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Aula de história

Curitiba abrigou o último pirata do século 19, diz pesquisador

O pesquisador Marcos Juliano fez a apresentação vestido como um pirata
O pesquisador Marcos Juliano fez a apresentação vestido como um pirata (Foto: Henry Milleo)

Cerca de 300 estudantes das escolas municipais Noely de Ávila e Dom Manuel da Silveira D’elboux foram apresentados, nesta terça-feira (15), no Memorial da Cidade, às aventuras do pirata Zulmiro. O relato ficou a cargo do pesquisador curitibano Marcos Juliano Ofenbock, autor de um livro sobre o personagem.

O escritor diz possuir elementos suficientes para afirmar que Zulmiro viveu parte da vida e morreu em Curitiba e foi ninguém menos que o último pirata do século 19.

Ofenbock conta que baseia suas pesquisas em informações extraídas de documentos de cartório, registros de cemitério, jornais de época e junto à representação diplomática britânica. Por meio delas, apurou que o pirata Zulmiro foi um tenente da Marinha Britânica chamado Francis Hodder, filho de nobres ingleses nascido em Cork, na Irlanda, entre 1798 e 1799.

Segundo o pesquisador, relatos encontrados informam que o personagem optou pela vida de pirata ao desertar da Marinha, depois de ter assassinado um superior. Veio parar na América do Sul, onde em 1821 saqueou o navio espanhol que carregava riquezas pilhadas da catedral de Lima, no Peru. Preso, conseguiu fugir.

Subiu a Serra do Mar e se fixou em Curitiba em 1835, com o nome de João Francisco Inglez. Na cidade, Zulmiro adquiriu terras e se instalou no ponto mais alto do terreno atualmente ocupado pela Universidade Livre do Meio Ambiente, no Pilarzinho.

Sua história só começou a vir à tona quando foi procurado por Edward Young, também inglês residente no Rio de Janeiro. De passagem por Curitiba, ele fica sabendo da existência de um velho que falava inglês e decide conhecê-lo. A princípio, duvidou da história. No entanto, resolveu publicá-la em um jornal da época depois de saber da morte do velho pirata. João Francisco Inglez foi enterrado no Cemitério Municipal, no bairro São Francisco, em 24/8/1889, perto dos 90 anos de idade.

Conhecedor da história e das lendas sobre a cidade, o prefeito Rafael assistiu à apresentação. “O pirata Zulmiro deixou a lenda urbana para entrar na história e veio fazê-lo no Memorial da Cidade”, disse o prefeito.

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