No bolso

Cesta básica sobe 20,25% em Curitiba durante a pandemia; arroz e feijão lideram reajustes

(Foto: Antonio Cruz/ABR)

A Cesta Básica de alimentos em Curitiba subiu 3,58% no mês de janeiro de 2021 em relação a dezembro do ano passado, de acordo com dados divulgados nesta segunda (7) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O valor da cesta para uma família de quatro pessoas ficou em R$ 559,73 no primeiro mês do ano. O Dieese fez um levantamento sobre a variação de preços durante a pandemia na capital paranaense.  De março de 2020 a janeiro de 2021, o preço da Cesta Básica subiu 20,25% em Curitiba.

Os principais "vilões" durante a pandemia de Covid-19 em Curitiba foram arroz Parboilizado, que registrou reajuste de preço de 60,15%, feijão preto, com aumento de 58,26%, batata, que teve 33,44% de reajuste, e carne bovina de primeira, com reajuste de 32,90%.

Já em janeiro, a carne bovina foi o produto com maior aumento de preço (6%), seguido de tomate (5,57%) e Banana (5,41%).

Produtos com aumento do preço médio em relação a dezembro:

Carne bovina de primeira (6,00%)

Tomate (5,57%)

Banana (5,41%)

Batata (3,23%)

Leite integral 1,68%

Arroz parboilizado (0,95%)

Pão francês 0,75%

Produtos com queda de preço médio em relação a dezembro

Café (-3,15%)

Farinha de trigo  -3,14%)

Manteiga -1,58%,

Óleo de soja -1,49%)

Açúcar refinado  -0,82%

Feijão preto -0,68%

-Variação na pandemia (jan/2021 / mar/2020): 20,25%

Produtos com alta de preço médio em relação em relação a março de 2020

Arroz Parboilizado 60,15%

Feijão preto 58,26%

Batata  33,44%

Carne bovina de primeira 32,90%

Leite integral 17,97%

Óleo de soja 15,22%)

Pão francês 4,16%

Manteiga 3,88%

Banana 2,92%

Tomate 0,20%

Produtos com queda de preço médio em relação em relação a março de 2020

Açúcar refinado -5,12% 

Farinha de trigo -4,30%

Café -4,12%


- Variação em 12 meses (jan/2021 / jan/2020): 23,75%
 Produtos pesquisados apresentaram alta no preço médio em relação a janeiro de
2020: arroz parboilizado (67,72%), feijão preto (58,97%), batata (42,12%), tomate
(37,63%), carne bovina de primeira (30,20%), leite integral (19,96%), óleo de soja
(19,10%), banana (10,79%), manteiga (5,23%) e pão francês (2,77%); e
 Produtos pesquisados apresentaram queda no preço médio em relação a janeiro de
2019: farinha de trigo (-6,53%), café (-5,83%) e açúcar refinado (-2,82%).

