Gente de Bem

Fim do auxílio emergencial cria cenário dramático em Curitiba

Padre Joaquim Parron: atendimento a centenas de famílias afetadas desde o início da pandemia
Padre Joaquim Parron: atendimento a centenas de famílias afetadas desde o início da pandemia (Foto: Franklin de Freitas)

O fim do pagamento do auxílio emergencial pelo governo federal criou um cenário dramático em vários locais do País e Curitiba não escapou. Sem esse recurso, milhares de famílias sem condições de trabalho passam por necessidade, e têm como único recurso o atendimento de associções ou trabalhos voluntários que fornecem cestas básicas.

Mas até este voluntariado passa por dificuldade no momento, ainda mais pelo aumento das famílias necessitadas. “A procura por alimentos está dramática devido o encerramento do Auxílio Emergencial”, diz o padre Joaquim Parron, que atua na Vila Torres junto à Igreja Nossa Senhora Aparecida e a Associação de Moradores da Vila Torres. “O nosso movimento precisa de mais doações de alimentos não perecíveis para ajudar os empobrcidos em necessidade”, conta o padre.

Desde o início da pandemia, em março do ano passado, a paróquia do padre Parron recolhe donativos para montar cestas básicas na Capela Nossa Senhora Aparecida, e distribuir às famílias afetadas pela pandemia, boa parte formada por coletores de recicláveis — os carrinheiros — que viram a atividade reduzir com a crise.

Parron lembra que com o auxílio emergencial, que começou a ser pago a partir da metade do ano de 2020, a condição até melhorou, mas agora, sem o auxílio, a situação voltou ao patamar de março.

“Começamos no mês de março de 2020 distribuindo 900 cestas só na Vila Torres. Depois, a partir de julho a agosto, diminuiu para 500. Agora, em fevereiro deste ano, já temos mil famílias cadastradas apenas na Vila Torres, sem contar outros bairros que também atendemos.

Hoje e amanhã, o padre e equipe começam a distribuir as cestas, mas ainda faltam pelo menos 100 para atender todo o cadastro, por isso o pedido para que doações sejam feitas para ajudar neste momento crítico.

“Nessa quarta-feira e quinta-feira estaremos atendendo mil famílias com cestas de alimentos, e precisamos de ajuda”, repete o padre. Desde que começou esse trabalho voluntário na pandemia, já foram entregues milhares de cestas básicas e material de higiene para as famílias da região.

‘Deixar de falar é o pior caminho’

O auxílio emergencial de R$ 600 — R$ 1.200 no caso de mães que sustentam a casa sozinhas — foi um alívio para milhões de famílias em todo o País. No momento, a volta do pagamento está em discussão no Congresso, e deve ter novidades em março. A principal dúvida é sobre seu valor, que não deve ser de R$ 600. Nos estudos feitos até o momento, o valor varia entre R$ 200 e R$ 250.

No dia 20 de fevereiro, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que a nova rodada de auxílio emergencial sempre foi considerada pelo governo federal e que o formato do novo benefício deve ser apresentado no início do próximo mês, citando que o pagamento deve ser feito de março a junho.

Ontem, cobrou do Ministério da Economia a implantação do auxílio emergencial o mais rápido possível. Governo e Congresso discutem abrir um crédito extraordinário para pagamento do benefício após aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial no Senado, antes da votação na Câmara.

SERVIÇO
Como ajudar
Quem quiser ajudar o trabalho do padre Parron pode encaminhar doações — preferencialmente alimentos não perecíveis e materiais de higiene — para o endereço abaixo:

Rua Guabirotuba 770, Vila Torres.
Capela Nossa Senhora Aparecida