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'É pecado venial, não mortal', diz FHC sobre mensagens vazadas de Moro

LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - Citado em troca de mensagens entre o ministro Sergio Moro, então juiz da Lava Jato, e o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse não achar grave ter havido conversas paralelas entre um magistrado e procuradores.

"É pecado venial, não é mortal", disse o tucano nesta terça-feira (25) em Lisboa, onde participou de um evento.

"Eu acho que o Sergio Moro, enquanto juiz, era natural que conversasse com um ou com outro. Não podemos supor que as pessoas viviam num laboratório abstrato. As pessoas têm relações e podem até, nas conversas pessoais, exagerar, e isso não ser apropriado diante daquilo que se olha na sociedade", afirmou.

O ex-presidente se esquivou ao ser questionado se Moro deveria se afastar do Ministério da Justiça e Segurança Pública até o fim das investigações.

"Eu não sou nem advogado. Como é que eu vou opinar nesta matéria? Fica difícil", respondeu.

O nome do ex-presidente aparece em mensagens trocadas entre Moro e Dallagnol e publicadas pelo site The Intercept Brasil.

Em conversa no aplicativo Telegram, o então magistrado mostrou contrariedade com investigações sobre FHC no âmbito da operação. O juiz receava afetar "alguém cujo apoio é importante".

O ex-juiz e hoje ministro escreveu, na época em que ainda atuava na operação, que uma apuração envolvendo o tucano poderia "melindrá-lo" e seria, portanto, "questionável".

Questionado pela Folha de S.Paulo sobre o diálogo, Fernando Henrique Cardoso minimizou o episódio.

"A meu respeito não tem nada. O que ele disse é uma coisa de consideração apenas, sem envolver nada. Até porque não há nenhuma acusação contra mim, nunca houve", disse.

No sábado (22), FHC elogiou em uma rede social a performance de Moro no depoimento que ele deu no Senado sobre o assunto. Para o tucano, o auxiliar de Jair Bolsonaro (PSL) "se saiu bem" na sabatina.

O tucano também criticou parte dos parlamentares. "Havia mais vontade de destruir e abalar a Lava Jato que de compreender. De todo modo, com ele [o debate] ganha a democracia. É sempre bom ver autoridades tendo que explicar suas ações", escreveu na postagem.

Em Portugal, o ex-presidente brasileiro participou do lançamento de um relatório mundial sobre políticas para as drogas.

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