de fevereiro (domingo)
9h às 13h - Workshop 2 – O Ciclo das Fontaínhas, por Pedro Costa
14h - Cavalo Dinheiro (104’), de Pedro Costa – 2014
No bairro das Fontaínhas, o povo segue em sua busca por Ventura – o cabo-verdiano já antes apresentado em Juventude em Marcha (2006) –, que se perdeu na floresta. Hoje, demolido em nome do progresso, o bairro já não existe. Perdido num país assombrado pela guerra colonial, pela revolução e pela descolonização, Ventura revisita os seus fantasmas pessoais que se vão moldando aos fantasmas de Portugal.

16h30 - Curtas-metragens de Pedro Costa: Tarrafal | O Nosso Homem | 6 Bagatelas (60’) – 2007 – 2010 – 2001
Sessão dos principais curtas-metragens do diretor português. Tarrafal (17') prossegue o ciclo das Fontaínhas, agora com seus habitantes relocados no bairro Casal da Boba. O Nosso Homem (25') é uma remontagem deste filme anterior. 6 Bagatelas (18') apresenta seis cenas que foram cortadas do longa-metragem Onde Jaz o teu Sorriso?, sobre o casal de cineastas Straub-Huillet.

19h - No Quarto da Vanda (170’), de Pedro Costa – 2000
Em Ossos, serviu muito para a maneira como eu filmo hoje em vídeo, para a maneira como uso a luz. Nesse filme, eu tinha demasiados projetores, caminhões geradores.[...] Com aquela luz toda, ela entrava pelas frestas, pelos buracos e as pessoas diziam que não dava, que não conseguiam dormir, pois eram fortíssimas as luzes. Eu disse então ao diretor de fotografia, ‘vamos apagar as luzes. (Pedro Costa). Sessão comentada por Patrícia Saramago e Pedro Costa

DESTAQUES DOS EDITORES