Seis casos neste ano

Curitiba identifica morcegos com raiva; falta de vacina preocupa

(Foto: Reprodução / Governo do Estado de Santa Catarina)

A Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), emitiu ontem um alerta à população para evitar contato com morcegos, estejam eles vivos ou mortos. De acordo com a Prefeitura de Curitiba, desde o início do ano foram enviados para testagem 199 morcegos. Seis deles (3% do total) tiveram resultado positivo para o vírus da raiva. No ano passado, foram testados 225 morcegos e dez resultaram positivo (4,4%).

Segundo a coordenadora da UVZ, Ana Paula Mafra Poleto, a incidência da doença nos animais é considerada baixa. Ela ainda destaca que todos os animais que apresentavam a doença eram insetívoros (se alimentam de insetos) ou frugívoros (se alimentam de frutas) e que o principal para os cidadãos é respeitar o animal e acionar a unidade via Central 156 caso encontrem algum morcego.

“O mais importante é respeitar o morcego. A grande maioria deles é saudável, então não se deve matar esses animais. É só não colocar a mão no animal, não pegar nele”, afirma a especialista. “Este número de morcegos positivos para a raiva não representa surto ou aumento de casos, mas mostra que, assim como em anos anteriores, o vírus continua circulando e, por isso, as precauções contra a doença precisam ser mantidas.” 

O grande problema, contudo, tem sido a falta de vacina antirrábica para os animais de estimação, que deve ser feita anualmente. Como cães e gatos têm hábitos de caça, eventualmente podem entrar em contato com morcegos contaminados e, se infectados, podem vir a morrer. Importante destacar, contudo, que Curitiba não registra casos de raiva em felinos desde 2010; em caninos desde 1981; e em humanos desde 1975.

Julianne Coutinho, proprietária do Nina Pet Shop, conta que a vacina está em falta desde o início do ano, pelo menos. “Ficamos de dois a três meses sem e quando chega, acaba no mesmo dia”, conta ela, que fez uma lista de espera para atender a demanda de seus clientes – a última leva de vacinas saiu na semana passada, mas já há 40 pessoas esperando por novas doses para vacinar seus pets.

De acordo com o Ministério da Agricultura, a demora no abastecimento do mercado se deve ao fato de o laboratório contratado para fazer o controle de qualidade das vacinas importadas não ter qualificação técnica para realizar o trabalho. Em fevereiro último, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (SINDAN) chegou a informar que o abastecimento seria normalizado em dois meses. Até agora, contudo, nenhuma novidade. 

Como reagir ao encontrar um morcego
Mesmo com a incidência baixa é importante monitorar a circulação do vírus da raiva, para prevenir que cães e gatos sejam contaminados e, consequentemente, para que não haja transmissão para humanos
Ao encontrar um morcego em situação incomum (caído no chão, dentro de casa, caçado por cão e gato, entre outros), a indicação é isolar o local onde o animal foi encontrado ou prendê-lo com um balde, caso esteja no chão
Em seguida, recomenda-se registrar a solicitação de remoção pelo telefone 156 e aguardar o contato de um técnico da Unidade de Vigilância de Zoonoses. A pessoa não deve tentar capturar o morcego e de forma alguma toque no animal 
A Unidade de Vigilância de Zoonoses vai até o local, realiza a remoção do morcego, faz a vacinação de cães e gatos que possam ter tido contato e dá orientações. Em seguida, o morcego é encaminhado para exame
Estas medidas fazem parte do trabalho preventivo de rotina da Unidade de Vigilância de Zoonoses, que se complementa com o monitoramento de cães e gatos suspeitos, cujas notificações são enviadas pelos veterinários
A grande maioria dos morcegos encontra-se saudável e tem papel biológico importante no controle de insetos e na disseminação de sementes. Desta forma, não se deve matar estes animais
Para os responsáveis por cães e gatos, a orientação da SMS, ainda, é mantê-los vacinados contra a raiva. A vacina deve ser feita anualmente. Cães e gatos têm hábitos de caça e, eventualmente, podem entrar em contato com morcegos contaminados
Além de buscar clínicas particulares, os responsáveis também podem vacinar os animais de estimação na Unidade de Vigilância de Zoonoses, na Rua Lodovico Kaminski, 1.381, CIC - Caiuá, de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 13h às 16h30.
Para humanos, não há indicação de vacinação prévia, com exceção dos profissionais que trabalham na área e com manejo de animais, conforme avaliação caso a caso feita pelo Centro de Epidemiologia da SMS, baseada nos protocolos do Ministério da Saúde