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Crise

Com piora do cenário doméstico e queda do petróleo, Bolsa perde os 97 mil pontos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Complicações no cenário doméstico derrubaram a Bolsa brasileira nesta quarta-feira (5). Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que o governo ainda não tem os votos para a aprovação da reforma da Previdência na Câmara.

Pela manhã desta quinta, a liberação de crédito extra de R$ 248 bilhões para o governo foi adiada para 11 de junho e, pela tarde, STF (Supremo Tribunal Federal) discute a venda de estatais sem aval do Congresso. 

Além disso, segundo a Bloomberg, membros do governo discutem flexibilizar o teto de gastos para ganhar fôlego fiscal. A medida pode colocar em risco o déficit fiscal do país.

No exterior, o viés foi positivo. O dólar iniciou recuperação frente a demais moedas e impulsionou valorização de 0,98% da moeda americana frente ao real, a R$ 3,8960. Já o petróleo teve queda de 2,13%, a US$ 60,65, menor patamar desde janeiro, e derrubou as ações da Petrobras.

A liberação de crédito no Congresso possibilita que o governo pague despesas correntes sem quebrar a "regra de ouro". Sem a aprovação do crédito extraordinário de R$ 248 bilhões, segundo o governo, a partir de 20 de junho, faltará dinheiro para pagar os 2 milhões de idosos pobres do BPC. Deficientes pobres, que somam outros 2,5 milhões de beneficiados pelo programa, seriam afetados a partir de julho. A escassez de recursos também pode afetar subsídios, como o plano Safra.

Outra preocupação do mercado é a sessão do STF sobre venda de estatais. Em liminar, o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que suspendeu a venda da TAG (Transportadora Associada de Gás), subsidiária da Petrobras, em negócio que envolve cerca de R$ 33,1 bilhões.

A venda de companhias estatais e de seus braços é vista como fundamental pelo governo para arrecadar recursos e tornar essas companhias mais lucrativas. O relator do processo que analisa a constitucionalidade da questão, ministro Ricardo Lewandowski, do STF, votou a favor da necessidade de haver autorização legislativa e licitação pública para alienação do controle acionário de empresas públicas, sociedades de economia mista ou de suas subsidiárias ou controladas.

Com a negativa e a baixa do petróleo, devido ao aumento inesperado dos estoques americanos, as ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras caíram 1,30%, a R$ 25,86 e as ordinárias (com direito a voto), 1,41%, a R$ 28,61. 

O Ibovespa, maior índice acionário do país, recuou 1,42%, a 95.998 pontos, menor patamar em uma semana. O giro financeiro foi de R$ 12,834 bilhões, abaixo da média diária para o ano.

"A queda de hoje foi uma realização de lucros, um ajuste natural para abrir espaço para novas altas", afirma Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos.

Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones e S&P 500 tiveram 0,82% de alta e Nasdaq subiu 0,64%, com mais um dia de alívio para as tensões comerciais com o México.

O assessor de comércio da Casa Branca, Peter Navarro, disse à CNN que as tarifas ao México, que entrariam em vigor na próxima semana, podem não ser necessárias porque os EUA têm agora "a atenção dos mexicanos" sobre deter a imigração ilegal.

Senadores republicanos também afirmam que a proposta não passaria no Congresso. O líder da maioria no senado, Mitch McConnell, disse que não há muito apoio às tarifas no partido e Chuck Grassley, presidente republicano do Comitê de Finanças do Senado dos EUA, previu que os países chegarão a um acordo para evitar as taxas.

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