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‘Fora, Bolsonaro’ e ‘Fora, Putin’ marcam tom político de show do Pussy Riot em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Temas políticos e de protesto são o mote dos eventos do Pussy Riot. “Fora, Bolsonaro” e “Fora, Putin” marcaram esse tom no show da banda russa de punk rock que desembarcou em São Paulo neste sábado (20) no Fabrique Club (zona oeste) para o festival Garotas à Frente.

O coletivo já divulgou um posicionamento oficial sobre a música atual. “Ficamos meio confusos com o fato de que a maioria das músicas hoje são sobre festas e romance, enquanto só algumas poucas são dedicadas a temas importantes como mudança climática, controle das armas, prisão de ativistas políticos, desigualdade estrutural, sexismo, policiais assassinos, brutalidade e abuso de poder adotadas por instituições públicas diariamente e necessidade urgente de acesso para todos a boa educação e bons médicos e hospitais.”

Entre as músicas do repertório da noite “Police State”, “Organs”, “Go Vomit”, “Bad Girls” e “Vagina”. O setlist é acompanhado por projeções em um telão de fundo com mensagens de protestos e efeitos luminosos monocromático na maioria das canções.

No palco, manifestam a insatisfação com a falta de liberdade de expressão em seu país de origem, a Rússia, governada por Vladimir Putin.

O grupo foi a principal atração do festival, que contou com um público majoritariamente composto por mulheres. Além de música, o evento na capital paulista teve exposições com obras com a temática de empoderamento e o lançamento do livro “Garotas à Frente”, da escritora Sara Marcus, sobre o movimento feminista americano Riot Grrrl.

Desde o início do evento, quem chegava à casa já podia ter noção do que estaria por vir. “Meninas rebeldes mudam o mundo”, versava uma arte exposta. No pé do palco, fixado em uma caixa preta, um cartaz com a pergunta “Quem mandou matar Marielle?”. O questionamento sobre o assassinato da vereadora carioca também foi feito na noite anterior, quando o grupo russo fechou a programação do festival Abril Pro Rock, em Recife.

Na capital pernambucana, Mônica Benício, a viúva de Marielle Franco, subiu ao palco perto da metade do show e entoou no microfone: “Eles combinaram de nos matar. Mas nós combinamos de não morrer. Marielle, justiça!”, disse acompanhada pelo público do evento em uma espécie de jogral.

A líder do grupo Nadya Tolokonnikova ainda recebeu uma camiseta com a pergunta em inglês “Who killed Marielle?” (Quem matou Marielle?) das mãos de Mônica.

A vereadora do PSOL e seu motorista Anderson Gomes foram mortos quando voltavam de um debate na Lapa, no centro do Rio, em 14 de março de 2018. Quando estavam no carro, no bairro do Estácio (centro), outro veículo emparelhou com o de Marielle e disparou com uma arma automática. A terceira ocupante, uma assessora de Marielle, sobreviveu.

Quase um ano depois, em 12 de março, a Polícia Civil do Rio prendeu dois suspeitos: o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, 46, que negam a participação no crime.

Antes de vir ao Brasil, o conjunto passou por países na América do Sul como Chile, Argentina, Uruguai, Colômbia e Peru.

Formado em 2011, o coletivo feminista Pussy Riot é um dos principais ícones de protestos contra a falta de liberdade de expressão na Rússia, governada por Vladimir Putin, e a favor de direitos das mulheres. A inspiração foi justamente o Riot Grrrl.

Algumas das integrantes já foram presas. Em 2012, Nadya Tolokonnikova e Maria Alyokhina foram punidas pela primeira vez por uma apresentação pública sem autorização em uma igreja. No fim de 2013 foram soltas, e a repercussão acabou fomentando a luta.

Durante a final da Copa do Mundo, por exemplo, algumas ativistas invadiram o gramado e foram contidas pelos seguranças.

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