Alerta

Cerca de 80% das amostras de álcool em gel analisadas pela UFPR estão irregulares

(Foto: Marcos Solivan/Sucom-UFPR)

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) oferecem à população testes gratuitos de qualidade do álcool em gel. A iniciativa ajuda consumidores a conhecerem a qualidade do produto que estão usando. Além de ser um direito do consumidor, itens fora das especificações exigidas pelas normas sanitárias brasileiras podem se tornar um problema de saúde pública.  A professora do Departamento de Química da UFPR e coordenadora do laboratório de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) da instituição, Caroline D’Oca, conta que a iniciativa tem a intenção de auxiliar o cidadão na escolha do produto que seja eficaz contra o Coronavírus. 

Para fazer o teste, as pessoas levam uma pequena amostra (cerca de 1 ml é suficiente) à universidade ou enviam pelos Correios. O produto é inserido em um equipamento chamado espectrômetro de RMN (Ressonância Magnética Nuclear), que identifica a composição do álcool em gel e de outras substâncias a partir da análise de propriedades magnéticas.

Após a amostra ser colocada na máquina, o campo magnético de alta intensidade permite a aquisição de medidas em função das propriedades magnéticas dos núcleos atômicos. Como resultado, pode-se determinar em cerca de 2 minutos quais compostos orgânicos estão presentes nas amostras e a quantidade de cada um.

A professora salienta que esta é uma entre várias formas de verificar a qualidade do produto e que, a olho nu, a identificação do álcool em gel falsificado é praticamente impossível. "É necessário que profissionais da Química façam a análise em laboratório. É muito difícil identificar se o produto está inapropriado para uso, pois a aparência, o cheiro e a cor podem ser iguais", explica.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que, para eliminar os microorganismos causadores do novo coronavírus, o álcool em gel deve ter entre 68 e 72% de etanol. Segundo Caroline, apenas 20% das amostras que chegam à universidade apresentam tais características e que o teor abaixo ou acima disso representa ineficácia. "Se o teor de álcool for menor que isso, não elimina o vírus. Se for mais, evapora muito rápido e não há tempo de contato suficiente para eliminá-lo. Além disso, altas concentrações de álcool podem causar ressecamento, fissuras na pele e facilitar a entrada de microorganismos".

Os interessados em levar amostras de álcool em gel para análise podem entrar em contato com a UFPR. As análises são gratuitas e respeitam as considerações de sigilo com relação a marcas e registros. Basta agendar o teste pelo seguinte email: alcoolgel@c3sl.ufpr.br. Quem reside fora de Curitiba pode enviar a amostra pelos Correios.
Na hora da compra, confira o rótulo

Para fazer a melhor escolha na hora de comprar o produto, é necessário ler o rótulo atentamente. O Sistema CFQ/CRQs recomenda que o consumidor verifique se há informações sobre o profissional responsável técnico e o número de registro do produto na Anvisa. Se houver dúvidas sobre a responsabilidade técnica, o cidadão por entrar em contato com o CRQ do seu estado e pedir ajuda.

A fiscalização do Sistema CFQ/CRQs atua para impedir o exercício ilegal da profissão de químico e para que empresas não atuem sem um responsável técnico que possa garantir a qualidade do produto.

Confira as animações do CFQ com informações que podem ajudar você no momento da compra de álcool em gel.


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