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Denúncia de assédio coloca em risco votação de escolhido de Trump para Suprema Corte

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - A professora de psicologia Christine Blasey Ford, 51, que acusa o juiz Brett Kavanaugh de tê-la atacado sexualmente quando estavam no ensino médio, está disposta a testemunhar no Senado sobre o episódio, afirmou nesta segunda-feira (17) sua advogada, Debra Katz.

"Ela está disposta a fazer o que for preciso para levar a sua história adiante", afirmou Katz, especialista em casos de assédio sexual, à emissora NBC.

A votação sobre a nomeação de Kavanaugh, indicado de Trump, para a Suprema Corte dos Estados Unidos está marcada para quinta (20). Mas até alguns senadores republicanos, caso de Jeff Flake (Arizona) e Bob Corker (Tennessee), se juntaram a democratas e defendem que a votação seja adiada até que a vítima seja ouvida.

A principal conselheira de Trump, Kellyane Conway, também defendeu que a mulher deve ser ouvida em entrevista à Fox News. "Essa mulher não deveria ser insultada e ignorada", afirmou.

Ford contou detalhes do incidente, que segundo ela ocorreu no início dos anos 1980 durante um encontro de adolescentes no condado de Montgomery, em Maryland, ao jornal americano The Washington Post neste domingo (16).

Ela conta que Kavanaugh, bêbado, a forçou a deitar em uma cama de costas e a bolinou, esfregando seu corpo contra o dela. Ele também teria tentado tirar seu maiô e as roupas que vestia por cima.

"Eu achei que ele pudesse me matar inadvertidamente", contou Ford ao jornal. "Ele tentou me atacar e remover as minhas roupas."

Quando a então adolescente tentou gritar, ele colocou a mão em sua boca, segundo ela, que conseguiu escapar após um amigo dele, que assistia a tudo, pular em cima dos dois.

Na época, Kavanaugh tinha 17 anos e estudava na Escola Preparatória de Georgetown, escola de elite para meninos. Ela, com 15 anos, frequentava uma instituição próxima. Ford só teria falado para alguém sobre o ataque em 2012, enquanto fazia terapia de casal com o marido.

Em julho, por meio de uma carta confidencial, a professora relatou o episódio à senadora Dianne Feinstein, do Comitê Judiciário do Senado. Decidiu vir a público após a história ser divulgada sem seu consentimento.

Na última semana, quando a história começou a circular, Kavanaugh afirmou que "categoricamente e inequivocamente nega essa alegação". "Eu não fiz isso no ensino médio ou em qualquer outra época", afirmou.

A Casa Branca reiterou esse posicionamento nesta segunda.

Na sexta, o senador republicano Charles Grassley divulgou uma carta assinada por 65 mulheres que disseram conhecer Kavanaugh quando ele estudava na Escola Preparatória de Georgetown. Elas dizem que "ele sempre tratou mulheres com decência e respeito."

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