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Segurança

Classe média de Curitiba adere à blindagem de carros

Setor manteve o crescimento mesmo em época de crise, e agora terá também novas regras
Classe média de Curitiba adere à blindagem de carros

Carro blindado não é exclusividade de milionário ou transportadora de valores. Com os altos índices de criminalidade do Brasil, cada vez mais a classe média adere à blindagem veicular. Hoje, há modelos blindados seminovos a partir de R$ 50 mil. O setor, que mesmo com a crise manteve o crescimento no ano passado, agora se prepara para se adequar a uma série de mudanças, mas a previsão é terminar o ano com números positivos.


A responsável pelas alterações é a portaria 55, publicada pelo Exército no dia 13 de junho. A partir de agora, proprietários também terão de ter Certificação de Registro (antes só era obrigatório para a empresa); os veículos não poderão ter teto solar; peças danificadas deverão ser substituídas e fica proibida a reautoclavagem, a recuperação de vidros com bolhas ou delaminados.
A violência e a sensação de insegurança transformaram o setor de blindagem de veículos em um campeão de crescimento nas últimas décadas: segundo a Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), em 1995 a frota de blindados no país era de 388 veículos; no início deste ano, chegava a 160 mil, a maior do mundo. Com a expansão do crédito, na década de 2000, o mercado conheceu sua maior evolução. A partir da década de 2010, com as novas tecnologias, a classe média passou a fazer as contas para ter mais segurança. O resultado é um aumento no mercado de seminovos blindados.
Hoje temos seminovos blindados a partir de R$ 50 mil, afirma Denilson Souza, gerente administrativo da Laf Blindados, que atua desde 2001 em Curitiba. Segundo ele, o incremento da tecnologia também barateou os custos, pois a blindagem usada atualmente é menos pesada e pode ser feita em carros menores e mais baratos. Hoje já estamos blindando carros menores, como Onix, Saveiro e Fiesta. O segmento de seminovos está aumentando. Para o tipo de cliente que está chegando agora, é melhor procurar no mercado o mesmo carro blindado pelo preço de um zero.
A empresa teve um crescimento de 12% em 2016 em relação ao ano anterior. Para este ano, projeta um aumento de 20% no número de vendas e serviços. A aposta é no segundo semestre, pois há mais espaço para o crescimento nos estados do Sul do que em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde já houve uma forte expansão em função dos índices de criminalidade.

Vantagens e desvantagens
O que muda
A Portaria 55 do Exército estabelece uma série de mudanças na fabricação e na comercialização de carros blindados no país. A partir de agora, o proprietário também terá de possuir uma Certificação de Registro junto ao Exército (antes, era obrigatório apenas para as empresas de blindagem). Os veículos não poderão ter teto solar e fica proibida a reautoclavagem (recuperação de vidros com bolhas ou delaminados).

Preço
O custo de uma blindagem em um carro zero quilômetro pode variar de R$ 40 mil a R$ 100 mil nos modelos maiores, mas o preço varia de acordo com o modelo do veículo e o nível de proteção. Seminovos têm preços que variam de R$ 50 mil a R$ 280 mil.

Mais custos
Os custos de um veículo blindado são maiores que os de um carro comum. Ele consome mais combustível, pois a blindagem aumenta o peso em 120 kg a 200 kg, nos modelos maiores. Além disso, com a nova portaria do Exército, não poderá ser feita a recuperação de peças danificadas ou vidros, que deverão ser substituídos por novos.

Níveis de blindagem
São os três níveis de blindagem. O nível I é o mais barato e tem a manor proteção: resiste a disparos de armas com calibre 32 e 38. Os níveis II e II A são intermediários e podem suportar disparos de armas como a Magnum 357. O nível III A, que resiste até a tiros de Magnum 44, pistolas 9 mm e submetralhadoras, é usado em 90% dos carros blindados no país. Outras blindagens são proibidas.

Peso
A blindagem aumenta o peso do veículo, o que aumenta o custo com combustível e diminui o rendimento. O peso extra pode variar de 120 kg a a 200 kg.

Nova tecnologia
Há dois anos no mercado, a nova tecnologia utiliza na blindagem de veículos é chamada de udura. Ela é composta de uma fibra de carbono e aramida, até 20% mais leve que a blindagem utilizada anteriormente, de aço.

Cuidados
Com a nova tecnologia, cuidados exigidos anteriormente podem ser deixados de lado. Com a blindagem anterior, o carro não podia ser estacionado em desnível e a porta não podia ser fechada com o vidro aberto, por exemplo.

mais segurança
Para o engenheiro Glauco Splendore, especialista em blindagem e proprietário da Splendore Blindagem, de São Paulo, as novas regras trarão mais segurança. As mudanças são positivas à medida que focam na segurança do processo e devem prover melhores garantias aos clientes que buscam o serviço, diz. Para ele, a exigência de Certificação de Registro por parte do proprietário é positiva. O documento erá validade de três anos. Haverá um custo maior com documentação e com a execução de determinados procedimentos relacionados à manutenção do carro, mas o ganho técnico e as garantias do material aplicado deverão trazer maior proteção e resolutividade, pois, infelizmente, nem todas as blindadoras exercem este compromisso.

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