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Comitê do Senado americano aprova juiz, que será investigado pelo FBI

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Por 11 votos a 10, o Comitê do Judiciário do Senado americano aprovou nesta sexta-feira (28) a indicação do juiz federal Brett Kavanaugh para a Suprema Corte.

Mas a votação final sobre a nomeação, no plenário do Senado, foi adiada para que as acusações de abuso sexual que pesam contra o juiz sejam investigadas pelo FBI.

Originalmente, seriam realizadas na terça (2). Ele precisa receber ao menos 50 votos (a casa tem 51 republicanos, o que conta a seu favor). A audiência para formalizar a continuidade do processo está prevista para este sábado (29).

A proposta de investigação pelo FBI precisava ser aprovada pelo presidente Donald Trump, que acatou o pedido dos senadores. "Como o Senado solicitou, essa atualização [sobre o caso] deve ser limitada no escopo e concluída em menos de uma semana", afirmou, em comunicado divulgado pela sua secretária de imprensa, Sarah Sanders.

A proposta de adiamento foi levantada pelo republicano Jeff Flake, que votou a favor do juiz, mas sob a condição de que a investigação fosse realizada. Mais cedo, ele havia sido confrontado por duas mulheres em um elevador no Senado sobre a sua posição a favor de Kavanaugh, o que pode ter contribuído para que ele tenha tomado a iniciativa.

Imagens da cena foram reprisadas durante o dia em emissoras de televisão. Uma das mulheres disse que havia sido atacada sexualmente e que a mensagem que ele passa para as mulheres do país é de que elas "não importam".

O pedido para que o incidente fosse investigado era uma demanda de Ford, e havia sido inicialmente colocado como pré-requisito para que ela falasse no Senado. A vítima afirma que não se lembra de todos os detalhes do crime. Senadores democratas também vinham tentando adiar o processo de confirmação.

Ford, por meio de sua advogada, afirmou que a investigação é fundamental para "desenvolver todos os fatos relevantes", mas que não deveriam ser impostos "limites artificiais" no que diz respeito a tempo e escopo. Também elogiou os senadores que apoiaram as apurações.

Já Kavanaugh afirmou que está disposto a colaborar com as investigações. "Eu fiz tudo o que eles solicitaram e vou continuar a cooperar", disse.

Seu histórico já havia sido checado pelo FBI antes, como parte do processo de indicação para a corte. O objetivo da agência é checar se o candidato representa um perigo para a segurança nacional.

Mark Judge, amigo do juiz que teria testemunhado o ataque, também se dispôs a falar com a polícia federal americana.

Kavanaugh é acusado de ter atacado sexualmente a professora de psicologia Christine Blasey Ford durante a década de 80. Os dois testemunharam na quinta (27) no Comitê Judiciário do Senado sobre o incidente, como parte do processo de aprovação do nome de Kavanaugh para a mais alta corte do país. Ela disse que tem 100% de certeza de que ele foi o autor do ataque, enquanto ele negou, em tom agressivo, as alegações.

As audiências dos últimos dias foram acompanhadas de protestos. Um grupo de manifestantes contra Kavanaugh, que gritavam "nós acreditamos na Christine", foi detido no Senado nesta sexta. Durante as audiências da quinta, cerca de 60 pessoas foram presas. Em Nova York, um grupo de 30 pessoas protestou contra Kavanaugh na Terceira Avenida, em frente a prédio onde estão os escritórios dos senadores Charles Schumer e Kirsten Gillibrand, democratas que se opõem à indicação. Os manifestantes seguravam cartazes com frases de apoio às supostas vítimas de abuso sexual e pediam que a confirmação fosse adiada até a investigação pelo FBI.

Kavanaugh já foi acusado por três mulheres de ter cometido delitos sexuais. Ele é o segundo nome indicado por Trump para a Suprema Corte ""o primeiro foi Neil Gorsuch, conservador moderado que assumiu em abril de 2017.

Caso o juiz seja finalmente aprovado, a corte terá seu equilíbrio alterado, ficando com quatro juízes progressistas e cinco conservadores.

Mas se a nomeação for rejeitada, e os democratas conseguirem maioria em ao menos uma das casas do Congresso nas eleições legislativas de novembro, o processo pode se estender para até depois de 1º de janeiro, quando começa a nova legislatura, o que complicaria a vida de Trump.

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