Publicidade
Fora

FBI demite terceiro agente de alto escalão crítico de Donald Trump

JÚLIA ZAREMBA

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Peter Strzok, o vice-diretor-assistente do FBI que enviou mensagens de texto críticas ao presidente Donald Trump durante a campanha presidencial de 2016 e participou das investigações sobre a suposta interferência russa no pleito, foi demitido na sexta-feira (10) sob alegação de violar o protocolo da polícia federal americana.

O agente, que estava no birô havia 21 anos, é o terceiro integrante do alto escalão do FBI demitido após algum atrito com Trump. A agência não quis comentar o caso, após a informação ser divulgada nesta segunda (13) por Aitan Goelman, advogado de Strzok.

As mensagens de texto, trocadas por Strzok com a ex-advogada do FBI Lisa Page, serviram de munição para Trump e seus aliados criticarem a investigação das relações de sua campanha presidencial com a Rússia, alegando que se tratasse de uma "caça às bruxas".

Em uma delas, Page pergunta: "Trump nunca vai ser presidente, certo? Certo?!", ao que Strzok responde: "Não, ele não vai. Vamos impedir isso".

O inspetor que descobriu as mensagens, Michael Horowitz, não encontrou provas de que a visão política dos dois agentes tenham influenciado suas decisões na investigação. Mas afirmou que elas "sugerem que os dois poderiam estar dispostos a agir para influenciar as perspectivas eleitorais do candidato".

Após o episódio, Strzok, que investigara o uso de um servidor privado de email pela então candidata democrata à Presidência, Hillary Clinton, foi afastado da equipe de Robert Mueller, responsável por apurar a interferência russa nas eleições, e transferido para a divisão de recursos humanos do FBI. Page, por sua vez, pediu demissão em maio.

Além das mensagens, Strzok é acusado e ter emitido um mandado de busca sigiloso para seu email pessoal.

Antes dele, Andrew McCabe, diretor interino do FBI, foi demitido por supostamente vazar à imprensa informações sobre a investigação de Hillary -algo que ele nega ter feito.

Ele substituíra James Comey, demitido por Trump em maio de 2017 pelo modo como conduziu a investigação da interferência russa e por ter vazado uma anotação na qual dizia que o presidente lhe cobrara lealdade.

O advogado de Strzok afirma que o vice-diretor do serviço de inteligência, David Bowdish, reverteu a decisão do funcionário responsável pela disciplina dos agentes, que recomendara suspensão de 60 dias e rebaixamento de seu cliente, e que a demissão foi fruto de pressão política, já que a suposta parcialidade do agente não foi comprovada.

Trump, por sua vez, celebrou. "O agente Peter Strzok acaba de ser demitido do FBI --finalmente. A lista de maus jogadores no FBI e no Departamento de Justiça fica cada vez maior", afirmou.

"Baseado no fato de que Strzok estava no comando da caça às bruxas, ela será deixada de lado?", questionou o presidente. "É um embuste. Nada de conluio, nada de obstrução, eu só revido!", escreveu.

A investigação citada por Trump é a mesma que Comey chefiava para apurar se houve conluio entre a campanha do republicano e agentes russos que hackearam o comitê de Hillary Clinton em 2016.

Em abril, Comey lançou um livro de memórias polêmico chamado "A Higher Loyalty: Truth, Lies and Leadership" (Uma Lealdade Superior: Verdade, Mentiras e Liderança, em tradução literal), onde descreve o presidente um líder antiético e ególatra.

A investigação tem sido, desde sua saída, chefiada pelo procurador especial designado pelo Congresso e ex-diretor do FBI Robert Mueller.

Ele já indiciou agentes e cidadãos russos, além de integrantes da campanha de Trump --embora as acusações, no último caso, não estejam relacionadas ao pleito, mas a fraudes financeiras.

DESTAQUES DOS EDITORES