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Análise

Cinco explicações para a crise do Coritiba

O Coritiba vive uma crise dentro de campo na temporada 2017. Os resultados são fracos. Em nove jogos, apenas três vitórias (contra os reservas do Paraná e titulares de Foz e Prudentópolis). Nos demais jogos, três empates e três derrotas. Entre os fiascos, uma eliminação na Copa do Brasil para o ASA, da Série C do Brasileiro, e derrota para os reservas do Atlético-PR. Entre esses nove jogos, nenhum confronto contra o time titular de um clube de Série A ou B. O Bem Paraná lista cinco possíveis explicações para o fracasso.

1 – Privilégios aos boleiros
No final de 2016, a diretoria do Coritiba decidiu sacrificar a vaga na Copa Sul-Americana em troca de uma semana a mais de férias para os jogadores. Os dirigentes podem ter todos os argumentos possíveis a favor deles nessa decisão, mas a medida deixou claro que os atletas possuem grande poder dentro do clube. Em 2017, a demissão de Carpegiani e a pressão para a manutenção de Pachequinho no cargo também deixam a impressão que o clube está preocupado demais em agradar os boleiros. Pachequinho tem a preferência dos jogadores mais influentes do elenco.

2 - Sem planejamento
Carpegiani não queria renovar contrato no final de 2016. A diretoria insistiu, pressionou e conseguiu a permanência dele para 2017. No entanto, a diretoria não atendeu as exigências técnicas e táticas do treinador. Desde o início, ele pediu a contratação de laterais defensivos, de extremos (pontas) e de meias de transição. Os dirigentes atenderam parcialmente. Para a lateral-esquerda, veio William Matheus, que ainda não está em condições físicas ideiais para jogar. Para a função de meia de transição (jogador com capacidade de marcar e armar), veio apenas Galdezani, que agora está lesionado. Para jogar como extremo, o Coxa trouxe Rildo, que passou a maior parte de 2017 em recuperação, e Filigrana, que além de ser uma aposta já está lesionado. Para manter seu estilo de jogo, Carpegiani acabou improvisando em todos os setores: defesa, meio e ataque.

3 – Contusões
O número de lesões no Coritiba tem sido elevado nos últimos anos. Em 2017, não está sendo diferente. Rildo, Alan Santos, Neto Berola, Filigrana, Yan, João Paulo, Galdezani, Jonas, Juninho, Walisson Maia e William Matheus são alguns jogadores que já passaram pelo departamento médico nesses 65 dias de trabalho de 2017. As lesões dificultam o entrosamento e o desempenho tático da equipe.

4 - Ambiente político
O Coritiba terá eleições no final de 2017. A turbulência política já começou. Desde o início da atual gestão, em 2015, a atual diretoria demonstrou dificuldades em blindar o departamento de futebol dos problemas políticos. Nas arquibancadas e nas redes sociais, a impressão é que o clube já está dividido. E cada resultado dentro de campo será utilizado politicamente.

5 – Tática
O excesso de lesões e a falta de sintonia entre Carpegiani e a diretoria trouxe problemas táticos para o Coritiba em campo. O meio-campo tem a situação mais crítica. Nesse setor, os poucos jogadores que mostraram alguma qualidade sofrem com a falta de entrosamento. Alan Santos e Galdezani, os mais regulares do meio-campo, tiveram contusões em 2017 e raramente jogaram juntos. No ataque, tanto Carpegiani como Pachequinho decidiram improvisar o centroavante Henrique Almeida como ponta-direita, medida que afundou o desempenho ofensivo da equipe.

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