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Congestionamentos caíram em três anos em SP, indicam dados de app

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Grande São Paulo registrou uma redução de congestionamentos nos últimos três anos. O cálculo foi feito pela Fipe a partir de dados de viagens do aplicativo Uber, disponibilizados pelo aplicativo em uma nova plataforma de consulta aberta ao público nesta terça-feira (24), a Uber Movement. 

A pesquisa analisou a diferença entre os tempos médios de deslocamento quando São Paulo está com pistas livres e quando está congestionada. Com isso, se obtém um índice de lentidão de carros na Grande São Paulo. Descobriu-se ainda que o morador da região metropolitana tem seu tempo de deslocamento alongando em média em mais de 23 minutos por dia devido a congestionamentos. 

Em 2016, a variação entre o tempo das viagens com vias tranquilas e com trânsito foi de 39,6%. Já em 2018, o índice caiu para 31,4%, ou seja, os tempos de deslocamento durante o horário de pico se aproximaram dos aferidos quando não há congestionamento.

A análise dos dados também permitiu perceber o efeito de algumas ocorrências no trânsito da Grande São Paulo, como grandes chuvas e a greve dos caminhoneiros em 2018. 

Basta uma chuva fraca de 0,1 mm, por exemplo, para aumentar a lentidão no trânsito em 3,9 pontos percentuais. O colapso de um viaduto na marginal Pinheiros, em novembro de 2018, aumentou o índice de congestionamento em 5,1 pontos percentuais nos dias após o incidente. 

Por outro lado, a greve dos caminhoneiros derrubou em 9,4 pontos a lentidão na Grande São Paulo. A redução do trânsito nos dias de jogos do Brasil na última Copa do Mundo foi ainda mais significativa: 11,3 pontos. 

Para chegar a esses números, a pesquisa utilizou as médias de deslocamentos de diferentes viagens feitas de uma mesma região até um mesmo destino, por exemplo, viagens feitas entre o largo Treze, na zona sul, até a praça da Sé. A plataforma da Uber oferece apenas os dados médios, não sendo possível observar viagens específicas, para proteger as informações dos passageiros e dos motoristas. 

Para o pesquisador da Fipe e professor da USP Eduardo Haddad, a partir das viagens da Uber é possível aferir a lógica de deslocamento dos carros particulares. 

A ferramenta Uber Movement foi criada para a análise de dados de mobilidade e para o desenvolvimento de políticas públicas. No caso de São Paulo, a ferramenta poderia fornecer dados sobre a importância de uma avenida para o trânsito local. Há, por exemplo, uma discussão sobre qual a real eficácia de manter o elevado João Goulart (o Minhocão), no centro da cidade, aberto aos carros. 

A plataforma já existe em outras cidades como Nova York, Londres e Cairo. São Paulo é a primeira cidade do Brasil com esses dados abertos.

A divulgação dos dados é um esforço da Uber de se inserir no debate sobre mobilidade nas grandes cidades.

Muitas prefeituras ao redor do mundo pressionam a empresa por uma maior abertura de seus dados para melhor entender o serviço e o impacto no trânsito local. Alguns estudos apontam a piora no trânsito na Califórnia ou em distritos de Nova York, após o surgimento de empresas do ramo. A empresa considera esses estudos ainda não conclusivos. 

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