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Cinema

Drácula não consegue segurar o Tchan em ‘Hotel Transilvânia 3’

Terceiro filme da franquia de animação estreia nesta quinta-feira em Curitiba
Drácula não consegue segurar o Tchan em ‘Hotel Transilvânia 3’
Ericka, a capitã do navio, e Drácula, com trajes de férias: cruzeiro à noite e clima de paquera (Foto: Sony Pictures Animation)

A animação ‘Hotel Transilvânia’ estreou em 2012 com uma premissa diferente: reunir os monstros clássicos do cinema – como Drácula, a criatura de Frankenstein e a Múmia – e colocá-los como os caras bons e até ordinários. Drácula tem uma filha e é dono do hotel que batiza o filme. Nele, a clientela até essencialmente formada por outros monstros clássicos. Seguiu-se um ‘Hotel Transilvânia 2’, de 2015. Nesta quinta-feira (12), um terceiro capítulo estreia em Curitiba: ‘Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas’. Nele, Drácula não consegue segurar o “Tchan”. Literalmente. 
Explica-se: o “Tchan” é, para os monstros, o que os humanos chamam de “amor à primeira vista”. Sim, Drácula se apaixona neste terceiro filme. Ele mesmo achava que isso nunca mais seria possível, depois que sua amada foi morta por humanos anos atrás – como descrito em ‘Hotel Transilvânia’ – e o deixou como um pai viúvo de uma bebê menina. 
Para se chegar a essa situação, contudo, foi preciso tirar Drácula da zona de conforto. Achando que o pai está apenas estressado com tanto trabalho para cuidar das férias dos outros, Mavis o leva para tirar férias. Ele, ela, o marido Johnny, o menino meio-humano-meio-vampiro Denis, o vovô Vlad e toda a trupe de monstros do hotel vão experimentar outro tipo de hospedagem: em um cruzeiro de navio pelo mar. O que Mavis não sabe é que Drácula está, na verdade, dando pistas de que seu coração quer sentir novamente o “Tchan”. Tanto que chegou a criar um perfil em uma rede social de paqueras monstruosas, o “Tchander”. 
Mas um cruzeiro não tem mar e sol? Sol não é letal para os vampiros? Não neste cruzeiro, que começa no Triângulo das Bermudas e termina em Atlântida. E um cruzeiro pelo mar é, claro, uma bela oportunidade de conhecer alguém especial. E aquela Ericka, a capitã do navio, hein, hein, hein? Ela parece legal. Pena que é humana e pode não ser o que parece ser...
‘Hotel Transilvânia 3’ faz uma diferenciação em relação a algo que permeou os dois filmes anteriores, a mensagem de aceitação das diferenças – Drácula, vampiro, acaba aceitando Johnny, humano, como marido da filha; depois, vovô Vlad acaba aceitando o bisneto mestiço. A mensagem da vez é outra: o ódio entre espécies é uma estupidez — um eufemismo para o racismo, que é, sim, uma estupidez monstruosa. 
Por um lado, faltou uma cena emocionante, do naipe da que Drácula se descobre adorado pela população da Transilvânia no século 21 e é ajudado por ela antes do clímax final (esse spoiler prescreveu). Por outro lado, o filme garante risadas para crianças e também para adultos, pelas referências à cultura pop. O avião que leva todos os monstrods para o ponto de partida do cruzeiro é comandado pelos Gremlins. Num navio com romance no ar não pode faltar uma citação a Titanic. E a cena da caverna que inicia o clássico ‘Caçadores da Arca Perdida’ é praticamente reprisada. Há, ainda, aquelas situações com as quais os adultos se identificam. Uma delas, cada vez mais comum nos dias em que os casamentos vêm e vão: apaixonar-se de novo quando já se tem filhos crescidos. Quem, afinal, consegue segurar o Tchan numa hora dessas?

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