Os dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo
DIEESE, indicaram que, em janeiro, os preços do conjunto de alimentos básicos,
necessários para as refeições de uma pessoa adulta (conforme Decreto-lei 399/1938)
durante um mês, aumentaram em 13 capitais pesquisadas. As maiores altas foram
registradas em Florianópolis (5,82%), Belo Horizonte (4,17%) e Vitória (4,05%). O
valor da cesta apresentou redução em quatro capitais do Nordeste: Natal (-0,94%),
João Pessoa (-0,70%), Aracaju (-0,51%) e Fortaleza (-0,37%).
 Em São Paulo, capital onde a cesta apresentou o maior preço, o custo ficou em R$
654,15, com alta de 3,59%, na comparação com dezembro de 2020. Em 12 meses, o
valor do conjunto de alimentos subiu 26,40%.
 Com base na cesta mais cara, que, em janeiro, foi a de São Paulo, o DIEESE estima
que o salário mínimo necessário foi equivalente a R$ 5.495,52, o que corresponde a
5 vezes o mínimo já reajustado, de R$ 1.100,00. O cálculo é feito levando em
consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.
 O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta, em janeiro, foi de 111
horas e 46 minutos, menor do que em dezembro, quando ficou em 115 horas e 08
minutos.
 Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o
desconto de 7,5% para a Previdência Social, verifica-se que o trabalhador
remunerado pelo piso nacional comprometeu, em janeiro, na média, 54,93% do
salário mínimo líquido (reajustado em janeiro) para comprar os alimentos básicos
para uma pessoa adulta. Em dezembro, o percentual foi de 56,57%.
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DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS
Rua Treze de Maio, 778, 2° Andar, Sala 5 – São Francisco – Curitiba – PR – 80.510-030 – Tel/Fax: 41 3225-2279
www.dieese.org.br - erpr@dieese.org.br - CNPJ 60.964.996/0010-78
TABELA 1
Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (tomada especial)
Custo e variação da cesta básica em 17 capitais
Brasil – janeiro de 2021
Capital Valor da
cesta
Variação
mensal
(%)
Porcentagem
do Salário
Mínimo
Líquido
Tempo
de
trabalho
Variação
em 12
meses
(%)
São Paulo 654,15 3,59 64,29 130h50m 26,40
Florianópolis 651,37 5,82 64,02 130h16m 33,17
Rio de Janeiro 644,00 3,69 63,29 128h48m 26,99
Porto Alegre 626,25 1,72 61,55 125h15m 24,51
Vitória 624,62 4,05 61,39 124h55m 26,90
Brasília 614,31 3,80 60,37 122h52m 27,14
Belo Horizonte 592,26 4,17 58,21 118h27m 29,78
Campo Grande 578,62 0,37 56,87 115h43m 26,34
Goiânia 574,76 1,94 56,49 114h57m 26,30
Curitiba 559,73 3,58 55,01 111h57m 23,75
Fortaleza 532,97 -0,37 52,38 106h35m 22,98
Belém 507,31 1,28 49,86 101h28m 22,08
Salvador 488,94 2,06 48,05 97h47m 29,87
Recife 474,22 1,03 46,61 94h50m 19,77
João Pessoa 471,87 -0,70 46,38 94h22m 21,61
Natal 454,49 -0,94 44,67 90h54m 16,76
Aracaju 450,84 -0,51 44,31 90h10m 22,28
Fonte: DIEESE
Principais variações
 O valor do açúcar aumentou em 15 cidades, em janeiro de 2021, com destaque para
Florianópolis (12,58%), Campo Grande (11,44%) e João Pessoa (7,19%). O volume
ofertado foi menor por causa da entressafra e da pressão das usinas para segurar a
cotação, o que explica a alta no varejo.
 Na pesquisa, são levantados os preços da banana prata e da nanica. Em 15 capitais,
o preço médio da fruta aumentou. As altas mais expressivas, entre dezembro e
janeiro, foram observadas em Florianópolis (20,70%), Goiânia (12,50%) e Brasília
(11,76%). A banana prata esteve com oferta limitada devido à entressafra, por isso a
elevação de preços, enquanto a nanica teve valores reduzidos.
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 Em 14 capitais, o preço médio da carne bovina de primeira registrou alta: variou
de 0,17%, em João Pessoa, a 6,00%, em Curitiba. As quedas ocorreram em três
cidades do Nordeste: Natal (-2,41%), Aracaju (-2,25%) e Fortaleza (-0,79%). A
baixa disponibilidade de animais para abate no campo e a demanda externa elevada
resultaram em aumentos de preço.
 A batata, pesquisada no Centro-Sul, teve o valor aumentado em nove de 10
cidades. As altas oscilaram entre 3,23%, em Curitiba, e 18,60%, em Goiânia. A
retração foi registrada em Campo Grande (-10,71%). A oferta reduzida, com o fim
da colheita de inverno, elevou os preços do tubérculo. Mesmo com a intensificação
da safra das águas em Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná, os preços continuaram
em alto patamar, pois a colheita foi dificultada com as chuvas.
 O preço do feijão subiu em 12 capitais. O tipo carioquinha, pesquisado no Norte,
Nordeste, Centro-Oeste, em Belo Horizonte e São Paulo, variou entre 2,71%, em
Goiânia, e 9,16%, em Belém. Em Aracaju (-3,41%), Campo Grande (-1,46%), São
Paulo (-0,85%) e Brasília (-0,26%), o valor médio diminuiu. Já o custo do feijão
preto, pesquisado nas capitais do Sul, em Vitória e no Rio de Janeiro, aumentou em
todos esses locais - com destaque para Florianópolis (4,82%), Rio de Janeiro
(1,85%) e Vitória (1,85%). Problemas climáticos acarretaram redução da
disponibilidade de feijão e alta nos preços. Parte da oferta de feijão preto foi
garantida por grão importado.