Publicidade

Dólar sobe com incertezas em relação ao ajuste fiscal; Bolsa recua

EULINA OLIVEIRA SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As preocupações em relação à capacidade do governo do presidente interino, Michel Temer, de aprovar as medidas do ajuste fiscal no Congresso mexem com o mercado financeiro nesta quinta-feira (18). Os investidores reagem mal ao adiamento da votação da prorrogação da DRU (Desvinculação das Receitas da União) no Senado. Apesar da queda global do dólar, a moeda americana opera em alta ante o real. O Ibovespa tem leve baixa, pressionado principalmente por papéis do setor financeiro e da Vale. Os juros futuros operam em alta, mas o CDS (credit default swap) brasileiro, espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, cai. A votação DRU até 2023 foi suspensa nesta quarta-feira (17) pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para evitar uma derrota do governo, que não tinha votos suficientes no Plenário para aprovar a proposta. A DRU permite que o governo federal aplique os recursos em qualquer despesa considerada prioritária. Ele também pode usar o dinheiro para fazer superavit primário e conter o aumento da dívida pública. "O sinal é negativo, afinal, o governo perde no Senado com o adiamento da votação da DRU", escreve a equipe de análise da Lerosa Investimentos, em relatório. No exterior, os mercados continuam digerindo nesta quinta-feira (18) a ata da última reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos). O documento, divulgado na véspera, mostrou que os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do BC americano estão divididos quanto a uma alta dos juros americanos no curto prazo, e que o colegiado deve aguardar mais dados econômicos antes de tomar qualquer decisão. CÂMBIO E JUROS O dólar à vista subia há pouco 0,11%, a R$ 3,229; o dólar comercial avançava 0,59%, a R$ 3,230. "O real está tendo uma performance um pouco pior que outras moedas neste momento devido ruídos com relação ao ajuste fiscal", avalia José Faria Júnior, diretor-técnico da Wagner Investimentos. Pela manhã, o Banco Central leiloou 15.000 contratos de swap cambial reverso (equivalentes à compra futura de dólares), no montante de US$ 750 milhões. No mercado de juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2017 subia de 13,985% para 13,990%; o DI para janeiro de 2018 avança de 12,710% para 12,730%; e o DI para janeiro de 2021 passa de 11,890% para 11,920%. O CDS brasileiro, porém, recuava 1,06%, aos 250,500 pontos. BOLSA Após ter renovado a pontuação máxima em quase dois anos nesta quarta-feira, o Ibovespa perdia há pouco 0,09%, aos 59.268 pontos. No setor financeiro, Itaú Unibanco PN perdia 0,62%; Bradesco PN, +0,13%; Bradesco ON, +0,10%; Banco do Brasil ON, -0,17%; Santander unit, -0,13%; e BM&FBovespa ON, -2,34%. Os papéis da Vale perdiam 0,18%, a R$ 16,09 (PNA), e 0,52%, a R$ 19,02 (ON), seguindo a queda do minério de ferro na China. As ações da Petrobras subiam 1,41%, a R$ 12,94 (PN), e 2,21%, a R$ 15,25 (ON), beneficiadas pelo avanço do petróleo no mercado internacional pela sexta sessão consecutiva. Ambev ON, outro papel de peso no Ibovespa, caía 0,54%. EXTERIOR Na Bolsa de Nova York, o índice S&P 500 ganhava 0,08%; o Dow Jones, +0,09%; e o Nasdaq, +0,25%. Os índices são impulsionados pela alta do petróleo e pelo alívio com a ata do Fed. Na Europa, a Bolsa de Londres ganhava 0,06%; Paris, +0,26%; Frankfurt, +0,55%; Madri, +0,52%; e Milão, +0,78%. Na Ásia, as Bolsas chinesas recuaram, pressionadas por papéis do setor financeiro, O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,25%, enquanto o índice de Xangai perdeu 0,17%. No Japão, o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio fechou com queda de 1,55%, pressionada pelo fortalecimento do iene. Além disso, as exportações Japão caíram em julho no ritmo mais rápido desde a crise financeira global.

DESTAQUES DOS EDITORES