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'A Vida Invisível'

Curitibano assina o roteiro de longa indicado para o Oscar 2020

Tem sotaque leite-quente na ficha técnica do longa-metragem A Vida Invisível, que ganhou pré-estreia em sessão especial, ontem (24), no Cine Passeio. É do roteirista Murilo Hauser, que acompanhou a exibição do filme brasileiro indicado para concorrer ao Oscar 2020 de Melhor Filme Estrangeiro e participou de um bate-papo com o público. O diretor do filme, Karim Aïnouz, e a assistente de direção, Inês Bortagaray, também participaram do evento.

“Sempre me dedico com afinco e paixão aos projetos em que estou envolvido, mas nunca imaginando que pode resultar algo para concorrer a um Oscar. Acho que foi um alinhamento de planetas”, diz Hauser, de 38 anos, cuja carreira passou inicialmente pelo teatro.

O longa, que também ganhou o prêmio principal da mostra Um Certo Olhar, no Festival de Cannes de 2019, é uma adaptação do romance A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, da escritora pernambucana Martha Batalha, e tem ninguém menos que Fernanda Montenegro como atriz convidada. 

Para o roteirista, o cinema brasileiro vive um momento especial. “É um momento exuberante, de colher os frutos dos investimentos feitos em cultura nos anos anteriores e que coincide com essa fase complicada para a cultura. É um contraponto”, comenta Hauser, que já engatou um novo projeto: está escrevendo o roteiro de Ainda Estou Aqui - o próximo filme de Walter Salles Júnior, baseado no livro de mesmo nome do escritor Marcelo Rubens Paiva.

Animado com a expansão do mercado de cinema no Brasil, conta, é convidado frequente para júris de mostras de filmes e está em contato permanente com o trabalho de jovens roteiristas, estimulados por iniciativas como o Projeto Paradiso, mantido pelo Instituto Olga Rabinovitch.

Entre outras áreas relacionadas ao audiovisual, a entidade concede bolsas de estudos e apoia projetos nas etapas de roteiro, desenvolvimento e distribuição.

Autores - Apesar de morar em São Paulo, Murilo Hauser afirma ter uma ligação “muito afetiva” com Curitiba. “Estão em mim a literatura e o teatro de autores da cidade, que aprendi a gostar lendo Dalton (Trevisan) e (Paulo) Leminski, os festivais de teatro, as sessões de cinema no Ritz e no Luz pré-Cine Passeio”, revela o roteirista, que é bisneto de Arno Hauser - um músico que, há cerca de 100 anos, tocava sua flauta transversa durante as sessões de cinema mudo em Curitiba e Ponta Grossa.

O roteirista estudou no Colégio Sion e ainda adolescente fez o primeiro curso sobre cinema na Cinemateca de Curitiba (sobre Linguagem Cinematográfica, com o diretor paranaense Fernando Severo) e foi assistente de direção de ópera do ator Beto Lanza, atual diretor de Ação Cultural da Fundação Cultural de Curitiba.

A seguir, graduou-se em Comunicação Social e fez especialização em Cinema na Universidade Tuiuti do Paraná e mergulhou no mundo do cinema. Deixou no Brasil uma carreira sólida ao partir para o mestrado em Roteiro para Cinema em Los Angeles, nos Estados Unidos, de onde voltou em 2015, já planejando o roteiro de A Vida Invisível.

Trajetória de Murilo Hauser no cinema
A Casa de Bergman (curta - 2018 - direção e roteiro)
Meu Medo (curta - 2010 - direção, roteiro e produção)
Silêncio e Sombras (curta - 2008 - direção)
O Filho Eterno (longa - 2016 - roteiro)
Outubro (curta - 2007 - roteiro)
Ainda Estou Aqui (longa – roteiro - em desenvolvimento)

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