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Economia

Dólar cai com pesquisa Ibope e exterior, mas não perde patamar de R$ 4,15

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após subir mais de 1% em relação ao real na véspera, o dólar operou em baixa nesta quarta-feira (12), em mais uma reação a resultados de pesquisa eleitoral, reforçada por um enfraquecimento global da moeda americana.

A cautela de investidores com o cenário político, no entanto, não se dissipou.

A moeda, que chegou a recuar para R$ 4,111, desacelerou o ritmo de queda no fim do pregão e terminou em baixa de 0,12%, cotada a R$ 4,15. Com isso, retornou ao patamar de fechamento da véspera.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas na Bolsa brasileira, avançou mais de 1% ao longo do dia, mas fechou em alta menor, de 0,63%, a 75.124 pontos.

Operadores apontam que, além de um movimento de correção após a queda de terça (11), o mercado respondeu ao longo do dia mais positivamente à pesquisa Ibope, divulgada na noite anterior.

O levantamento mostra Jair Bolsonaro (PSL) na liderança da corrida presidencial, passando de 22% na pesquisa anterior, de 5 de setembro, para 26% das intenções de voto.

Foram ouvidos 2.002 eleitores de 145 cidades nos dias 8, 9 e 10 de setembro. A pesquisa, que tem margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR05221/2018. O nível de confiança é 95%. A contratante foi a Ibope Inteligência.

O aumento foi mais expressivo do que o captado pela pesquisa Datafolha, divulgada na segunda (10), em que Bolsonaro foi de 22% para 24%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O Datafolha entrevistou 2.804 eleitores de 197 municípios na segunda. A pesquisa, que tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, foi feita em parceria com a TV Globo e está registrada no TSE com o número: BR 02376/2018. O nível de confiança é de 95%.

Pelo Ibope, assim como no Datafolha, quatro candidatos aparecem tecnicamente empatados na disputa pelo segundo lugar. A margem de erro também é de dois pontos percentuais.

Atrás de Bolsonaro estão Ciro Gomes (PDT), com 11%, seguido por Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB), ambos com 9%, e Fernando Haddad (PT), com 8%. O petista foi oficializado como candidato no lugar do ex-presidente Lula na tarde de terça.

Na comparação com a última pesquisa feita pelo Ibope, Ciro oscilou um ponto para baixo, enquanto no Datafolha o candidato foi de 10% para 13%. Haddad variou no Ibope dois pontos para cima, dentro da margem, mas no Datafolha registrou salto maior: de 4% para 9%.

No Ibope, Marina caiu três pontos, de 12% para 9% —no Datafolha, foi de 16% para 11%. Alckmin, que no Ibope permaneceu estável, avançou ligeiramente de 9% para 10% na pesquisa Datafolha.

Ambos os levantamentos foram os primeiros após o ataque a faca sofrido por Bolsonaro, na última quinta (6), durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

"A nova pesquisa divulgada ontem à noite pelo Ibope, mostrou que o incidente ocorrido na última quinta-feira, quando Bolsonaro foi esfaqueado, exerceu impacto positivo em sua candidatura", avaliou a Rico Investimentos em relatório.

Em nota distribuída a clientes, a equipe da Coinvalores destacou não só a consolidação de Bolsonaro na liderança do primeiro turno, mas disse que o Ibope trazia como novidade o fortalecimento de sua posição no segundo turno.

O levantamento apontou empates técnicos nas quatro simulações de segundo turno apresentadas, todas com Bolsonaro entre os candidatos. Ele alcançaria 37% nas disputas com Ciro (40%) e Alckmin (38%), 38% na disputa com Marina (também 38%), e 40% em um cenário com Haddad (36%).

Pelas simulações de segundo turno do Datafolha, Bolsonaro perderia para Marina, Ciro e Alckmin, e ficaria um ponto percentual atrás de Fernando Haddad, diferença dentro da margem de erro.

O mercado havia se frustrado após o Datafolha porque esperava que o ataque a faca que o candidato sofreu poderia dar mais tração a seu nome e enfraquecer a esquerda.

Na visão de investidores, a perspectiva não se cristalizou. Enquanto isso, a projeção de que um candidato da esquerda possa chegar ao segundo turno e derrotar Bolsonaro pressionou para baixo a Bolsa brasileira em mais de 2% na véspera e fez o dólar interromper três dias seguidos de queda e voltar ao patamar de R$ 4,15.

"O mercado está reagindo muito a pesquisa eleitoral nesta quarta da mesma forma que ontem. Na véspera, esvaziou a leitura de que a direita poderia se fortalecer após o ataque a Bolsonaro. Hoje, ela é relativamente recomposta. O mercado vai surfando nisso", diz Cleber Alessie Machado, operador na H. Commcor.

Ele observa, no entanto, que a alta do dólar na terça (-1,5%) e a queda na Bolsa (-2,3%) foram mais intensas que o recuou da divisa americana (-0,12%) e o alívio inicial no Ibovespa (+0,96%) neste pregão.

"O mercado segue em posição mais defensiva, porque sabe que existe o risco real de um segundo turno com a esquerda, algo a que os investidores são avessos. Por mais que o mercado reaja bem hoje, há certa limitação nesse bom humor", afirma.

Analistas destacam que a volatilidade tende a marcar os próximos pregões, com uma bateria de levantamentos prevista para os dias seguintes, incluindo uma nova pesquisa Datafolha na sexta-feira (14).

EXTERIOR

Dados da economia americana também ajudaram a trazer certo alívio a moedas emergentes. Das 24 principais divisas, 20 se valorizam em relação ao dólar.

Os preços aos produtores americanos caíram inesperadamente em agosto, registrando seu primeiro recuou em um ano e meio, com retração nos preços dos alimentos e uma série de serviços comerciais.

O Departamento de Trabalho informou nesta quarta que o índice de preços ao produtor para a demanda final caiu 0,1% no mês passado, após ter permanecido inalterado em julho. A queda de agosto foi a primeira desde fevereiro de 2017.

Economistas consultados pela agência Reuters projetavam que o índice de preços ao produtor aumentaria 0,2% em agosto.

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