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Contador da família tinha autonomia, diz Fernanda Richa ao Gaeco; assista a íntegra

Contador da família tinha autonomia, diz Fernanda Richa ao Gaeco; assista a íntegra
Fernanda Richa: "O Dirceu está conosco desde 77, 78, eu tinha 15 ou 16 anos. E cuida da gente até hoje" (Foto: reprodução)

O depoimento da ex-secretária de Desenvolvimento Social Fernanda Richa, esposa do ex-governador Beto Richa (PSDB), em que ela atribui ao contador Dirceu Pupo responsabilidades sobre empresa da família, foi divulgado nesta segunda-feira (24), no sistema do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). O depoimento de Fernanda foi prestado em 14 de setembro aos procuradores do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investigam esquema de corrupção no programa Patrulha do Campo. Beto e Fernanda ficaram presos por quatro dias, entre 11 e 15 de setembro, após a deflagração da Operação Rádio Patrulha. Beto Richa optou por permanecer em silêncio durante seu interrogatório.

Fernanda, por outro lado, foi ouvida pelos promotores entre 12h40 e 13h30, e afirmou que Dirceu Pupo, que também foi preso, era o responsável por transações envolvendo a compra e venda de bens imóveis realizadas em nome de empresas em nome dela e de filhos. O Ministério Público suspeita que as empresas teriam sido usadas para lavagem de dinheiro.

Depois de explicar que os bens de sua família eram provenientes da herança do pai, o banqueiro Tomas Edison de Andrade Vieira, um dos sócios do banco Bamerindus, Fernanda disse que o contador da família trabalhava com seu pai. “O Dirceu está conosco desde 77, 78, eu tinha 15 ou 16 anos. Dirceu fazia parte do trabalho do Bamerindus, trabalhava dentro do banco, depois passou a cuidar da empresa do meu pai e depois veio para nós. E cuida da gente até hoje. Quando houve a separação dos meus irmãos o Dirceu ficou comigo e cuida de mim e dos meus filhos até hoje. Cuida da nossa empresa”, explicou.

Veja a íntegra do depoimento:

Fernanda disse que o contador tinha autonomia para comprar e vender imóveis para gerar renda. “Eu confio plenamente no Dirceu, minha vida inteira eu confiei no Dirceu e vou continuar confiando. Ele tem autonomia para isso. Ele está conosco para fazer rentabilidade pra gente viver bem e ele que cuida disso”, disse. Questionada sobre a possibilidade de que o contador compre e feche negócio sem autorização, Fernanda afirmou que sim. “Ele tem autonomia. Já fez. Se for um bom negócio, sim. E apresenta depois os fatos”, disse.

Segundo as investigações, a lavagem de dinheiro era feita, principalmente, por meio de operações imobiliárias, de compra, venda e permuta de imóveis, sempre envolvendo dinheiro. De acordo com o ex-deputado estadual Tony Garcia, que delatou o suposto esquema ao Ministério Público, Fernanda Richa teria realizado lavagem de valores ilícitos porque “é responsável pela área imobiliária da família”.

De acordo com o inquérito, a empresa Ocaporã Administradora de Bens Ltda., cuja responsável é Fernanda Richa, adquiriu o lote nº 18, no condomínio Paysage Beau Rivage, mediante permuta com dois terrenos localizados no Alphaville Graciosa, ocultando-se em torno de R$ 900 mil. Os representantes da nefociação teriam sido Dirceu Pupo e André Vieira Richa, sócio da empresa e filho do casal.

Fernanda afirma que soube do negócio, mas que desconhecia os valores das vantagens. “Sei que achei maravilhoso o condomínio Beau Rivage, e como eu queria muito que meus filhos viessem morar próximos de mim, o André morava lá em cima no Cabral e o Marcelo seria vizinho nosso, onde a gente mora no Lumiere. Ne apaixonei pelo terreno e falei 'vou trazer meu filho pra cá'. Era essa a ideia, o Beto falou 'pode trazer, desde que não bote mais dinheiro', para poder fazer de lá pra cá. Quando fizemos a negociação o Beto falou 'ah, mas tem que construir?'. Ele (André) disse 'tem que construir, pai'. Então, 'não vai fazer'. Vai ficar como está. Vamos esperar pra ver se vai vender ou não vai vender. E assim foi nesse Beau Rivage, aí vendemos agora, muito bem graças a Deus”, contou.

A escritura pública de permuta foi firmada entre a J.V. Consultoria e Participações Ltda e a Ocaporã. Segundo o Ministério Público, a área do terreno do condomínio em Santa Felicidade supera em mais de 800 metros quadrados a soma dos outros dois lotes do Alphaville. “Enquanto, de um lado, terrenos no Alphaville estão anunciados por R$ 590 mil, por outro, o valor mais baixo encontrado para um terreno localizado no condomínio Paysage Beau Rivage foi de R$ 2,7 milhões”.

De acordo com o inquérito, “a sistemática de aquisição de imóveis de valores distintos através de simples permuta, omitindo dos registros formais os pagamentos realizados em dinheiro, em quantias consideráveis, não parece ter sido isolada por parte da família Richa”. Segundo o delator Tony Garcia, houve pelo menos outra negociação de vulto na qual teria sido ocultado o pagamento de R$ 1,7 milhão em dinheiro para aquisição de diversas salas comerciais em Curitiba.

O outro negócio investigado envolve um corretor de imóveis chamado Augusto Albertini. Segundo o delator, Albertini lhe contou que tinha intermediado uma outra venda para a família e que quem tinha negociado com ele tinha sido Dirceu Pupo. Em relação a esse outro negócio, a família teria comprado um andar inteiro de um prédio comercial localizado no Centro Cívico por cerca de R$ 2,5 milhões, sendo que também nessa compra entrou um imóvel da família localizado na em Balneário Camboriú (SC).

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