Medo

Trabalhadores desempregados temem redução de valor de auxílio do governo

Redução de auxílio proposto pelo governo afeta mais aos desempregados
Redução de auxílio proposto pelo governo afeta mais aos desempregados (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Victor Hugo Machado Francisco, de 30 anos, e Andrea Viana, de 42 anos, exemplificam a situação de milhões de trabalhadores que não conseguem encontrar uma nova colocação formal (com carteira assinada) e engrossam os índices do IBGE que mostram crescimento do desemprego no País.

Desempregado desde novembro do ano passado, Francisco trabalhava como autônomo, fazendo entregas, mas teve o carro roubado. Desde então, segundo ele, vem procurando uma nova colocação para sustentar a esposa e a filha Valentina, de dois anos.

O dinheiro que recebia pelas entregas cobria apenas as despesas fixas. O orçamento da família era tão apertado que não sobrava nada para pagar o seguro do carro. "Eu estava me planejando para contratar o seguro quando fui roubado", contou Francisco. A mãe da pequena Valentina se dedica integralmente a cuidar da criança.

O que aliviou a situação dos três foi o início do pagamento do auxílio emergencial e o dinheiro que veio de um "bico" de lavador de carros que Francisco conseguiu em julho. O trabalho temporário durou cerca de um mês. Agora, com a ajuda do governo cortada pela metade, ele teme que a família volte a passar por necessidades como no início deste ano.

"Era simplesmente um inferno (antes do benefício). Minha filha não tinha leite e fralda, não tinha nada. A gente pegava sobras de restaurantes. Não quero que minha filha passe por isso de novo", afirmou.

À procura de novo emprego, ele passou a vasculhar as vagas oferecidas na internet e se inscreveu em grupos de empregos no Facebook. "Não tenho dinheiro para pegar um transporte e ir até as empresas. Faço tudo a pé."

A situação de Andrea Viana não é melhor. No final de agosto, ele saiu de Brasília e veio para São Paulo em busca de um trabalho como empregada doméstica. Andrea contou que foi demitida em junho do serviço anterior, quando ainda morava na capital federal, devido à pandemia. Não tinha carteira assinada, apesar de ter direito ao registro,

Com 25 anos de experiência em serviços domésticos, ela deixou os quatro filhos com idades entre oito e 19 anos no Distrito Federal e se mudou para a casa da ex-sogra, na capital paulista. Com o ex-marido preso, é a única responsável por sustentar a família. "Os mais velhos cuidam dos mais novos e eu estou procurando trabalho para mandar dinheiro para eles", afirmou ela.

Ela acredita que em São Paulo há mais vagas de emprego, mas admite que se assustou com a concorrência. "Nunca vi tanta gente querendo trabalhar como doméstica", disse Andrea. O seu plano é trazer os filhos em breve porque, na sua visão, há mais oportunidades para todos em São Paulo.

A retomada das atividades presenciais, com o relaxamento do isolamento social na capital paulista, dá esperanças a ela. "Tenho quatro pessoas que dependem de mim. Preciso crer que vou conseguir um emprego", afirmou ela.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.