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Economia

Em pregão instável, dólar cai para R$ 4,13; Bolsa também recua

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A volatilidade deu o tom nos mercados brasileiros nesta quarta-feira (19), conforme investidores digerem informações eleitorais e tentam projetar cenários.

Na abertura, o dólar comercial, que fechou a R$ 4,145 na véspera, foi para R$ 4,174 e bateu R$ 4,178. Ao longo do dia, no entanto, conseguiu surfar no cenário externo mais favorável a emergentes e fechou em baixa de 0,38%, para R$ 4,129.

Estados Unidos e China anunciaram nesta semana novas tarifas sobre importações um do outro, mas as medidas foram menos severas do que o inicialmente esperado. Além disso, expectativas de novos estímulos econômicos pela China fornecessem algum suporte para mercados emergentes.

Lá fora, o dólar perdeu força para 19 das 31 principais divisas.

"Há a percepção de que muita conversa ainda deve ocorrer podendo-se chegar a um bom termo, evitando uma guerra comercial generalizada. É a visão do copo meio cheio", disse a SulAmérica Investimentos em relatório.

Operadores apontam que, logo no início do pregão, o movimento de alta refletia os resultados da pesquisa Ibope de intenção de voto para presidente, divulgados na noite de terça (18).

O levantamento cristalizou a perspectiva de um segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). 

O capitão reformado do Exército oscilou positivamente dois pontos em relação à pesquisa anterior, de 11 de setembro, e tem agora 28% das intenções de voto.

Já Haddad apresentou crescimento expressivo, de 11 pontos, passando de 8% para 19%. Com isso, o petista, que na pesquisa anterior estava tecnicamente empatado com outros três candidatos, assumiu de forma inconteste o segundo lugar.

Numa eventual disputa de segundo turno, Bolsonaro e Haddad teriam 40% cada um deles -o capitão reformado tinha 37% na pesquisa do início do mês, ante 36% do ex-prefeito de São Paulo.

Para esta etapa, o mercado observa índices de rejeição, que podem apontar direções para votos úteis. 

De acordo com o Ibope, 42% dos entrevistados não votariam em Bolsonaro em hipótese alguma, contra 41% anteriormente. A rejeição do petista foi de 23% para 29%. O quadro demonstra o alto grau de polarização da disputa.

Na Bolsa brasileira, o dia também foi muito volátil, apesar do tom mais positivo no exterior.

O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, chegou a atingir os 79 mil pontos, mas terminou em queda de 0,19%, a 78.168 pontos.

Ao aceitar Bolsonaro, o mercado mira Paulo Guedes, coordenador econômico de seu programa e eventual Ministro da Fazenda.

O economista, que agrada a investidores por seu perfil liberal, causou, no entanto, alguma instabilidade ao mercado. 

Em anúncio para uma plateia reduzida na terça-feira (18), revelado pela Folha de S.Paulo, Guedes disse que pretende recriar um imposto nos moldes da CPMF, que incide sobre movimentação financeira.

Ao mesmo tempo, conforme Haddad avança nas pesquisas, surgem os primeiros sinais de inflexão do discurso econômico do partido.

Na segunda (17), Marcio Pochmann, um dos assessores econômicos do PT, assegurou a uma plateia de empresários em São Paulo que um eventual governo Haddad evitará o que chamou de "choques".

Reportagem da Folha de S.Paulo apontou ainda que o Haddad procura um não economista, de perfil moderado e independente, para o comando do Ministério da Fazenda caso seja eleito em outubro.

"O mercado está de olho em um segundo turno entre Haddad e Bolsonaro, mas a questão é que ninguém sabe exatamente o que eles vão propor em termos econômicos. Sabem as linhas gerais, mas está todo mundo [nas candidaturas] tentando acalmar o mercado. Só há como fazer projeções melhores depois que o vencedor for definido e apontar quem será o seu Ministro da Fazenda, seu presidente do Banco Central, quais serão suas propostas, como será sua comunicação", avalia André Diz, professor de macroeconomia do Ibmec/SP.

Ainda na cena local, também está no radar dos agentes financeiros a decisão de política monetária do Banco Central, prevista as 18h, com expectativa majoritária de estabilidade da taxa Selic na mínima recorde de 6,5% ao ano.

Investidores vão olhar com lupa o comunicado que acompanha a decisão, em busca de alguma indicação sobre perspectivas e cenários futuros da autoridade monetária.

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