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Fabricante de urnas eletrônicas e sistemas de apuração deixa Venezuela

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Responsável por fornecer as urnas eletrônicas e os sistemas de apuração das votações da Venezuela desde 2003, a empresa Smartmatic anunciou nesta quarta-feira (7) que fechará definitivamente seus escritórios no país. A companhia foi retirada dos processos eleitorais em agosto, após seu presidente, Antonio Mugica, acusar o CNE (Conselho Nacional Eleitoral), dominado por aliados do ditador Nicolás Maduro, de inflar o comparecimento na eleição para a Assembleia Constituinte, em julho. Em comunicado, a companhia disse que a acusação de fraude "levou à ruptura imediata do relacionamento entre cliente e fornecedor". Também descartou qualquer assistência ao ex-contratador nos pleitos para governador, em outubro, e prefeito, em dezembro, quando foram usadas máquinas de sua fabricação. "Como a empresa não esteve envolvida nesses processos, e considerando que seus produtos não estão sob garantia e não foram certificados para essas eleições, a Smartmatic não pode assegurar a integridade do sistema, tampouco confirmar a exatidão dos resultados." Na noite de 30 de julho, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, disse, ao lado de Maduro, que 8.089.320 pessoas, ou 41,53% do eleitorado nacional, foram votar para escolher os membros da Constituinte, em votação boicotada pelos adversários do regime chavista. A cifra superava os 7.676.894 que, segundo a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), participaram duas semanas antes de uma consulta não oficial em que 98% dos votantes rejeitaram a Casa convocada pelo mandatário em maio. Três dias depois da votação da Constituinte, o venezuelano Mugica disse em Londres que o CNE aumentou em pelo menos um milhão o número de pessoas que participaram da escolha dos novos legisladores constituintes. Assim como o presidente, 20 gerentes e técnicos da Smartmatic deixaram a Venezuela horas antes da denúncia e o escritório da empresa em Caracas amanheceu vazio em 2 de agosto com um aviso de "fechado até segundo aviso". O regime respondeu atacando sua ex-fornecedora. A presidente do conselho eleitoral, Tibisay Lucena, considerou a denúncia "irresponsável e sem fundamento" e convocou uma auditoria com técnicos do próprio órgão, que fizeram um relatório dizendo que a votação foi limpa. Chamando Mugica de estúpido, Maduro disse que ele denunciou a fraude a pedido dos EUA -acusação usada diversas vezes pelo líder contra seus detratores. "A pressão foi feita por um cara que tem uma empresa em Londres e suas contas nos EUA para tentar manchar o processo eleitoral dizendo que só haviam votado 7,5 milhões de venezuelanos." "Ninguém mancha esse processo eleitoral porque é transparente, auditado antes, durante e depois." Na semana passada, o CNE informou que, na eleição presidencial prevista para 20 de maio, usará técnicos próprios e as máquinas já existentes, assim como foi feito em outubro e dezembro.

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